Especialista explica relação entre substâncias, coração e morte súbita após caso de atleta de 22 anos
A confirmação de que a morte do fisiculturista Gabriel Ganley, de 22 anos, teria sido causada por uma doença cardíaca repercutiu em todo o país e reacendeu o debate sobre os riscos do uso de anabolizantes e hormônios em práticas esportivas.
O laudo aponta como causa da morte uma cardiomiopatia hipertrófica, condição em que o músculo do coração fica espessado, dificultando o bombeamento adequado do sangue e podendo desencadear arritmias graves e morte súbita.
O caso ganhou ainda mais atenção após a análise do médico cardiologista Israel Reis, que destacou a gravidade do cenário e a relação entre o estilo de vida no fisiculturismo e problemas cardíacos.
“Primeiro o impacto maior é a idade, 22 anos, uma morte precoce, atleta com morte precoce é um paradoxo”, afirmou o cardiologista.
Segundo ele, o fisiculturismo envolve o uso combinado de substâncias que podem trazer consequências severas ao organismo, especialmente ao coração.
“Existe uma combinação de hormônios e anabolizantes que favorece o ganho de massa muscular, mas os atletas sabem que, em geral, há sobrevida limitada”, explicou.
O especialista detalhou que o uso prolongado de anabolizantes pode provocar alterações estruturais no coração.
“Esses pacientes tendem a ter aumento de fibrose cardíaca, hipertrofia e piora do perfil lipídico, o coração também é um músculo, então ele também pode hipertrofiar”, disse.
Ele alertou ainda para o risco de arritmias graves:
“Essas cicatrizes no coração predispõem à arritmia e isso pode levar à morte súbita arrítmica.”
O cardiologista também comentou sobre relatos de uso de insulina no meio esportivo, destacando que a substância pode ser extremamente perigosa fora de indicação médica.
“Se uma pessoa que não é diabética usa insulina, pode ter uma hipoglicemia grave, confusão mental, coma e até parada cardíaca”, explicou.
Ele acrescentou que, embora existam especulações sobre substâncias envolvidas em casos como esse, a principal causa de morte em fisiculturistas costuma ser cardíaca.
“Em geral, esses pacientes morrem de causas cardíacas, mortes arrítmicas e cardiomiopatias associadas”, afirmou.
O cardiologista fez um alerta sobre a banalização do uso de hormônios para fins estéticos.
“Não existe dose segura para quem não precisa usar esteróide anabolizante. Estamos falando de um extremo, mas é importante alertar os jovens: existe um risco e um preço a pagar”, concluiu.
De acordo com informações divulgadas, o jovem foi encontrado morto em seu apartamento na cidade de São Paulo após dias sem contato com familiares. A Polícia Civil ainda aguarda laudos complementares do Instituto Médico Legal (IML) para esclarecer completamente o caso.
A mãe do atleta informou que ele não tinha histórico de doenças cardíacas e que havia conversado com o filho poucas horas antes da morte.
Nas redes sociais, Gabriel era seguido por milhões de pessoas e compartilhava sua rotina de treinos e preparação física. Ele chegou a se apresentar inicialmente como adepto do fisiculturismo natural, mas posteriormente admitiu o uso de anabolizantes.