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Bahia bate recorde em transplantes, mas desinformação ainda limita doação de órgãos

Bahia registra crescimento histórico nos transplantes, mas ainda enfrenta resistência familiar e falta de informação sobre o processo

Redação:
terça-feira, 05 de maio de 2026 às 10:13
Imagem de Bahia bate recorde em transplantes, mas desinformação ainda limita doação de órgãos

O avanço nos transplantes de órgãos na Bahia tem refletido diretamente na ampliação das chances de vida para milhares de pacientes. Em 2025, o estado alcançou a marca de 1.384 procedimentos realizados, um crescimento de 33% em relação ao ano anterior e o 11º ano consecutivo de aumento, segundo dados da Secretaria da Saúde do Estado (Sesab). Apesar dos números positivos, especialistas alertam que a desinformação ainda é um dos principais entraves para a doação de órgãos no Brasil.

Coordenador do Serviço de Nefrologia e Transplante Renal da Santa Casa de Feira de Santana, o médico Gilberto Vaccarezza destaca que o transplante é uma alternativa essencial quando todas as outras formas de tratamento já se esgotaram.

“Transplante é uma terapia, é mais um tratamento, quando você tem a falência de algum órgão. Quando os remédios e os aparelhos já não funcionam mais, é feito o transplante de órgão”, explica.

Segundo o especialista, o procedimento representa, muitas vezes, a única chance de sobrevivência. “O transplante é fundamental para a vida das pessoas porque ele faz a substituição de um órgão que parou de funcionar”, afirma.

Processo começa com a doação

Para que o transplante aconteça, é necessário um doador, geralmente uma pessoa com diagnóstico de morte encefálica, quando há perda irreversível das funções cerebrais, mesmo com o coração ainda batendo.

“São pessoas que tiveram morte cerebral. O coração continua batendo, mas o cérebro já não tem mais atividade. Isso permite a retirada de órgãos para salvar outras vidas”, detalha.

Ele ressalta que o processo envolve uma série de etapas rigorosas e começa ainda na identificação do possível doador.

“A captação se inicia quando se identifica a morte cerebral, conversa com a família e avalia se há condições para a doação. É um processo sério, estruturado e regulamentado por lei”, pontua.

O médico reforça que não há escolha pessoal na destinação dos órgãos. A distribuição segue critérios técnicos definidos nacionalmente.

“Existe uma lista única no Brasil. Não é escolha. O que define é compatibilidade sanguínea e genética. É um processo totalmente transparente e justo”, afirma.

Atualmente, a Bahia possui 3.809 pessoas na fila de espera por um transplante, sendo a maior demanda por rim, com mais de 2 mil pacientes aguardando.

Desinformação ainda é obstáculo

Apesar da estrutura consolidada e do crescimento nos procedimentos, o especialista chama atenção para o impacto negativo das fake news no processo de doação.

“O grande problema hoje é a desinformação. Existem muitas informações falsas dizendo que órgãos são vendidos ou retirados de pessoas vivas, o que não é verdade”, alerta.

Ele destaca que esse cenário acaba dificultando a autorização familiar, que é obrigatória por lei.

“É um momento muito delicado, de dor, e muitas famílias têm dificuldade de compreender o processo, seja pelo luto ou pela falta de informação”, diz.

No Brasil, não é necessário deixar a decisão registrada em documento. Basta comunicar à família o desejo de ser doador, já que a autorização só pode ser feita por parentes de primeiro grau.

Dr. Gilberto enfatiza que uma única doação pode beneficiar diversas pessoas.

“Mesmo sendo um momento de dor, aquela pessoa tem a capacidade de salvar várias vidas. Dependendo do caso, são duas, três, quatro ou até mais pessoas beneficiadas”, destaca.

Ele também chama atenção para a complexidade da operação, que envolve uma grande estrutura logística e humana.

“É um processo que envolve de 100 a 200 pessoas, com equipes médicas, transporte, centrais de transplante e profissionais especializados. Não é simples, mas é extremamente necessário”, explica.

Importância da conscientização

Diante desse cenário, o médico reforça o papel da informação como ferramenta essencial para ampliar a doação de órgãos.

“É fundamental que a população entenda como o processo funciona. A informação correta ajuda a salvar vidas”, conclui.

*Com informações do repórter JP Miranda

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