Psicólogas destacam sinais de alerta em crianças e adolescentes, impacto do ambiente escolar e importância do acolhimento emocional sem julgamentos
No quadro semanal Saúde Mental em Pauta, apresentado pela psicóloga Olívia Magalhães e com participação da psicóloga escolar Priscila Fraga, o tema foi “Crises de ansiedade na escola: como família e professores podem ajudar”.
O debate destacou o aumento de casos de ansiedade entre crianças e adolescentes e como os sintomas muitas vezes são confundidos com desinteresse, preguiça ou rebeldia.
Segundo Priscila Fraga, sinais como faltas frequentes, irritabilidade, dores de cabeça e dores estomacais recorrentes devem acender o alerta no ambiente escolar.
“Quando começam a aparecer esses sinais, é algo para que a gente passe a olhar esse aluno dentro do contexto da escola de uma outra forma. Há uma mudança muito grande no comportamento”, explicou.
A psicóloga Olívia Magalhães reforçou que o tema tem sido cada vez mais comum nos consultórios e que muitos estudantes chegam a recusar a ida à escola.
“Há choro demasiado, resistência acentuada, porque eles não querem mais frequentar o ambiente escolar. Muitas vezes isso está ligado à dificuldade de lidar com frustrações e pressões do dia a dia”, afirmou.
As profissionais destacaram que as crises de ansiedade são multifatoriais e envolvem pressão por desempenho, comparações nas redes sociais, bullying e até o ambiente familiar.
“Não tem uma causa única, é tudo isso junto e misturado. Pressão social, redes sociais, comparações… tudo isso contribui para essas crises”, disse Priscila.
Olívia também chamou atenção para a necessidade de apoio dentro de casa, já que o estresse dos pais pode impactar diretamente o comportamento dos filhos.
“Às vezes os pais estão com pico de estresse e não conseguem ter paciência para ajudar nas atividades escolares. Isso se reflete no rendimento da criança”, explicou.
Um dos pontos centrais do programa foi a importância do acolhimento emocional diante de uma crise de ansiedade.
As psicólogas alertaram que frases como “se acalme” ou “pare de chorar” podem piorar o quadro.
“O primeiro passo é acolher. A gente procura escutar mais e falar menos. O corpo está em estado de alerta, não é algo que a pessoa consiga simplesmente desligar”, destacou Priscila.
Olívia reforçou que o choro deve ser compreendido como parte do processo emocional.
“Às vezes a gente precisa se esvaziar para se encher de outras coisas. O choro vem como válvula de escape”, disse.
As especialistas explicaram que é preciso atenção quando os sintomas começam a afetar o aprendizado, o convívio social e o comportamento do estudante.
Isolamento, medo excessivo, queda no rendimento e queixas físicas constantes são sinais importantes de alerta.
“Quando começa a afetar a aprendizagem e as relações, é hora de buscar ajuda. Mas não precisamos esperar chegar nesse ponto”, alertou Priscila.
O programa também destacou a importância da parceria entre escola, família e profissionais de saúde mental.
“Não é só a escola que tem esse papel. É um trabalho em conjunto. Família, escola e profissional precisam caminhar juntos”, reforçou Olívia Magalhães.
As psicólogas ainda destacaram o papel das escolas na prevenção, com ações de escuta, acolhimento e fortalecimento emocional dos alunos.