Especialista explica como a estação influencia a pele, o humor, a menopausa e os hábitos de saúde das mulheres
Com a chegada do período mais frio e chuvoso do ano, muitas pessoas relatam maior cansaço, tristeza, dores no corpo e alterações na pele. Embora o inverno não provoque diretamente o envelhecimento, ele pode intensificar sintomas e hábitos que contribuem para essa sensação. O alerta é da ginecologista Dra. Márcia Suely, que destacou os impactos da estação na saúde feminina.
Segundo a médica, o inverno favorece mudanças no comportamento e na rotina que refletem no bem-estar físico e emocional.
"Existem estudos mostrando que essa estação tende a piorar determinados sintomas e sensações que já acontecem ao longo do ano, mas que no inverno ficam mais evidentes", explicou.

De acordo com a especialista, a pele pode apresentar aspecto mais ressecado e sem brilho durante os meses mais frios, especialmente em regiões de clima seco.
"A pele desidrata mais, a gente bebe menos água e ocorre uma redução da renovação natural da pele, deixando-a mais opaca", afirmou.
Ela também destacou que o aumento do consumo de alimentos mais calóricos e ricos em carboidratos, comum nesta época do ano, pode influenciar negativamente a saúde da pele.
"É muito comum bater aquela vontade de tomar um chocolate quente, comer um bolo ou uma pipoca. Isso também tem impacto na nossa pele."
Apesar disso, a médica ressaltou que o clima mais úmido do Nordeste oferece certa proteção contra o ressecamento excessivo.
"Quem mora no Nordeste normalmente tem uma pele menos ressecada do que quem vive no Sul e Sudeste. Mas hidratação não significa, necessariamente, saúde da pele."
Outro fator importante destacado pela ginecologista é a redução da exposição solar durante o inverno, o que pode diminuir os níveis de vitamina D.
"Quando a gente toma menos sol, fica mais triste, mais reclusa, menos ativa e com mais cansaço, exatamente por causa da falta da vitamina D."
Segundo ela, a vitamina desempenha papel fundamental não apenas na saúde óssea e muscular, mas também no funcionamento do sistema imunológico e no equilíbrio emocional.
"A vitamina D é responsável pela imunidade, pela saúde óssea, muscular e também pelo humor humano."
A médica reforçou ainda que o uso de protetor solar e os cuidados com a hidratação devem ser mantidos durante todo o ano.
Para as mulheres que estão na menopausa, o inverno pode trazer efeitos distintos. Enquanto os fogachos costumam diminuir devido às temperaturas mais baixas, outros sintomas tendem a se intensificar.
"Os calorões geralmente melhoram porque a temperatura cai. Mas dores ósseas, fadiga muscular e cansaço podem piorar bastante nesse período."
Ela explicou que a redução das atividades físicas, a menor exposição ao sol e a diminuição do consumo de proteínas contribuem para esse quadro.
"É muito comum acordar e pensar: 'não tenho vontade nem de sair da cama'. A fadiga realmente aumenta."
A especialista alertou que os cuidados com a saúde não devem ser interrompidos durante os meses frios.
"Não é só no verão que a gente deve cuidar da alimentação ou frequentar a academia. O cuidado com a saúde precisa acontecer em todas as estações."
Ela incentivou as mulheres a manterem uma rotina saudável, mesmo quando a disposição estiver menor.
"Com vontade ou sem vontade, com disposição ou sem disposição, é importante continuar cuidando da saúde."
Durante a entrevista, Dra. Márcia Suely também falou sobre o uso de suplementos. Segundo ela, vitamina D, proteínas, vitamina C e antioxidantes podem ser aliados importantes para a saúde e o envelhecimento saudável, desde que utilizados com orientação profissional.
"Eu costumo dizer às minhas pacientes que a vitamina D é como um comprimido de sol todos os dias."
A médica explicou ainda que o colágeno pode ajudar na qualidade da pele, mas não deve ser visto como solução isolada.
"Colágeno sozinho não melhora a qualidade da pele. É preciso ter outros fatores associados, como vitamina C, minerais e, em alguns casos, acompanhamento hormonal."
Ela também citou antioxidantes como N-acetilcisteína (NAC), resveratrol e coenzima Q10 como substâncias que podem contribuir para o funcionamento celular e a redução dos efeitos do envelhecimento.
Por fim, fez um alerta sobre a automedicação e o uso indiscriminado de suplementos.
"Cada organismo é diferente. Nem todo mundo precisa tomar tudo. O ideal é procurar um profissional para uma avaliação individualizada."
Para a ginecologista, envelhecer bem vai muito além da aparência.
"Envelhecimento não é só pele ou ruga. O verdadeiro cuidado acontece de dentro para fora, preservando a saúde, a massa muscular e a qualidade de vida."