Quadro De Mulher pra Mulher debater o uso da cannabis medicinal no climatério, menopausa e outras condições femininas, com foco em evidências científicas e quebra de preconceitos.
O quadro De Mulher pra Mulher, exibido no programa Jornal do Meio Dia, trouxe um debate sobre um tema ainda cercado de dúvidas e preconceitos: o uso da cannabis medicinal na saúde feminina.
A edição contou com a participação da médica ginecologista Cláudia Souza e da médica Luísa Bomfim, certificada internacionalmente em cannabis medicinal. O encontro teve como foco esclarecer o funcionamento da terapia, suas indicações e limitações.
“É um tema polêmico, que gera dúvida, preconceito e muita curiosidade. Mas estamos falando de medicina baseada em evidência científica”, destacou Dra Cláudia.
A Dra. Luísa Bomfim explicou o funcionamento do sistema endocanabinoide, presente naturalmente no organismo humano.
“É um sistema responsável por regular humor, apetite, temperatura e está presente no sistema nervoso e reprodutor feminino. O que fazemos com o uso medicinal é ativar um equilíbrio fisiológico que já existe no corpo”, afirmou.
Ela também explicou a diferença entre o uso medicinal e recreativo da cannabis, destacando o controle de substâncias como CBD e THC.
“O uso medicinal é completamente diferente do recreativo. Existe controle de dose, acompanhamento médico e segurança no tratamento”, disse.
Um dos principais focos da conversa foi o impacto da cannabis medicinal em mulheres no climatério e na menopausa.
Segundo Dra. Cláudia, sintomas como insônia, ansiedade, depressão, dores articulares e fogachos são comuns nessa fase da vida.
Em resposta, Dra. Luísa destacou possíveis benefícios terapêuticos:
“Conseguimos atuar no controle de fogachos, oscilações de humor, dor pélvica crônica, vaginismo, enxaquecas e distúrbios do sono. Há melhora significativa na qualidade de vida dessas pacientes”, afirmou.
A médica também ressaltou que o tratamento pode ajudar na redução de medicamentos de uso contínuo, especialmente os voltados para sono e ansiedade.
Além da saúde feminina, as especialistas citaram outras aplicações da cannabis medicinal, como:
No caso da endometriose, Dra. Luísa destacou que o tratamento pode incluir diferentes formas de aplicação.
“Além do óleo, também podemos utilizar supositórios e óvulos vaginais para controle da dor”, explicou.
Apesar dos benefícios, as médicas reforçaram que o uso não é indicado para todos os pacientes.
“Gestantes e mulheres em lactação não devem utilizar. Também evitamos em casos de doenças graves do fígado e do coração”, afirmou Luísa Bonfim.
Outro ponto abordado foi a segurança do tratamento e o risco de dependência.
“No uso medicinal, não observamos dependência. O objetivo é iniciar, controlar e, quando possível, retirar a medicação”, explicou a especialista.
As médicas também explicaram que a prescrição deve ser feita por profissionais habilitados, com acompanhamento contínuo.
“Não é uma prescrição comum. Exige acompanhamento médico para ajuste de dose e avaliação individualizada”, destacou Dra. Luísa.
Segundo ela, os produtos já podem ser adquiridos em farmácias com receita controlada, conforme normas da Anvisa, ou importados em alguns casos.
O quadro também destacou o avanço das pesquisas e a redução gradual do preconceito em torno do tema.
“A ciência já comprova benefícios em várias áreas. Ainda existe tabu, mas estamos avançando”, afirmou Dra. Cláudia.
As participantes reforçaram a importância da informação e do acompanhamento profissional.
“É uma substância segura quando usada corretamente e pode melhorar muito a qualidade de vida das pacientes”, concluiu Dra. Luísa.