Derrota para o Fortaleza confirmou a queda do Coelho, que não conseguiu se recuperar após campanhas irregulares e problemas fora de campo
O América-MG viveu, em poucos anos, uma transformação radical em sua trajetória no futebol brasileiro. Depois de disputar a Libertadores e alcançar campanhas de destaque em competições nacionais e internacionais, o clube agora terá que disputar a Série C do Campeonato Brasileiro. O rebaixamento foi confirmado nesta quarta-feira (7), após a derrota por 1 a 0 para o Fortaleza, no Independência, pela 32ª rodada da Série B.
A situação já não podia mais ser revertida matematicamente. Com apenas seis rodadas restantes, o América permaneceu com 17 pontos, na 19ª colocação. O Botafogo-SP, primeiro time fora da zona de rebaixamento, tem 38 pontos, enquanto apenas 18 ainda poderiam ser conquistados pelo Coelho.
O resultado negativo começou a ser construído logo no início da partida. Aos três minutos do primeiro tempo, Lucas Sasha marcou o único gol do confronto e deixou o América sem margem para reagir na luta contra a queda.
O cenário atual contrasta com o período de maior projeção recente do clube. Em 2022, o América disputou a Copa Libertadores pela primeira vez e avançou às fases preliminares após eliminar Guaraní, do Paraguai, e Barcelona, do Equador. Na mesma temporada, chegou às quartas de final da Copa do Brasil e assegurou vaga na Copa Sul-Americana do ano seguinte.
A ascensão também colocou jogadores do clube no radar da Seleção Brasileira. Em 2023, o lateral-direito Arthur foi convocado para defender o Brasil.
A sequência, entretanto, tomou outro rumo. O América deixou a Série A em 2023, quando terminou o Brasileirão na última posição. De volta à Série B, a equipe não conseguiu disputar o acesso nas temporadas seguintes: foi oitava em 2024 e terminou 2025 em 14º, apenas seis pontos acima da zona de descenso.
Em 2026, a crise esportiva se aprofundou. O time passou por cinco treinadores e permaneceu entre os quatro últimos colocados da Série B desde a segunda rodada, sem conseguir construir uma reação suficiente para escapar da parte inferior da tabela.
Fora das quatro linhas, o clube também enfrentou dificuldades. O processo de estruturação da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) encontrou obstáculos, enquanto uma proposta de investimento analisada pelo Conselho Deliberativo acabou rejeitada. Mais recentemente, o América foi alvo de um transfer ban preventivo e parcial relacionado às regras de fair play financeiro.
A confirmação da queda provocou manifestações de torcedores no Independência. Durante os protestos, parte da torcida utilizou uma marcha fúnebre para demonstrar insatisfação com a situação do clube.
Com o rebaixamento confirmado, o América-MG terá pela frente a reconstrução do projeto esportivo para tentar retornar à Série B e, posteriormente, voltar ao caminho que havia levado o clube a disputar a principal competição continental.
*Com informações Bahia Notícias