10/06/2026
--
De Olho na Cidade
InícioSaúde
4 min de leitura

Cannabis medicinal e saúde feminina: especialistas discutem benefícios, indicações e tabus

Quadro De Mulher pra Mulher debater o uso da cannabis medicinal no climatério, menopausa e outras condições femininas, com foco em evidências científicas e quebra de preconceitos.

Victória SilvaRedação: Victória Silva
sábado, 23 de maio de 2026 às 15:05
Imagem de Cannabis medicinal e saúde feminina: especialistas discutem benefícios, indicações e tabus
Foto: De Olho na Cidade

O quadro De Mulher pra Mulher, exibido no programa Jornal do Meio Dia, trouxe um debate sobre um tema ainda cercado de dúvidas e preconceitos: o uso da cannabis medicinal na saúde feminina.

A edição contou com a participação da médica ginecologista Cláudia Souza e da médica Luísa Bomfim, certificada internacionalmente em cannabis medicinal. O encontro teve como foco esclarecer o funcionamento da terapia, suas indicações e limitações.

“É um tema polêmico, que gera dúvida, preconceito e muita curiosidade. Mas estamos falando de medicina baseada em evidência científica”, destacou Dra Cláudia.

Sistema endocanabinoide e base científica

A Dra. Luísa Bomfim explicou o funcionamento do sistema endocanabinoide, presente naturalmente no organismo humano.

“É um sistema responsável por regular humor, apetite, temperatura e está presente no sistema nervoso e reprodutor feminino. O que fazemos com o uso medicinal é ativar um equilíbrio fisiológico que já existe no corpo”, afirmou.

Ela também explicou a diferença entre o uso medicinal e recreativo da cannabis, destacando o controle de substâncias como CBD e THC.

“O uso medicinal é completamente diferente do recreativo. Existe controle de dose, acompanhamento médico e segurança no tratamento”, disse.

Benefícios na menopausa e saúde feminina

Um dos principais focos da conversa foi o impacto da cannabis medicinal em mulheres no climatério e na menopausa.

Segundo Dra. Cláudia, sintomas como insônia, ansiedade, depressão, dores articulares e fogachos são comuns nessa fase da vida.

Em resposta, Dra. Luísa destacou possíveis benefícios terapêuticos:

“Conseguimos atuar no controle de fogachos, oscilações de humor, dor pélvica crônica, vaginismo, enxaquecas e distúrbios do sono. Há melhora significativa na qualidade de vida dessas pacientes”, afirmou.

A médica também ressaltou que o tratamento pode ajudar na redução de medicamentos de uso contínuo, especialmente os voltados para sono e ansiedade.

Dor crônica e outras indicações

Além da saúde feminina, as especialistas citaram outras aplicações da cannabis medicinal, como:

  • Dor crônica e fibromialgia
  • Endometriose e dor pélvica
  • Epilepsias refratárias
  • Alzheimer e Parkinson
  • Distúrbios do sono

No caso da endometriose, Dra. Luísa destacou que o tratamento pode incluir diferentes formas de aplicação.

“Além do óleo, também podemos utilizar supositórios e óvulos vaginais para controle da dor”, explicou.

Contraindicações e segurança

Apesar dos benefícios, as médicas reforçaram que o uso não é indicado para todos os pacientes.

“Gestantes e mulheres em lactação não devem utilizar. Também evitamos em casos de doenças graves do fígado e do coração”, afirmou Luísa Bonfim.

Outro ponto abordado foi a segurança do tratamento e o risco de dependência.

“No uso medicinal, não observamos dependência. O objetivo é iniciar, controlar e, quando possível, retirar a medicação”, explicou a especialista.

Prescrição e regulamentação no Brasil

As médicas também explicaram que a prescrição deve ser feita por profissionais habilitados, com acompanhamento contínuo.

“Não é uma prescrição comum. Exige acompanhamento médico para ajuste de dose e avaliação individualizada”, destacou Dra. Luísa.

Segundo ela, os produtos já podem ser adquiridos em farmácias com receita controlada, conforme normas da Anvisa, ou importados em alguns casos.

O quadro também destacou o avanço das pesquisas e a redução gradual do preconceito em torno do tema.

“A ciência já comprova benefícios em várias áreas. Ainda existe tabu, mas estamos avançando”, afirmou Dra. Cláudia.

As participantes reforçaram a importância da informação e do acompanhamento profissional.

“É uma substância segura quando usada corretamente e pode melhorar muito a qualidade de vida das pacientes”, concluiu Dra. Luísa.

Compartilhar:

Nós utilizamos cookies para aprimorar e personalizar a sua experiência em nosso site. Ao continuar navegando, você concorda em contribuir para os dados estatísticos de melhoria. Conheça nossa Política de Privacidade e consulte nosso Termos de Uso.