Com cerca de um milhão de casos por ano no Brasil, queimaduras exigem cuidados imediatos e atendimento adequado para evitar infecções e sequelas
O mês de junho marca a campanha Junho Laranja, voltada para a conscientização sobre a prevenção de queimaduras em alusão ao Dia Nacional de Luta contra Queimaduras, celebrado beste sábado, 06 de junho. Durante entrevista ao programa De Olho na Cidade, a especialista em tratamento de feridas Áquilla Chahinne chamou a atenção para os números alarmantes desse tipo de acidente no país e destacou os cuidados necessários para evitar complicações.
Segundo ela, as queimaduras atingem aproximadamente um milhão de brasileiros todos os anos, embora apenas uma parcela procure atendimento especializado.
"Nós temos aproximadamente um milhão de pessoas queimadas por ano no Brasil. Esse número é subnotificado. Em média, mais de 100 mil pessoas procuram atendimento de saúde por causa de queimaduras. Isso significa que muitas acabam fazendo tratamentos caseiros", alertou.

De acordo com Áquilla, as queimaduras térmicas, causadas pelo calor ou frio extremos, são as mais comuns e frequentemente acontecem dentro de casa, especialmente na cozinha. No entanto, ela destaca que outro tipo de acidente tem se tornado cada vez mais frequente.
"Uma grande porcentagem dessas queimaduras ocorre em acidentes domésticos, principalmente na cozinha. Mas hoje também vemos muitos casos relacionados ao escapamento de motocicletas, que causam queimaduras importantes e levam muitas pessoas a procurar tratamento."
A especialista explica que a queimadura de segundo grau é a mais recorrente e pode ser identificada pela formação de bolhas.
"Quando falamos de queimadura de segundo grau, estamos falando daquela queimadura que geralmente forma bolhas e que já compromete a primeira e a segunda camada da pele."
Um dos principais alertas feitos durante a entrevista foi sobre o uso de produtos caseiros após o acidente, prática ainda bastante comum entre a população.
"Café, manteiga, cebola e outros produtos utilizados popularmente não ajudam na cicatrização. Isso é um mito. Esses materiais podem contaminar a ferida e aumentar significativamente o risco de infecção."
Segundo Áquilla, além de retardar a cicatrização, os tratamentos inadequados podem resultar em cicatrizes mais aparentes.
"Uma queimadura de segundo grau pode cicatrizar em cerca de 20 a 30 dias. Quando a pessoa utiliza produtos caseiros, esse processo pode atrasar e aumentar o risco de sequelas."
A especialista orienta que os primeiros minutos após o acidente são fundamentais para reduzir os danos causados pelo calor.
"A primeira medida é colocar a área afetada em água corrente por cerca de 10 a 20 minutos. Também é importante retirar anéis, pulseiras, relógios ou roupas apertadas por causa do inchaço."
Após esse procedimento, a recomendação é proteger o local.
"Cubra a área com um pano limpo ou gaze e procure atendimento médico. Esses são os três passos iniciais para quem sofre uma queimadura."
Outro equívoco bastante comum é acreditar que a queimadura deve ficar exposta ao ar para cicatrizar mais rápido.
"Isso é um mito. Desde a década de 1960 já se sabe que uma ferida mantida em ambiente protegido cicatriza até duas vezes mais rápido do que uma ferida exposta."
Além da demora na cicatrização, a exposição aumenta o risco de contaminação por bactérias, poeira e outros agentes externos.
Áquilla ressalta que nem toda queimadura pode ser tratada apenas em clínicas especializadas. Em alguns casos, o atendimento hospitalar é indispensável.
"Queimaduras extensas, que atingem regiões delicadas como rosto, mãos, períneo ou áreas próximas a tendões, precisam ser avaliadas inicialmente em ambiente hospitalar."
A recomendação também vale para queimaduras elétricas e acidentes envolvendo crianças.
"Crianças com queimaduras devem sempre passar primeiro por avaliação hospitalar, assim como os casos de queimadura elétrica."
Os extremos de idade estão entre os grupos mais vulneráveis às complicações.
"Crianças e idosos necessitam de um acompanhamento muito mais cuidadoso porque apresentam características da pele que podem dificultar a cicatrização e aumentar o risco de sequelas."
Áquilla destacou a importância do atendimento especializado para acelerar a recuperação e minimizar danos permanentes.
"Hoje contamos com curativos avançados e laserterapia, que ajudam a acelerar a cicatrização e oferecem mais conforto ao paciente. Quanto mais cedo a pessoa procura ajuda especializada, maiores são as chances de uma recuperação rápida e segura."
A especialista informou que a clínica Doutor Curativos atende casos de queimaduras, feridas complexas, úlceras relacionadas ao diabetes e atua também na prevenção de lesões em pacientes de risco.
"Não precisa sofrer tentando resolver sozinho. Existem tratamentos modernos que podem fazer toda a diferença na recuperação e na qualidade de vida do paciente."