Psicóloga e empreendedora Olívia Magalhães destaca planejamento, acolhimento e integração entre profissionais como diferenciais do negócio
A busca por serviços de saúde mental tem crescido e impulsionado novos modelos de atendimento em Feira de Santana. Nesse cenário, a psicóloga e empreendedora Olívia Magalhães criou a Clínica Acolher, com a proposta de oferecer atendimento multidisciplinar aliado a uma visão de empreendedorismo com propósito.
Durante participação no quadro Hora do Empreendedorismo, Olívia contou que a ideia surgiu a partir da própria experiência profissional na psicologia clínica e do desejo de construir um espaço alinhado à forma como acredita que o atendimento deve ser realizado.
“Surgiu a ideia de ter o meu próprio espaço, de ter com o meu propósito, com minha visão, da forma que eu acredito que um espaço clínico deve funcionar.”
A Clínica Acolher foi inaugurada em dezembro de 2025 e reúne profissionais de diferentes áreas, como psicologia, fonoaudiologia, psicopedagogia, fisioterapia e psiquiatria. Segundo Olívia, a psicologia continua sendo o principal serviço procurado, mas a estrutura multidisciplinar permite ampliar o acompanhamento dos pacientes.
Para Olívia, administrar uma empresa vai além da busca por resultados financeiros. A empreendedora afirma que sua visão de negócio é baseada em valores de fé, planejamento, organização e, principalmente, na possibilidade de oferecer um serviço que também considere as necessidades sociais dos pacientes.
“Não é apenas ter uma empresa, é ter uma empresa que venha servir ao próximo.”
Ela explica que, em situações específicas, a clínica busca oferecer valores sociais e direcionamentos para pessoas que precisam de atendimento, sem colocar a questão financeira acima da necessidade do paciente.
“A gente tem como dar um direcionamento sem colocar a questão monetária acima de todas as coisas. Então eu trabalho também com essa perspectiva, com o olhar social.”
A criação da clínica aconteceu em um período considerado curto pela empreendedora. Após encerrar uma parceria profissional anterior, Olívia decidiu investir no próprio projeto e estruturou o novo espaço em aproximadamente dois meses.
“Eu vi o ponto, projetei toda a parte de estrutura da clínica e conseguimos montar a parte física, com a logomarca, com todos os parâmetros necessários para que se iniciasse o empreendimento.”
Apesar do prazo reduzido, ela ressalta que houve planejamento e organização para que o negócio pudesse começar a funcionar em dezembro de 2025.
De acordo com Olívia, a procura por atendimento relacionado à saúde mental é significativa. Entre as demandas mais frequentes na clínica estão casos relacionados a TDAH, ansiedade, depressão e alguns transtornos de personalidade e de humor.
Ela também chama atenção para o aumento da procura por atendimento entre diferentes faixas etárias, incluindo crianças, adolescentes, adultos e idosos.
“A saúde mental, de fato, está em ênfase e está em uma busca muito grande.”
A psicóloga também destaca a procura de adultos que chegam ao atendimento após anos convivendo com sintomas de TDAH sem diagnóstico.
“O adulto hoje traz todo esse impacto vivenciado e precisa agora de um diagnóstico porque não está conseguindo lidar mais.”
Olívia reforçou ainda a importância de diferenciar transtornos de doenças. Ao citar o autismo, por exemplo, explicou que o transtorno do espectro autista não deve ser tratado como uma doença, já que o termo “doença” pode transmitir a ideia equivocada de cura.
Um dos principais diferenciais apontados pela empreendedora é a possibilidade de diferentes profissionais acompanharem um mesmo paciente dentro da clínica.
Ela exemplifica a situação de uma criança que necessita de acompanhamento com psicólogo, fonoaudiólogo e psicomotricista. Em vez de a família precisar se deslocar para diferentes locais, os atendimentos podem ser organizados no mesmo espaço.
“Isso facilita em termo de logística, facilita o tempo também que esse paciente estará na clínica e a quantidade de vezes que ele estará a caminho da clínica.”
Outro benefício, segundo Olívia, é a comunicação entre os profissionais responsáveis pelo acompanhamento.
“Tem como ter essa comunicação mais fluida entre eles. Então isso facilita também nesse sentido.”
A integração permite que os especialistas compartilhem percepções sobre o acompanhamento, contribuindo para uma visão mais ampla das necessidades do paciente.
Olívia também falou sobre os desafios de empreender na área da psicologia. Segundo ela, a atividade possui regras estabelecidas pelo Conselho Federal de Psicologia que limitam determinadas estratégias de divulgação e publicidade.
Entre os exemplos citados estão a impossibilidade de utilizar depoimentos de pacientes ou fazer promoções tradicionais de serviços, como pacotes de sessões.
“Empreender na psicologia em si é um pouco complexo porque nós temos hoje várias vertentes de bloqueios diante do conselho.”
Diante dessas limitações, a empreendedora afirma que a clínica aposta principalmente na qualidade do atendimento e na indicação dos próprios pacientes.
“Nós trabalhamos muito com o boca a boca, aquele que conhece o nosso serviço, conhece a prática dos atendimentos de cada profissional que ali está inserido e vai indicando.”
O próprio nome da clínica representa a proposta defendida por Olívia. Segundo ela, o acolhimento começa antes mesmo da chegada do paciente ao consultório, desde o primeiro contato pelo WhatsApp.
“É desde o atendimento no WhatsApp, é desde o primeiro contato. É a procura de entender o que o outro quer trazer de demanda, de informação.”
Além do atendimento profissional, a clínica também busca criar um ambiente confortável para os pacientes e familiares, inclusive com pequenos gestos de hospitalidade, como café, bolo e pipoca.
Para Olívia, entretanto, o principal diferencial não está na estrutura física, mas na forma de olhar para quem procura ajuda.
“O principal é a forma como a gente consegue olhar para o paciente.”
A Clínica Acolher está localizada na Rua São Cristóvão, número 435, no bairro Santa Mônica. A clínica também mantém presença nas redes sociais para orientar e atender pessoas interessadas nos serviços oferecidos.