10/06/2026
--
De Olho na Cidade
InícioSaúde
3 min de leitura

Cardiologista alerta para perigo silencioso no fisiculturismo após morte de atleta de 22 anos

Especialista explica relação entre substâncias, coração e morte súbita após caso de atleta de 22 anos

Victória SilvaRedação: Victória Silva
segunda-feira, 25 de maio de 2026 às 18:23
Imagem de Cardiologista alerta para perigo silencioso no fisiculturismo após morte de atleta de 22 anos
Foto: Reprodução/Redes Sociais

A confirmação de que a morte do fisiculturista Gabriel Ganley, de 22 anos, teria sido causada por uma doença cardíaca repercutiu em todo o país e reacendeu o debate sobre os riscos do uso de anabolizantes e hormônios em práticas esportivas.

O laudo aponta como causa da morte uma cardiomiopatia hipertrófica, condição em que o músculo do coração fica espessado, dificultando o bombeamento adequado do sangue e podendo desencadear arritmias graves e morte súbita.

O caso ganhou ainda mais atenção após a análise do médico cardiologista Israel Reis, que destacou a gravidade do cenário e a relação entre o estilo de vida no fisiculturismo e problemas cardíacos.

“Primeiro o impacto maior é a idade, 22 anos, uma morte precoce, atleta com morte precoce é um paradoxo”, afirmou o cardiologista.

Segundo ele, o fisiculturismo envolve o uso combinado de substâncias que podem trazer consequências severas ao organismo, especialmente ao coração.

“Existe uma combinação de hormônios e anabolizantes que favorece o ganho de massa muscular, mas os atletas sabem que, em geral, há sobrevida limitada”, explicou.

Risco cardíaco e uso de substâncias

O especialista detalhou que o uso prolongado de anabolizantes pode provocar alterações estruturais no coração.

“Esses pacientes tendem a ter aumento de fibrose cardíaca, hipertrofia e piora do perfil lipídico, o coração também é um músculo, então ele também pode hipertrofiar”, disse.

Ele alertou ainda para o risco de arritmias graves:

“Essas cicatrizes no coração predispõem à arritmia e isso pode levar à morte súbita arrítmica.”

Uso de insulina e possíveis complicações

O cardiologista também comentou sobre relatos de uso de insulina no meio esportivo, destacando que a substância pode ser extremamente perigosa fora de indicação médica.

“Se uma pessoa que não é diabética usa insulina, pode ter uma hipoglicemia grave, confusão mental, coma e até parada cardíaca”, explicou.

Ele acrescentou que, embora existam especulações sobre substâncias envolvidas em casos como esse, a principal causa de morte em fisiculturistas costuma ser cardíaca.

“Em geral, esses pacientes morrem de causas cardíacas, mortes arrítmicas e cardiomiopatias associadas”, afirmou.

O cardiologista fez um alerta sobre a banalização do uso de hormônios para fins estéticos.

“Não existe dose segura para quem não precisa usar esteróide anabolizante. Estamos falando de um extremo, mas é importante alertar os jovens: existe um risco e um preço a pagar”, concluiu.

Investigação e histórico da vítima

De acordo com informações divulgadas, o jovem foi encontrado morto em seu apartamento na cidade de São Paulo após dias sem contato com familiares. A Polícia Civil ainda aguarda laudos complementares do Instituto Médico Legal (IML) para esclarecer completamente o caso.

A mãe do atleta informou que ele não tinha histórico de doenças cardíacas e que havia conversado com o filho poucas horas antes da morte.

Nas redes sociais, Gabriel era seguido por milhões de pessoas e compartilhava sua rotina de treinos e preparação física. Ele chegou a se apresentar inicialmente como adepto do fisiculturismo natural, mas posteriormente admitiu o uso de anabolizantes.

Compartilhar:

Nós utilizamos cookies para aprimorar e personalizar a sua experiência em nosso site. Ao continuar navegando, você concorda em contribuir para os dados estatísticos de melhoria. Conheça nossa Política de Privacidade e consulte nosso Termos de Uso.