Especialista afirma que a menopausa deixou de ser encarada como o fim de um ciclo e passou a representar uma fase de oportunidades, saúde e protagonismo feminino
A mulher de 50 anos da atualidade vive uma realidade completamente diferente daquela observada há duas décadas. Mais ativa, independente, presente no mercado de trabalho e preocupada com qualidade de vida, ela tem transformado a forma como encara o envelhecimento e a menopausa. O tema foi destaque no quadro "De Mulher pra Mulher", do Jornal do Meio Dia, com a médica ginecologista Dra. Cláudia Souza.
Segundo a especialista, as mudanças sociais e o aumento da expectativa de vida fizeram surgir uma nova geração de mulheres, mais conscientes sobre saúde e bem-estar.
"Depois de quase 35 anos assistindo à saúde feminina, nunca vimos uma geração de mulheres tão antenadas, buscando qualidade de vida, tão ativas e buscando viver com plenitude", afirmou.
A médica ressaltou que a expectativa de vida da mulher brasileira gira em torno dos 80 anos, o que exige uma atenção especial às décadas vividas após os 50 anos.
"A mulher de 50 anos de hoje não é igual à mulher de 50 anos de 20 anos atrás. Ela trabalha mais, empreende, estuda, faz transição de carreira, investe, viaja, dirige sozinha e busca novos relacionamentos. É uma mulher preocupada com a sua independência e autonomia", explicou.
Durante a entrevista, Dra. Cláudia destacou que a menopausa se tornou um dos principais temas da medicina voltada para a mulher moderna, especialmente porque as transformações demográficas fizeram com que elas passassem uma parcela significativa da vida nessa fase.
"Hoje, a mulher vive em média 80 anos. Um terço da vida dela será na menopausa. Por isso a ciência está com os olhos voltados para essa mulher."
Ela explicou que o acompanhamento médico adequado e a terapia hormonal, quando indicada, podem proporcionar ganhos importantes para a saúde.
"Temos condições de oferecer melhor qualidade de vida, saúde íntima, saúde óssea, cardiovascular e musculoesquelética. Quanto mais cedo essa mulher cuidar dessas questões, melhor será sua menopausa."
A especialista reforçou que o objetivo atual não é apenas aumentar a longevidade, mas garantir que os anos extras sejam vividos com disposição e autonomia.
"A mulher não quer apenas viver mais. Ela quer viver de forma ativa, com energia e qualidade de vida."
Outro ponto abordado foi a relação da mulher contemporânea com a própria imagem. Para a ginecologista, o cuidado com a aparência vai além da estética e está diretamente relacionado à autoestima e à forma como a mulher se posiciona na sociedade.
"A aparência deixou de ser algo fútil. Ela é uma forma legítima de você se manifestar, de ser vista e compreendida pelo mundo."
Segundo ela, a autoconfiança gerada pelo bem-estar físico e emocional impacta diretamente a vida pessoal e profissional.
"Quando a gente cuida da aparência, não é apenas uma questão de negar a idade. É uma questão de autoestima, de saúde e de autoconfiança."
A médica também observou uma mudança significativa na forma como as mulheres encaram a sexualidade após os 50 anos.
"A mulher de antes entendia libido, desejo e prazer com prazo de validade. Hoje, a mulher 50+ compreende que, se está vivendo mais, precisa viver com mais qualidade."
De acordo com ela, a medicina evoluiu para acompanhar essa nova realidade, oferecendo tratamentos e recursos que contribuem para a manutenção da saúde íntima e da vida sexual.
"A medicina teve que se transformar para acompanhar essas mudanças, oferecendo recursos tecnológicos e terapias para que essa mulher consiga viver bem."
Dra. Cláudia fez um alerta para os sinais precoces do climatério, período de transição para a menopausa, que muitas vezes passam despercebidos.
"A maior parte das mulheres associa menopausa apenas aos fogachos, mas muitos sintomas começam de forma silenciosa."
Entre eles, a médica citou falhas de memória, ganho de peso abdominal, fadiga persistente, alterações no sono e infecções urinárias recorrentes.
"Muitas vezes esses sintomas já indicam o declínio hormonal e precisam ser avaliados."
Ela recomendou que as mulheres procurem acompanhamento ginecológico regular antes mesmo da chegada da menopausa.
"A consulta ginecológica não é apenas um check-up. É um acompanhamento contínuo da saúde dessa mulher que precisa manter sua cognição, sua energia e sua capacidade de liderar, trabalhar e empreender."
A especialista concluiu destacando que os avanços da ginecologia regenerativa e estética têm contribuído para melhorar a qualidade de vida feminina em diversas fases da vida.
"O melhor de tudo é ver a paciente satisfeita, com seu problema resolvido e sua qualidade de vida restaurada."