10/06/2026
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Cirurgião bariátrico explica impacto das “canetinhas” no tratamento da obesidade e mudanças nas cirurgias

Segundo o médico João Victor do Vale, uso de análogos do GLP-1 alterou o cenário das cirurgias bariátricas, mas não eliminou a necessidade de intervenções cirúrgicas

Victória SilvaRedação: Victória Silva
terça-feira, 19 de maio de 2026 às 17:30
um homem sorridente, de pele clara, cabelos curtos escuros, barba cheia aparada e óculos de grau. Ele veste um terno preto com camisa social verde-oliva. O homem está em pé, no centro da imagem
Foto: Ednalva Valença

O avanço dos medicamentos conhecidos como “canetinhas emagrecedoras”, à base de análogos do GLP-1, tem mudado o cenário do tratamento da obesidade em todo o mundo. A avaliação é do cirurgião bariátrico Dr. João Victor do Vale, que explica que houve uma redução inicial na procura por cirurgias, mas com posterior estabilização dos números.

Segundo o especialista, a tendência observada em países como os Estados Unidos também se repete em outros locais.

“O número de novos procedimentos de cirurgia bariátrica reduziu no mundo inteiro após a chegada dos análogos do GLP-1, conhecidos como canetas emagrecedoras. Depois, houve um novo crescimento, mas não atingindo a taxa anterior de cirurgias por ano”, afirmou.

De acordo com o médico, o uso desses medicamentos ajudou muitos pacientes a controlar o peso e as doenças associadas à obesidade, evitando, em alguns casos, a necessidade de cirurgia.

“Algumas pessoas estão usando as canetas e não estão atingindo uma obesidade grave a ponto de indicação cirúrgica, ou estão conseguindo controlar suas comorbidades e evitando a bariátrica”, explicou.

No entanto, Dr. João Victor ressalta que os medicamentos não substituem completamente o tratamento cirúrgico, já que a obesidade é uma doença crônica e multifatorial.

“A obesidade é uma doença que se arrasta ao longo do tempo e pode ter recidiva. Hoje, o tratamento envolve canetas, medicamentos e também cirurgia”, destacou.

O cirurgião compara o tratamento da obesidade a outras doenças crônicas, como o câncer, em que diferentes abordagens podem ser necessárias em conjunto.

“Quando surgiu a quimioterapia não acabou a cirurgia oncológica. É a mesma coisa com a bariátrica”, disse.

Ele também alerta que o uso dos medicamentos deve ser feito com acompanhamento profissional e dentro de uma equipe multidisciplinar.

“Esses medicamentos são excelentes, mas devem ser usados por uma equipe com endocrinologista, cirurgião bariátrico, nutricionista e, muitas vezes, psicólogo”, afirmou.

O médico reforça que as “canetinhas” são uma ferramenta importante, mas não uma solução isolada para o emagrecimento duradouro.

“Não é o medicamento por si só que vai fazer emagrecer a longo prazo. Ele é uma ferramenta para ajudar o paciente a ter mais saúde e qualidade de vida”, concluiu.

*Com informações de Ednalva Valença

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