O encontro integra o calendário do Novembro Negro
O Centro de Cultura Amélio Amorim foi palco, nesta sexta (07) e sábado (08), da segunda edição do Afro Conecta – Diálogo Cultural, um evento marcado por expressões artísticas, palestras e debates em torno da consciência negra, educação antirracista e valorização da identidade afro-brasileira.
O encontro integra o calendário do Novembro Negro e tem a realização do programa Sociedade e Você, conduzido por Frei Cal, e do Amigos do Evangelho, liderado por Lourdes Rocha.
“Nós estamos realizando a segunda edição do Afro Conecta não só como abertura do movimento Novembro Negro, mas também como a culminância de todo um trabalho feito durante o ano”, destacou Frei Cal, idealizador do projeto. “O objetivo é fortalecer a caminhada de combate ao racismo na nossa realidade, seja em Feira de Santana, na Bahia ou no Brasil. Essa é uma luta de toda a sociedade, porque o racismo é inadmissível e precisa ser combatido por todos”, completou.

A secretária municipal de Administração, Sandra Peggy, também prestigiou o evento e destacou o papel do Afro Conecta na valorização das raízes afrodescendentes.
“Todo evento cultural é importante, mas quando trata da cultura afrodescendente, tem um valor ainda maior. Precisamos estar presentes, apoiar e incentivar iniciativas como essa, que preservam e difundem a nossa história. É um evento que Feira de Santana precisa ter sempre”, afirmou a secretária.
A programação contou com exposições culturais, oficinas temáticas, batalha de poesia (slam), apresentações artísticas e uma palestra da promotora de Justiça do Ministério Público da Bahia, Lívia Sant’ana Vaz, reconhecida internacionalmente como uma das 100 pessoas de ascendência africana mais influentes do mundo.

“É muito importante conhecer a nossa história para mudar a realidade. O Brasil não enfrentou devidamente o passado da escravidão, e isso ainda reflete nas desigualdades sociais, salariais e no encarceramento em massa da população negra”, afirmou a promotora. “Quando esquecemos o passado, ele volta de forma dolorosa. Precisamos compreender o que foi a escravidão e suas consequências para construir uma democracia verdadeira, onde mais da metade da população, que é negra, esteja incluída nos espaços de poder e decisão”, acrescentou.

Lívia Vaz reforçou ainda a importância de espaços que unam arte, emoção e conhecimento.
“As culturas africanas nos ensinam que o saber vem da razão, mas também da emoção, da dança e do corpo. É fundamental termos eventos que reúnam essas formas de expressão e de aprendizado coletivo.”

Entre as apresentações, o músico e educador Zé das Congas encantou o público com a performance A Repercussão do Som, utilizando instrumentos confeccionados com materiais recicláveis.
“É um prazer participar da segunda edição do Afro Conecta. Levo para o palco o trabalho que realizo nas escolas, ensinando alunos a fazer instrumentos com tampas, latas e garrafas. É uma forma de mostrar que a música está próxima de todos nós e que podemos transformar o que temos à mão em arte e aprendizado”, explicou.

“Esse projeto nasceu da resistência do povo preto e hoje ajuda a formar novos músicos, professores e cidadãos conscientes da importância da cultura e do meio ambiente”, completou o artista.
Durante os dois dias de programação, o público participou de debates sobre educação, saúde mental da população negra, igualdade racial, além de apresentações de poesia, dança e música que celebraram a diversidade e a resistência histórica do povo negro.

O evento foi gratuito, com incentivo à doação de alimentos não perecíveis para instituições sociais, reforçando também o caráter solidário e comunitário da iniciativa.



*Com informações do repórter JP Miranda