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Caminhada do Perdão ganha significado especial em meio a conflitos globais, diz arcebispo

Em clima de tensão mundial, arcebispo de Feira destaca perdão e reconciliação como caminho para a paz

Por Rafa
domingo, 01 de março de 2026
Imagem de Caminhada do Perdão ganha significado especial em meio a conflitos globais, diz arcebispo

Às vésperas da tradicional Caminhada do Perdão, realizada neste domingo (1º), o arcebispo de Feira de Santana, Dom Zanoni Demettino Castro, manifestou preocupação com a escalada de violência no cenário internacional e convocou os fiéis à oração e à busca pela paz.

O posicionamento ocorre em meio ao agravamento do conflito no Oriente Médio. Um ataque coordenado dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, no sábado (28), deixou 201 mortos e 747 feridos, segundo informações divulgadas pela imprensa iraniana com base em dados da rede humanitária Crescente Vermelho. Em resposta, o Irã lançou mísseis contra Israel e atacou bases americanas na região.

O governo iraniano confirmou ainda a morte do líder supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei, que comandou o Irã por quase quatro décadas. A situação provocou o fechamento do Estreito de Ormuz, suspensão de voos no Oriente Médio e aumento da tensão global.

“Armas nunca levam a um bom destino”

Questionado sobre o momento de tensão mundial, Dom Zanoni lamentou os conflitos e destacou que a Caminhada do Perdão, realizada no segundo domingo da Quaresma e já consolidada como tradição em Feira de Santana, é um gesto concreto em favor da paz.

“Lamentamos muito os últimos acontecimentos, as guerras, o ódio que se avoluma. Por essa razão, a nossa Caminhada do Perdão aponta para a paz. A paz fruto da partilha, da justiça, da reconciliação e do perdão”, afirmou.

O arcebispo ressaltou que não há caminho para a paz sem mudança de mentalidade. “Não há paz se não houver, de fato, uma mudança de mentalidade. Armas nunca levam a um bom destino”, declarou.

Ele também recordou uma expressão frequentemente usada pelo Papa Francisco para descrever os conflitos contemporâneos.

“Vivemos aquilo que o Papa Francisco dizia: uma ‘guerra mundial em pedaços’. Diante de tantos conflitos, de tantas adversidades, queremos rezar como Igreja de Feira de Santana, como povo penitente, por todos”, disse.

Ao comentar o conflito envolvendo Israel e Irã, Dom Zanoni demonstrou preocupação com o que classificou como ideologização da violência.

“Nos preocupa essa ideologização da guerra, do ódio, que não expressa de modo algum a tradição judaica de comunhão, a terra da esperança, a Terra Santa, a terra da promessa. O povo de Deus é muito maior do que essas determinações ideológicas”, pontuou.

Ele reforçou que o ensinamento cristão é claro quanto ao caminho a ser seguido. “Jesus disse: ‘Amai os vossos inimigos e rezai por aqueles que vos perseguem’. Não há outro caminho. Fora desse caminho, nós temos essa falta de lucidez, essa destruição, essa morte de crianças, de pessoas. Na guerra, a primeira vítima é a verdade”, afirmou.

Dom Zanoni também pediu discernimento às lideranças políticas. “Que a verdade que vem do Espírito Santo prevaleça e ilumine as nossas lideranças, os nossos políticos, para que se geste um mundo de paz, solidariedade e justiça.”

Expectativa para a Caminhada do Perdão

Apesar da previsão de tempo chuvoso, o arcebispo demonstrou esperança de que a participação popular não seja prejudicada.

“Nós vivemos um momento grande. A expectativa da chuva faz parte da tradição do povo nordestino, que sempre pede a bênção de Deus. Mas a nossa expectativa é que possamos fazer essa caminhada sem nenhuma dificuldade e a chuva é sempre bem-vinda”, concluiu.

*Com informações Jorge Biancchi

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