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Câmara de Feira de Santana realiza audiência pública sobre violência contra crianças e adolescentes nas escolas

A iniciativa reuniu autoridades, educadores e representantes de órgãos de proteção à infância e adolescência.

Por Rafa
quinta-feira, 13 de novembro de 2025
Foto: JP Miranda
Foto: Foto: JP Miranda

A Câmara Municipal de Feira de Santana promoveu, na manhã desta quinta-feira (13), uma audiência pública da Comissão de Educação e Cultura para debater a violência contra crianças e adolescentes no espaço escolar. A iniciativa, requerida pelo vereador Ivamberg Lima, reuniu autoridades, educadores e representantes de órgãos de proteção à infância e adolescência.

A titular da Delegacia para o Adolescente Infrator (DAI), delegada Clécia Vasconcelos, destacou a importância de fortalecer a rede de proteção.

Foto: JP Miranda

“Primeiro, quero parabenizar os vereadores por essa proposição. É preciso edificar de forma eficaz a rede de proteção à criança e ao adolescente. A rede da mulher já foi estruturada, presta um bom serviço. Agora, precisamos voltar o olhar para a infância e juventude”, afirmou.

Ela chamou atenção para dados alarmantes, como o número de meninas menores de 14 anos que engravidaram nos últimos anos.

“Recentemente, foi divulgada uma matéria mostrando que, nos últimos cinco anos, seis mil meninas menores de 14 anos engravidaram Além disso, temos adolescentes morrendo com envolvimento no tráfico. O adolescente infrator também precisa de cuidado, assim como o adolescente vítima”, pontuou.

A delegada ressaltou ainda que a violência doméstica e a desestrutura familiar têm reflexo direto nas escolas.

“Quando falamos em violência doméstica, geralmente pensamos na mulher. Mas crianças e adolescentes vivem em ambientes violentos, e isso repercute no ambiente escolar. Pais perderam autoridade, e os professores acabam sendo as novas vítimas desse ciclo. A violência nas escolas chegou a um patamar insuportável”, avaliou.

Para ela, a solução passa pela atuação conjunta de todos os órgãos.

“O caminho é a atuação em rede. Ministério Público, delegacias, secretarias, Conselho Tutelar e sociedade precisam assumir verdadeiramente seu papel. Falta sincronia entre as ações, e sem isso, a resposta será sempre insuficiente”, disse.

Dra. Clécia citou casos que exemplificam a vulnerabilidade de muitos jovens.

“Ontem mesmo estive em uma escola onde um adolescente, apontado como indisciplinado, tem uma história marcada pela violência: viu os avós serem mortos, foi abandonado pelos pais e hoje vive com uma tia sem estrutura emocional. Se o Estado não o acolhe, o tráfico acolhe”, relatou.

O deputado federal Zé Neto também participou da audiência e elogiou a iniciativa.

Foto: JP Miranda

“Essa audiência é extremamente importante. Vivemos em uma sociedade que deveria estar mais avançada, com mais tecnologia e informação, mas, paradoxalmente, está mais violenta. Precisamos discutir esses temas para cobrar dos poderes públicos políticas efetivas”, afirmou.

Zé Neto reforçou a importância da integração entre os órgãos e destacou o trabalho da delegada Clécia Vasconcelos.

“Não tenho dúvida de que Clécia fará um trabalho extraordinário, assim como fez na Delegacia da Mulher. Ela entende de soluções e é uma guerreira do bem. Feira pode se tornar referência nesse combate”, disse o parlamentar.

Ele também abordou a questão racial no contexto da violência.

“Com a chegada do 20 de novembro, é preciso lembrar que a violência recai, sobretudo, sobre crianças e adolescentes negros. A herança da escravidão ainda pesa sobre as periferias. Precisamos tratar desigualmente os desiguais e fortalecer políticas públicas que corrijam essas distorções”, concluiu.

*Com informações da repórter Isabel Bomfim

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