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Apneia do sono aumenta risco de infarto e AVC; especialista explica sinais e tratamentos

Cirurgião bucomaxilofacial Thiago Leite alerta para impactos da apneia obstrutiva do sono e destaca que casos moderados e graves podem exigir cirurgia ortognática

Victória SilvaRedação: Victória Silva
terça-feira, 26 de maio de 2026 às 08:53
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Roncar não é apenas um incômodo para quem divide o quarto ou a casa. O hábito, muitas vezes tratado como algo comum, pode esconder um problema sério de saúde: a apneia obstrutiva do sono. O tema foi abordado pelo cirurgião bucomaxilofacial Dr. Thiago Leite durante entrevista ao programa Jornal do Meio Dia da Rádio Princesa FM e o programa De Olho na Cidade da Rádio Sociedade News, onde ele explicou sintomas, riscos e formas de tratamento da condição, que afeta milhares de brasileiros.

Segundo o especialista, a apneia do sono acontece quando há uma interrupção temporária da respiração durante o sono, causada pelo bloqueio da passagem de ar.

“A apneia é uma interrupção do fluxo de ar. Durante o sono, ocorre uma obstrução da via aérea por uma questão mecânica. Quando o paciente relaxa, a musculatura da língua acaba indo um pouco para trás e obstruindo a passagem do ar na região da garganta”, explicou o médico.

Ele esclareceu ainda que o ronco é um dos principais sinais do problema.

“O ronco nada mais é do que o ar passando em uma região estreita. Esse ar passa com dificuldade, a oxigenação do sangue vai caindo e o paciente acorda várias vezes para respirar, muitas vezes sem perceber”, afirmou.

Casos leves podem passar despercebidos

Dr. Thiago destacou que muitas pessoas convivem com a apneia sem diagnóstico, principalmente nos casos considerados leves.

“Na grande maioria, esses pacientes têm apneias leves, que variam de cinco a quinze interrupções respiratórias por hora. Muitas vezes o ronco incomoda mais o companheiro do que o próprio paciente”, disse.

Já nos quadros moderados e graves, os sintomas costumam impactar diretamente a rotina e a qualidade de vida.

“Quando o paciente tem mais de 30 interrupções por hora, ele dorme mal, passa o dia cansado, sonolento, cochila no trânsito, na recepção de consultas médicas e fica extremamente irritado. Isso mexe com toda a vida do paciente”, alertou.

O especialista também chamou atenção para alterações hormonais associadas ao problema.

“Esses pacientes apresentam queda significativa da testosterona, aumento da gordura abdominal e da gordura no pescoço”, acrescentou.

Apneia aumenta risco de infarto, AVC e morte súbita

Questionado sobre as consequências da apneia não tratada, Dr. Thiago afirmou que os impactos podem ser severos.

“As consequências são as piores possíveis. Vai desde irritabilidade até risco de morte súbita, aumento da pressão arterial, desenvolvimento de diabetes e doenças cardiovasculares”, afirmou.

Ele ressaltou que a literatura médica já demonstra relação direta entre a apneia obstrutiva do sono e problemas cardíacos.

“Pacientes com apneia têm muito mais risco de infarto agudo do miocárdio, AVC, morte súbita e alterações na pressão arterial. Toda a fisiologia do paciente é comprometida pelo não dormir bem”, destacou.

Outro sintoma frequentemente relatado pelos pacientes, segundo ele, é a perda de memória.

“O cérebro precisa de oxigênio. Se o paciente não oxigena bem durante o sono, ele fica fadigado, irritado e muitos relatam redução da memória, esquecimentos constantes”, explicou.

Insônia e apneia são problemas diferentes

Apesar de ambos serem distúrbios do sono, o médico esclareceu que apneia e insônia não têm ligação direta.

“São situações distintas. A insônia geralmente está relacionada à ansiedade, depressão, rotina intensa e falta de higiene do sono, como uso de celular e televisão antes de dormir. Já a apneia é uma interrupção mecânica do ar durante o sono”, pontuou.

Segundo ele, um sinal clássico da apneia é quando o paciente ronca intensamente e, de repente, faz um ruído mais forte.

“Aquela zoada grande é justamente o momento em que ele acorda para respirar e desobstruir a via aérea”, explicou.

Exame do sono é essencial para diagnóstico

Para quem ronca há anos e acredita que isso seja normal, Dr. Thiago orienta a realização da polissonografia, exame responsável por avaliar a qualidade do sono e identificar possíveis distúrbios respiratórios.

“O paciente dorme na clínica, todo monitorizado, e o exame mostra se ele tem apneia, o quanto ronca e o quanto a oxigenação do sangue cai durante a noite”, explicou.

Cirurgia pode curar casos moderados e graves

Nos casos moderados e graves, o tratamento pode envolver cirurgia ortognática, considerada pelo especialista como a única alternativa capaz de curar a apneia obstrutiva do sono.

“A cirurgia ortognática consiste no avanço da maxila e da mandíbula, criando mais espaço para a passagem do ar. É o único tratamento que cura efetivamente a apneia obstrutiva do sono”, afirmou.

De acordo com ele, o procedimento dura cerca de duas horas, é realizado em ambiente hospitalar e possui cobertura obrigatória pelos planos de saúde.

“A cirurgia é feita no hospital, o paciente geralmente recebe alta em 24 horas e passa por um pós-operatório de aproximadamente 45 dias, com alimentação mais líquida e pastosa”, explicou.

Apesar da recuperação exigir cuidados, o médico garante que os resultados costumam ser positivos.

“Todo paciente que realiza cirurgia ortognática para tratamento da apneia fica extremamente satisfeito. O paciente para de roncar, volta a dormir bem e isso muda a vida dele e da família”, afirmou.

Alternativas sem cirurgia ajudam, mas não curam

Além do tratamento cirúrgico, existem alternativas para reduzir os impactos da apneia, como o uso do CPAP — aparelho que fornece ar sob pressão durante o sono — e aparelhos intraorais que projetam a mandíbula para frente.

“O CPAP e o aparelho intraoral ajudam bastante, melhoram a qualidade do sono, mas não curam a apneia. A cirurgia ortognática ainda é o único tratamento definitivo”, destacou.

O especialista informou ainda que o procedimento pode ser realizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em Salvador, no Hospital Santo Antônio, das Obras Sociais Irmã Dulce, e que a expectativa é de ampliação do serviço em Feira de Santana, no Hospital Geral Clériston Andrade.

“Atualmente, em Feira ainda não está sendo realizado pelo SUS, mas em breve isso deve acontecer”, concluiu.

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