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Audiência Pública debate condições de trabalho dos motoentregadores de aplicativo em Feira de Santana

Profissionais relatam insegurança, baixa remuneração e falta de apoio durante audiência na Câmara Municipal.

Por Rafa
quinta-feira, 04 de dezembro de 2025
Foto: Isabel Bomfim
Foto: Foto: Isabel Bomfim

A Câmara Municipal de Feira de Santana realizou, nesta quinta-feira (4), uma audiência pública para debater as condições de trabalho dos motoentregadores de aplicativo. A iniciativa, proposta pelo vereador Pedro Américo (Cidadania), reuniu representantes da categoria, autoridades e membros da sociedade civil, e abriu espaço para um debate direto sobre os desafios enfrentados diariamente por esses profissionais.

Pedro Américo destacou a invisibilidade social dos motoentregadores e defendeu maior atenção do poder público e da sociedade.

Foto: Isabel Bomfim

“Quero que Feira de Santana pare e reflita sobre os motoentregadores, mototaxistas e moto-ubes que servem à população todos os dias. Enquanto o dono do restaurante está no conforto do seu trabalho e o cliente espera em casa, é esse profissional que faz o trajeto. Eles são, muitas vezes, invisíveis, e a dor e o sofrimento precisam ser respeitados,” afirmou.

O vereador também criticou as condições precárias enfrentadas durante as jornadas.

“Eles estão nas ruas sob sol, chuva, noite e dia. Se abrigam embaixo de árvores, marquises, e muitos restaurantes chegam a impedir o entregador de usar o banheiro. Isso é inaceitável. Precisamos discutir dignidade,” disse.

Celso Santos, representante do grupo Profissão Perigo, que reúne motoentregadores da cidade, descreveu uma rotina marcada por insegurança, falta de estrutura e ausência de ações concretas do poder público.

“Nossa maior dificuldade é a segurança. São buracos, falta de iluminação e constantes tentativas de assalto. Ontem mesmo um colega sofreu tentativa de assalto no Papagaio, porque teve que reduzir a velocidade por causa dos buracos, e os ladrões saíram do mato,” relatou.

Ele estima que Feira de Santana tenha cerca de mil motoentregadores, número que ultrapassaria cinco mil quando somados todos os que atuam em aplicativos ou como motoboys independentes.

Outro ponto debatido foi a remuneração. Representantes cobraram apoio à PL que tramita em Brasília, que estabelece taxa mínima de R$ 10 por entrega e R$ 2,50 por quilômetro rodado.

“Hoje as empresas não pagam imposto nenhum à Prefeitura. O cliente paga R$ 15, R$ 20 de taxa, e passam para a gente metade ou menos disso”, criticou Celso.

A falta de assistência adequada em caso de acidentes também foi denunciada: “É uma burocracia enorme para conseguir auxílio. A empresa só aceita laudo médico com assinatura do diretor do hospital. Tem colega que teve que contratar advogado. Um amigo ficou cego de um olho e a empresa pagou trinta mil, quando prometia cem mil. Só prometem, mas não entregam,” afirmou.

Durante a audiência, entregadores defenderam maior fiscalização no trânsito e leis que punam motoristas flagrados usando celular, uma das principais causas de acidentes.

“Muitos acidentes não acontecem por culpa do motoboy. Teve um caso de um colega que morreu perto do Atacadão porque a motorista estava no celular. Precisamos de fiscalização dura, porque só promessa não resolve,” disse Celso.

Pedro Américo avaliou o encontro como necessário para enfrentar a realidade da categoria.

“Hoje ouvimos relatos que não podem ser ignorados. A categoria precisa ser vista, respeitada e protegida. Vamos transformar essas falas em ações concretas,” afirmou o vereador.

*Com informações da repórter Isabel Bomfim

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