19/08/2026
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Arthur Cabral é expulso após aplicar gesto da “Lei Vini Jr.” em discussão com Jair Ventura

Atacante do Botafogo recebeu cartão vermelho depois de levar a mão à boca durante um desentendimento com o técnico do Vitória; episódio marcou a primeira aplicação da nova regra no Brasileirão

Victória SilvaRedação: Victória Silva
segunda-feira, 17 de agosto de 2026 às 09:19
Imagem de Arthur Cabral é expulso após aplicar gesto da “Lei Vini Jr.” em discussão com Jair Ventura
Foto: Camile Campos / bahia.ba

O duelo entre Vitória e Botafogo, vencido pelo Leão por 1 a 0 neste domingo (16), no Barradão, terminou com um episódio que entrou para a história do Campeonato Brasileiro. Após o encerramento da partida, o atacante Arthur Cabral foi expulso por causa de um gesto previsto nas novas normas de arbitragem, conhecidas como “Lei Vini Jr.”.

A punição ocorreu durante uma discussão entre o jogador e o técnico Jair Ventura. Enquanto conversava de forma acalorada com o treinador rubro-negro, Arthur colocou a mão sobre a boca. A arbitragem interpretou o movimento como uma infração prevista na nova orientação e mostrou o cartão vermelho ao atleta.

Foi a primeira vez que um jogador recebeu expulsão no Brasileirão por esse motivo desde a adoção da determinação.

Discussão começou nos minutos finais

O desentendimento teve origem ainda nos acréscimos. Em uma jogada próxima à área técnica, Santi Rodríguez tentou colocar a bola em jogo pela lateral, mas acabou mandando para fora. Jair Ventura fez um movimento em direção à bola, semelhante a uma tentativa de cabeceá-la, o que gerou reclamação de Arthur Cabral.

Apesar de a partida ter continuado normalmente, o clima permaneceu tenso. Depois do apito final, o atacante voltou a abordar o treinador para reclamar da situação.

Durante a discussão, Arthur levou a mão à boca. O gesto chamou a atenção da arbitragem, que aplicou a nova regra e expulsou o centroavante. O jogador deixou o campo demonstrando insatisfação com a decisão.

Jair Ventura se manifesta sobre o episódio

Após a partida, Jair Ventura comentou a confusão e negou que tenha tido a intenção de desrespeitar o Botafogo. O treinador aproveitou para destacar sua ligação com o clube carioca, onde iniciou sua trajetória profissional e permaneceu por cerca de uma década.

“Quem não sabe, eu sou formado no Botafogo, tenho 10 anos lá. Cheguei como estagiário e saí com 99 jogos. Tenho um carinho gigante e jamais desrespeitei nenhuma instituição, principalmente onde fui criado”, afirmou.

Jair também explicou sua versão sobre o lance que provocou as reclamações. Segundo o técnico, o movimento para alcançar a bola não teve como objetivo provocar os adversários. Mesmo assim, ele pediu desculpas caso a atitude tenha sido entendida de outra maneira.

“Aquele lance que eu pulei na bola e não peguei a bola eu não acho falta de respeito, mas se Marçal e os outros jogadores acharam falta de respeito, eu peço desculpas”, declarou.

O treinador ainda relatou que a situação se estendeu após o apito final, quando Arthur Cabral voltou a procurá-lo para reclamar do episódio ocorrido durante os acréscimos.

Entenda a nova determinação

A chamada “Lei Vini Jr.” está relacionada a alterações na Regra 12, que trata de faltas e comportamentos considerados inadequados durante as partidas.

Uma das mudanças permite que o árbitro puna com cartão vermelho o atleta que cobrir deliberadamente a boca durante uma discussão ou confronto. A medida busca evitar que jogadores utilizem o gesto para esconder possíveis ofensas ou provocações.

Com a nova interpretação, a arbitragem pode aplicar a punição pelo próprio comportamento, sem precisar comprovar exatamente quais palavras foram utilizadas na conversa.

Vitória já havia questionado aplicação durante a temporada

O episódio ganhou um significado ainda maior porque o próprio Vitória havia se manifestado contra a entrada imediata das novas regras em vigor. Antes da implementação, o clube baiano, juntamente com o Grêmio, defendeu que as mudanças fossem adotadas somente na temporada seguinte.

O presidente rubro-negro, Fábio Mota, afirmou anteriormente que concordava com as medidas, mas considerava inadequado alterar as regras durante o andamento do campeonato.

Na ocasião, o dirigente também questionou a interpretação automática do gesto de levar a mão à boca, argumentando que nem sempre a atitude estaria relacionada a uma ofensa ou comportamento discriminatório.

A primeira aplicação da regra justamente em uma partida do Vitória acabou dando um destaque ainda maior ao posicionamento adotado pelo clube antes da mudança.

*Com informações Bahia Notícias

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