Evento reuniu especialistas e representantes do setor industrial para discutir prevenção de acidentes, redução de riscos jurídicos e conformidade nas operações com trabalhadores terceirizados
A gestão de trabalhadores terceirizados e os cuidados com a Segurança e Saúde no Trabalho (SST) foram tema de um Café Palestra promovido pelo Centro das Indústrias de Feira de Santana (CIFS), na sede da entidade, na Avenida Noide Cerqueira. O encontro reuniu representantes da indústria, profissionais de Recursos Humanos e especialistas para discutir como as empresas podem proteger trabalhadores, reduzir riscos jurídicos e garantir conformidade nas operações.
Com o tema “Terceiros sob gestão em SST: como proteger pessoas, reduzir riscos jurídicos e garantir conformidade nas operações”, o evento contou com palestras de profissionais do SESI Bahia. Entre os assuntos abordados esteve a responsabilidade das empresas contratantes em casos de acidentes envolvendo trabalhadores terceirizados.
Segundo a engenheira civil e de segurança do trabalho Maria Fernanda Torres Lins, a terceirização não significa transferência da responsabilidade sobre a segurança dos trabalhadores.

“De forma errônea, a gente acha que quando terceiriza um serviço, uma atividade, a gente delega essa responsabilidade. Mas isso não é verdade. Nós, contratantes, somos corresponsáveis pelas atividades que esse terceiro realiza dentro da nossa empresa”, explicou.
Maria Fernanda destacou que, em caso de acidente dentro das instalações da empresa contratante, a responsabilidade também pode alcançar a organização que contratou o serviço. Para ela, a gestão de SST precisa incluir todos os trabalhadores que atuam na operação, sejam eles empregados diretos ou terceirizados.
“A gestão de risco de SST precisa englobar também as atividades dos seus terceirizados. Quando a gente terceiriza, não pode delegar uma responsabilidade. O risco é nosso”, afirmou.
A especialista também apontou alguns dos erros mais comuns cometidos pelas empresas na gestão de terceiros. Entre eles estão a ausência de regras claras, falhas na documentação, falta de treinamento adequado e o uso incorreto de equipamentos de proteção individual.
“Muitas vezes coloca profissionais que não têm treinamento para executar aquela atividade, não têm capacidade técnica e operacional, não têm os equipamentos de proteção individual corretos e não fazem esse monitoramento”, alertou.
Para Maria Fernanda, a terceirização pode ser uma ferramenta importante para as empresas, mas precisa ser conduzida de forma responsável e com acompanhamento permanente.
“A terceirização é necessária, é permitida, pode ser feita, mas de uma forma extremamente responsável”, reforçou.
O gerente comercial de médias e grandes empresas do SESI Bahia, André Luiz Pousada Baptista, também participou do encontro. Segundo ele, uma das principais preocupações das indústrias é garantir que o trabalhador terceirizado esteja devidamente preparado para atuar dentro das instalações da empresa contratante.

“O SESI está se propondo a uma solução que visa ajudar essa empresa a validar todo o processo legal de documentação em saúde e segurança, garantindo que esse trabalhador esteja com os EPIs corretos, com todos os treinamentos e certificados adequados”, explicou.
André afirmou que o gerenciamento da cadeia de terceiros ainda é considerado um gargalo para muitas médias e grandes indústrias.
“Hoje, uma das preocupações é como gerenciar melhor esse terceiro que está nas suas instalações. É cuidar desse trabalhador e garantir que ele esteja apto a acessar e atuar dentro da empresa”, destacou.
O representante do SESI também ressaltou que a saúde e a segurança do trabalho passaram a ocupar um espaço estratégico dentro das indústrias.
“Aquela indústria que não estiver atenta às rotinas de SST, com certeza terá dificuldades em se manter competitiva e sustentável”, afirmou.
O presidente do CIFS, Geraldo Pires, explicou que o Café Palestra é realizado mensalmente e busca discutir temas que impactam diretamente o setor industrial. Para ele, a contratação de empresas terceirizadas exige atenção e acompanhamento por parte das contratantes.

“Você tem que verificar bem a empresa, investigar direitinho e ter um acompanhamento. É preciso verificar se ela está cumprindo todas as leis, os acordos com os sindicatos e pagando corretamente os impostos, para que isso não gere um problema depois para a empresa contratante”, alertou.
Geraldo também destacou a importância da atualização constante das empresas diante das mudanças na legislação.
“A gente procura atualizar as indústrias e as empresas para que elas trabalhem melhor, não tenham prejuízos e continuem gerando empregos e trabalhando da forma certa”, disse.
Coordenadora do Comitê de RH e do Café Palestra, Gilmara Lopes explicou que o evento tem como objetivos levar conhecimento às empresas, promover networking e apresentar boas práticas desenvolvidas por organizações da região.

“O objetivo é trazer conhecimento para grandes, pequenas e médias empresas, para que os RHs e as gestões sejam cada dia mais competitivos e conformes, atentos às mudanças que a legislação vem trazendo”, afirmou.
Sobre o tema escolhido para o encontro, Gilmara explicou que a discussão surgiu a partir das dificuldades apresentadas por empresas e da necessidade de revisar processos relacionados à gestão de riscos.
“Muitas empresas acreditam que só contratar a terceirização para prestar um serviço é suficiente. Mas existe uma responsabilidade muito grande de quem contrata aquela prestação de serviço”, destacou.
Para a coordenadora, o trabalhador terceirizado também deve estar inserido na política de segurança da empresa.
“O mesmo olhar que precisamos ter para as pessoas que são nossos empregados, também precisamos ter para as pessoas terceirizadas dentro das nossas operações”, concluiu.