A organização reforçou canais de denúncia, como o 180 (Central de Atendimento à Mulher) e o 190, em casos de emergência.
Na manhã deste domingo (29), foi realizada a 4ª Caminhada de Combate à Violência contra a Mulher, em Feira de Santana. A ação integrou a programação do Mês da Mulher e reuniu representantes da Rede de Proteção à Mulher do município, instituições públicas, movimentos sociais e a comunidade.
Com o tema “Se causa dor, não é amor”, o evento teve como principal objetivo conscientizar a população sobre a importância do enfrentamento à violência contra a mulher, fortalecer a rede de apoio e incentivar denúncias. O percurso teve início na Padaria Progresso, na Avenida Maria Quitéria, seguindo até o Centro de Convenções.
A advogada Esmeralda Halana, presidente da Comissão em Defesa do Direito das Mulheres da OAB Subseção Feira de Santana, destacou que a caminhada vai além de um ato simbólico. Segundo ela, o movimento busca promover uma mudança cultural e de comportamento na sociedade.
“Não podemos encerrar o mês de março sem convocar homens, mulheres, famílias, crianças e adolescentes para essa reflexão. A violência contra a mulher não começa com a agressão física, ela se manifesta de várias formas, como a psicológica, moral, patrimonial e sexual. Precisamos educar para prevenir”, afirmou.
A advogada também reforçou a importância da denúncia e lembrou que o município conta com uma rede estruturada de apoio, com atendimento jurídico, psicológico e social. “Nosso objetivo é que um dia não seja mais necessário realizar caminhadas como essa, mas que possamos apenas celebrar o ser mulher, com respeito e igualdade”, completou.

A secretária municipal de Políticas para as Mulheres, Neinha Bastos, também ressaltou a relevância da mobilização. Ela destacou que a presença nas ruas é fundamental para dar visibilidade à causa e incentivar mulheres a buscarem ajuda.
“Não queremos estar à frente nem atrás, queremos estar lado a lado, com respeito e dignidade. Muitas mulheres ainda sofrem caladas. Nosso papel é acolher, orientar e mostrar que elas não estão sozinhas”, disse.
A secretária informou ainda que, somente em janeiro deste ano, cerca de 100 mulheres foram atendidas após situações de violência no município.

A promotora de Justiça Mayara Barreto chamou atenção para os números elevados de casos registrados. Segundo ela, cada promotoria recebe diariamente entre 30 e 50 processos relacionados à violência contra a mulher.
“Vivemos índices alarmantes, mas também percebemos um aumento na procura por ajuda, resultado das ações de conscientização. As mulheres estão entendendo que não precisam mais suportar a violência e que existe uma rede pronta para acolhê-las”, pontuou.

A ginecologista Márcia Sueli alertou para sinais silenciosos da violência, muitas vezes identificados nos consultórios médicos.
“Nem sempre a violência é física. Muitas mulheres apresentam sintomas que parecem ser apenas clínicos, mas que têm origem em abusos emocionais ou psicológicos. Precisamos estar atentos e orientar essas pacientes”, explicou.
Ela também destacou a gravidade de casos envolvendo adolescentes vítimas de violência sexual e defendeu a educação como ferramenta essencial na prevenção. “É preciso ensinar desde cedo sobre respeito e limites”, afirmou.

Já a delegada Lorena Almeida, da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM), ressaltou o trabalho integrado da rede de proteção e a atuação da polícia na repressão aos crimes.
“Além das ações educativas, nossa prioridade é a investigação e responsabilização dos agressores. Medidas como prisões e conclusão de inquéritos são fundamentais para proteger vidas”, destacou.
A organização reforçou canais de denúncia, como o 180 (Central de Atendimento à Mulher) e o 190, em casos de emergência.


*Com informações da repórter Ednalva Valença