Estratégia de seis meses busca reforçar combate à doença, ampliar recursos e mobilizar comunidades afetadas pela epidemia
A Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciou nesta sexta-feira (5) um plano emergencial de seis meses para enfrentar o surto de Ebola na República Democrática do Congo. A iniciativa, desenvolvida em parceria com os Centros Africanos de Controle e Prevenção de Doenças (CDC África), prevê investimentos de US$ 518 milhões e inclui um apelo à comunidade internacional por mais recursos financeiros e apoio político.
Segundo o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, o êxito das ações depende não apenas do financiamento, mas também da participação ativa das comunidades atingidas. Ele destacou que a resposta ao surto exige esforços coordenados entre governos, organizações de saúde e população local.
Durante a apresentação do plano, representantes do CDC África informaram que a circulação do vírus passou despercebida por várias semanas, o que dificultou a adoção de medidas de contenção e favoreceu a disseminação da doença.
Dados atualizados apontam que o Congo contabiliza 381 casos confirmados e 62 mortes. Com esse cenário, o episódio já é considerado o quarto maior surto de Ebola da história.
O diretor-geral do CDC África, Jean Kaseya, classificou a situação como preocupante e ressaltou que o vírus em circulação pertence à rara cepa Bundibugyo. Segundo ele, este é o surto mais severo já registrado dessa variante, que atualmente não possui vacina ou tratamento aprovados especificamente para seu combate.
Em relação aos recursos disponíveis, o CDC África informou que doadores internacionais prometeram até o momento US$ 315,8 milhões. O montante, porém, está abaixo das estimativas iniciais apresentadas pelas autoridades sanitárias, após a revisão de alguns compromissos financeiros.
O órgão declarou oficialmente o surto da cepa Bundibugyo em 15 de maio, classificando-o como o 17º episódio de Ebola registrado na República Democrática do Congo. Posteriormente, a OMS elevou a situação ao status de emergência de saúde pública de interesse internacional.