10/06/2026
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De Olho na Cidade
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Clínica de Feira de Santana apresenta exoesqueleto pioneiro na Bahia para auxiliar pacientes em reabilitação

Tecnologia voltada à neuroreabilitação pode beneficiar pacientes com AVC, Parkinson e lesões medulares, ampliando possibilidades de mobilidade e recuperação funcional

Victória SilvaRedação: Victória Silva
segunda-feira, 25 de maio de 2026 às 08:24
Imagem de Clínica de Feira de Santana apresenta exoesqueleto pioneiro na Bahia para auxiliar pacientes em reabilitação
Foto: De Olho na Cidade

A evolução tecnológica na área da saúde tem ampliado as possibilidades de reabilitação de pessoas com limitações motoras. Durante participação no quadro Neuroreabilitação em Pauta, no programa Cidade em Pauta na rádio Nordeste FM 95.3, o fisioterapeuta da Reabserv, Vinícius Oliveira, apresentou ao vivo um exoesqueleto utilizado como ferramenta de auxílio à mobilidade e explicou como o equipamento vem sendo incorporado aos tratamentos de neuroreabilitação.

O tema da entrevista foi o exoesqueleto, equipamento tecnológico que pode auxiliar pessoas com dificuldades de locomoção, promovendo estímulos à marcha e ajudando no condicionamento físico e funcional de pacientes com diferentes tipos de comprometimentos motores.

Segundo Vinícius, a tecnologia apresentada é pioneira no estado na modalidade quadril e joelho, sendo um recurso leve e de fácil adaptação.

“A gente começou falando de tecnologia e nada melhor do que trazer o exoesqueleto. Em primeira mão, é o primeiro da Bahia nessa modalidade quadril e joelho. Ele é mais livre, mais leve e mais acessível”, destacou.

Como funciona o exoesqueleto

O fisioterapeuta explicou que o exoesqueleto funciona como uma estrutura externa que auxilia os movimentos do corpo humano, simulando um suporte mecânico para facilitar a caminhada e reduzir esforço físico.

Ao explicar o conceito, Vinícius comparou o equipamento ao próprio sistema de sustentação do corpo humano.

“O esqueleto do corpo humano é o que nos sustenta. Já o exoesqueleto é uma estrutura por fora do paciente, que mimetiza esse suporte e auxilia o movimento”, afirmou.

Ele relembrou ainda a apresentação feita pelo neurocientista Miguel Nicolelis na abertura da Copa do Mundo de 2014, quando um paciente paraplégico conseguiu dar o pontapé inicial da partida com auxílio de um exoesqueleto conectado a impulsos cerebrais.

Hoje, segundo o fisioterapeuta, os avanços da inteligência artificial permitem que alguns modelos compreendam os padrões de marcha do paciente, favorecendo a movimentação.

“Com estudos através da inteligência artificial, esse equipamento faz o entendimento da marcha da pessoa. Ele proporciona movimento e auxilia na velocidade da caminhada, no condicionamento e na mobilidade”, explicou.

Tecnologia ainda está em fase de estudos para reabilitação

Apesar dos avanços, Vinícius fez um alerta: o equipamento não deve ser visto como uma solução definitiva para a recuperação dos pacientes.

Segundo ele, muitos exoesqueletos foram originalmente criados para auxiliar atividades físicas intensas e, apenas recentemente, passaram a ser estudados na área da reabilitação.

“Não é que esse aparelho reabilita. Ele foi fabricado para auxiliar pessoas em atividades específicas, como longas caminhadas. Hoje, com o avanço da ciência, está sendo utilizado na reabilitação para entendermos o impacto em pessoas com lesões”, pontuou.

Pacientes com sequelas de AVC, Parkinson, lesões medulares e fraqueza muscular estão entre os que podem apresentar benefícios, embora cada caso exija avaliação individualizada.

“Na prática, a gente vê melhora na velocidade da marcha, na passada e no condicionamento cardiometabólico. Mas tudo precisa ser analisado por um profissional especializado”, ressaltou.

Quem pode utilizar o equipamento?

De acordo com Vinícius, o uso do exoesqueleto é mais indicado para pacientes com perda parcial ou total dos movimentos dos membros inferiores.

“Hoje, os exoesqueletos são muito utilizados para pacientes com fraqueza dos membros inferiores, paraplegia ou diminuição dos movimentos do quadril, coxa e pernas”, explicou.

Ele destacou ainda que existem versões mais sofisticadas voltadas para pacientes tetraplégicos e até equipamentos específicos para membros superiores.

“Tem exoesqueleto para os braços também, auxiliando movimentos e ajudando a evitar atrofias durante a reabilitação”, acrescentou.

Acesso ainda é limitado no Brasil

Apesar dos avanços tecnológicos, o fisioterapeuta reconheceu que o acesso ao equipamento ainda é restrito no país, principalmente na rede pública de saúde.

“Poucos centros de reabilitação possuem esse tipo de tecnologia. Ainda é algo não tão acessível, mas acredito que nos próximos cinco anos isso vai se tornar mais comum”, avaliou.

Ele também defendeu mais investimentos públicos em equipamentos voltados à recuperação de pacientes com traumas neurológicos.

“O SUS também precisa avançar nessa área para reabilitar melhor as pessoas”, afirmou.

Informação e avaliação especializada são fundamentais

Vinícius reforçou a importância de buscar orientação profissional antes de aderir a qualquer tecnologia vista nas redes sociais ou na internet.

“A tecnologia não substitui nenhum profissional. Ela vem para auxiliar. O mais importante é procurar um especialista, fazer uma avaliação criteriosa e entender se aquele recurso realmente é indicado para o paciente”, orientou.

O fisioterapeuta destacou ainda que a Reabserv, em Feira de Santana, investe em tecnologias voltadas à neuroreabilitação para evitar que pacientes precisem buscar atendimento em outras cidades.

“A ideia é trazer profissionais especializados e tecnologias de ponta para resolver os problemas de reabilitação das pessoas aqui mesmo, perto da comunidade”, concluiu.

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