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Audiência pública reforça ações de enfrentamento à violência contra mulheres em Feira

O encontro reuniu autoridades, representantes de movimentos sociais e cidadãos

Por Rafa
quinta-feira, 27 de novembro de 2025
Foto: Isabel Bomfim
Foto: Foto: Isabel Bomfim

A Câmara Municipal de Feira de Santana sediou, nesta quinta-feira (27), uma audiência pública alusiva aos 21 Dias de Ativismo Pelo Fim da Violência Contra as Mulheres e à Mobilização Internacional de Enfrentamento à Violência Contra a Mulher. O encontro reuniu autoridades, representantes de movimentos sociais e cidadãos para discutir dados e propor ações de combate às diversas formas de violência que atingem, especialmente, mulheres negras e moradoras de áreas rurais.

A titular da Secretaria Municipal da Mulher, Neinha Bastos, destacou que a audiência busca ampliar o conhecimento da sociedade sobre a realidade enfrentada por milhares de mulheres.

Foto: Isabel Bomfim

“Estamos aqui hoje para mostrar o índice de violência contra a mulher e trazer mais pra sociedade o conhecimento de onde essa violência acontece. Principalmente as mulheres negras e rurais sofrem violência em todos os sentidos, inclusive psicológica. Elas precisam ser amadas, cuidadas e valorizadas”, afirmou.

Neinha ressaltou o trabalho prestado pela Secretaria da Mulher por meio de assistência multiprofissional, garantindo acolhimento e acompanhamento das vítimas.

“Temos psicólogas, advogados e assistentes sociais, porque cada mulher precisa de cuidados específicos. Existe o Centro de Referência Maria Quitéria, que acompanha essas mulheres, pois a violência adoece psicologicamente. Elas têm medo de tudo, sofrem violência física, sexual, patrimonial”, explicou.

Ela citou ainda o caso recente de uma adolescente vítima de feminicídio na cidade, lembrando que a mobilização social contribuiu para que o acusado fosse localizado:

“Uma mãe perdeu uma filha de quinze anos e hoje ela levantou a voz para salvar outras adolescentes. Um mês depois de uma audiência pública aqui na Câmara, esse homem foi preso. Estamos na luta para combater uma violência que tem matado milhares de mulheres.”

A secretária reforçou os canais de atendimento disponíveis.

“A Secretaria da Mulher fica na Rua Castro Alves, nº 894, Centro. A mulher que sofre violência pode ligar 180 ou chamar a Ronda Maria da Penha. Trabalhamos em rede com a delegacia e demais órgãos. Se precisar, é urgência: disque 180.”

A presidenta da Associação de Pesquisadores Negros da Bahia, Dra. Sandra Maria, palestrante do evento, apresentou dados sobre a violência de gênero no Brasil.

Foto: Isabel Bomfim

“O Brasil é o quinto no mundo em violência contra a mulher. É algo inaceitável. Quando damos o recorte racial, os dados são exponencialmente maiores. As mulheres negras correspondem a 62% da população feminina afetada pela violência.”

Ela destacou que aspectos históricos e estruturais do país explicam a desigualdade:

“Temos um processo de construção colonialista que exclui mais da metade da nossa população. Mulheres negras são 28% da população brasileira, mas quando pensamos em espaços de poder, acesso à educação e atendimento na saúde, elas ainda são as que estão em piores condições.”

Entre as violências mais recorrentes, Dra. Sandra chamou atenção para a violência obstétrica e a violência digital, que tem crescido entre jovens.

“Meninas negras de 15 a 19 anos são as que mais sofrem violência dos seus jovens parceiros. Temos muitas questões para dar conta.”

Foto: Isabel Bomfim

A palestrante defendeu o fortalecimento de políticas públicas e mais representatividade.

“Precisamos de mulheres negras em espaços de poder, que reconheçam nossa realidade e possam propor mudanças.”

Ela lembrou ainda iniciativas recentes da instituição:“De 3 a 7 de novembro fizemos um congresso de pesquisadores negros na UNEB, discutindo esses dados e trazendo informação para subsidiar políticas públicas que realmente atendam às nossas necessidades.”

O evento integra uma agenda que chama a atenção para o enfrentamento à violência contra as mulheres, um problema que permanece grave e exige ação contínua.

“Os 21 dias de ativismo são um marco para refletirmos. O que tem sido feito até aqui não dá conta”, ressaltou a pesquisadora.

*Com informações da repórter Isabel Bomfim

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