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COP 304 min de leitura

Brasil vive transição definitiva para renováveis, avalia especialista durante a COP30

Engenheiro da Brahma Kumaris aponta avanços, gargalos e soluções para a energia solar no Brasil

Por Rafa
quarta-feira, 19 de novembro de 2025

Durante a programação da COP30, em Belém do Pará, o engenheiro elétrico Francis Coviello, representante da Iniciativa Ambiental da Brahma Kumaris no Brasil, falou sobre os avanços e desafios da energia solar no país e sobre a necessidade de cada cidadão contribuir para uma transição energética mais sustentável.

Com atuação na gestão de projetos de energia renovável, Coviello tem trabalhado especialmente na expansão da energia solar fotovoltaica em diversas regiões do Brasil. Ele também integra práticas de sustentabilidade com meditação Raja Yoga, disciplina que estuda desde 2014, e que, segundo afirma, reforça sua visão de um mundo mais equilibrado e conectado.

“É muito importante que todos façam parte desse movimento, seja nas nossas casas, nos bairros ou nas cidades”, afirmou Francis.

Ao comentar sobre o potencial da energia solar no país, Francis destacou que o Brasil vive um processo definitivo de transição para fontes renováveis. Segundo ele, a energia solar se tornou uma das principais vias para reduzir a dependência de combustíveis fósseis.

“A humanidade nunca consumiu tanta energia quanto agora e a forma como produzimos energia tem um impacto direto no clima”, afirmou. Para ele, o Brasil tem vantagens importantes: irradiação solar privilegiada, quedas nos custos de instalação e retorno financeiro mais rápido.

Ele explicou que hoje o país já produz mais energia do que consegue distribuir em alguns horários, especialmente por falta de infraestrutura adequada para escoar a energia das grandes usinas solares, concentradas no Nordeste e Centro-Oeste.

“Há momentos em que usinas precisam ser desligadas porque não há como transmitir essa energia para o Sudeste e o Sul. É um desafio técnico urgente, que o governo e a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) têm discutido.”

Geração própria e baterias: o próximo passo

Francis ressaltou que, enquanto os ajustes estruturais não avançam, os consumidores podem reduzir a dependência da rede pública investindo em geração própria.

“Instalar energia solar em casa ou no trabalho já é possível, acessível e traz retorno em 2 a 3 anos. É uma alternativa real para diminuir emissões e aliviar a demanda sobre o sistema nacional”, explicou.

Ele destacou que a próxima etapa da evolução é o armazenamento por baterias, que permitiria aos consumidores usar a própria energia gerada sem depender da rede. Porém, lembra que ainda há desafios ambientais na produção de baterias, como o uso de lítio e a dificuldade de reciclagem.

Francis também comentou o impacto futuro dos carros elétricos.

“A indústria automotiva já se prepara para essa transição, mas ela exige planejamento. A matriz energética precisa suportar essa nova demanda, que hoje é atendida principalmente por combustíveis fósseis.”

Segundo ele, diversas cidades brasileiras já adotam incentivos como descontos no IPTU para imóveis que implementam energia solar, biodigestores ou sistemas de captação de água da chuva.

“Precisamos conciliar economia, impacto social e sustentabilidade. Esse tripé é fundamental para o futuro do país”, afirmou.

Avaliação da COP30

Francis também destacou a importância histórica da COP30 na Amazônia.

“Muito ainda precisa ser feito, mas é hora de agir. Estamos interconectados, e ver sociedade civil, governos e organizações reunidos aqui mostra que o movimento não tem mais volta”, concluiu.

*Com informações de Jorge Biancchi, direto da COP 30 em Belém

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