Supressão de vegetação, invasões de terras e roubo de gado estiveram entre os principais problemas enfrentados pelo setor em 202
O presidente da União Agro Bahia (UNAGRO), Luiz Bahia Neto, avaliou 2025 como um ano desafiador para o agronegócio baiano, mas destacou que a atuação da entidade ao longo do período trouxe resultados concretos para os produtores rurais. Segundo ele, o ano foi marcado por enfrentamento de problemas históricos, fortalecimento institucional e construção de pautas estratégicas para o próximo ciclo.
“Nós tivemos um ano bastante desafiador dentro do cenário do agronegócio, mas também foi um ano em que a UNAGRO esteve muito presente, atuando diretamente na defesa dos produtores”, afirmou.
No início de 2025, a entidade precisou lidar com episódios de invasões de propriedades rurais, especialmente nas regiões de Andaraí e Nova Redenção, na Chapada Diamantina. Luiz Bahia Neto explicou que a UNAGRO se mobilizou rapidamente para apoiar os produtores e buscar soluções dentro da legalidade.
“A maior invasão aconteceu naquela região e nós fomos para lá com mais de 120 carros de produtores, justamente para dar suporte e ajudar no processo de desintrusão da fazenda. A partir do meio do ano, essa questão das invasões foi cessando”, relatou, destacando que houve atuação firme para contribuir com o controle da situação ao longo do primeiro semestre.
Outro problema enfrentado em 2025 foi o aumento dos casos de roubo de gado no Recôncavo Baiano. De acordo com o presidente da UNAGRO, a situação chegou a preocupar produtores pela frequência dos crimes. Diante do cenário, a instituição intensificou a articulação com a Secretaria de Segurança Pública e as forças policiais da região.
“Era praticamente um roubo por semana que acontecia aqui no Recôncavo. Isso gera insegurança, prejuízo e desestimula quem está produzindo. Nós fizemos duas ou três reuniões na Secretaria de Segurança Pública e também reuniões dentro de propriedades rurais, integrando as polícias locais e cobrando investigação”, destacou.
O trabalho resultou, no segundo semestre, na identificação dos envolvidos, apreensões e no fechamento de dois estabelecimentos comerciais em Salvador que recebiam carne proveniente dos furtos.
“A partir dessa operação, nós não tivemos mais registros de roubo de gado nessas regiões, o que foi um resultado muito importante”, afirmou.
Para o próximo ano, Luiz Bahia Neto aponta que um dos principais desafios do setor está relacionado à demora na liberação de autorizações para supressão de vegetação, necessária para o início da produção em áreas regularizadas. Segundo ele, a demanda elevada tem gerado um acúmulo de processos nos órgãos ambientais, impactando diretamente a atividade produtiva.
“O produtor que age dentro da lei precisa da autorização para produzir. Quando essa liberação não acontece, a propriedade deixa de cumprir sua função social”, explicou.
O tema tem sido tratado de forma articulada pela UNAGRO junto à Federação da Agricultura e Pecuária do Estado da Bahia (FAEB) e outras entidades do setor. A proposta, segundo o presidente, é buscar soluções que garantam agilidade nos processos, sem abrir mão da preservação ambiental e da legalidade.
Além das pautas institucionais, a UNAGRO manteve em 2025 o compromisso com a formação e o acesso à informação. No início de setembro, a entidade realizou um grande evento voltado ao agronegócio, reunindo cerca de 500 a 600 produtores rurais, com o objetivo de promover conhecimento técnico e ampliar o diálogo com a sociedade sobre a importância do setor.
“O nosso papel é levar informação ao produtor e mostrar à sociedade o peso do agronegócio na economia, na geração de emprego e no desenvolvimento regional”, destacou.
Ao avaliar o ano, Luiz Bahia Neto afirmou que a UNAGRO encerra 2025 fortalecida institucionalmente e com pautas bem definidas para 2026, apostando no diálogo, na articulação e na construção de soluções para os desafios do campo na Bahia.