Regulamentação sancionada pelo presidente Lula estabelece percentuais mínimos de cacau e reforça informações nos rótulos;
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou uma nova legislação que estabelece critérios mínimos para a fabricação de chocolates e derivados do cacau no Brasil. A medida, que entra em vigor em até 360 dias, determina percentuais mínimos de cacau para diferentes tipos de produtos e obriga fabricantes nacionais e importados a informarem de forma visível o teor total de cacau nas embalagens e materiais publicitários.
A nova regulamentação busca ampliar a transparência para o consumidor e padronizar os produtos comercializados. Entre as mudanças, o chocolate ao leite deverá conter pelo menos 25% de cacau, enquanto o chocolate em pó precisará ter no mínimo 32%. Já os rótulos deverão exibir, na parte frontal da embalagem, a frase “Contém X% de cacau”, ocupando ao menos 15% do espaço visível.
Diante das mudanças, a médica nutróloga Dra. Aline Jardim explicou a importância do teor de cacau para a qualidade nutricional do chocolate e reforçou que, de forma geral, quanto maior a concentração do ingrediente, mais saudável tende a ser o produto.
“O cacau é um alimento saudável. Nós temos a fruta do cacau, mas a indústria transformou isso em chocolate com muitas gorduras ruins e muito açúcar. O cacau, que deveria ser o protagonista, acabou diminuindo cada vez mais”, afirmou.
Segundo a especialista, chocolates com maior percentual de cacau costumam conter menos açúcar e aditivos, embora tenham um sabor menos adocicado.
“Quando você come um chocolate 70%, 80% ou até 100% cacau, ele vai ficando menos doce. Mas isso não significa que a pessoa não possa consumir chocolate ao leite. O segredo está na quantidade e no momento em que esse alimento é consumido”, explicou.
A recomendação da nutróloga é que o consumo seja moderado, preferencialmente após refeições que contenham proteínas e fibras, como o almoço.
“Pode comer chocolate sim, inclusive o ao leite, mas em pequenas quantidades. O ideal é cerca de 20 gramas após uma refeição. Isso ajuda a reduzir o impacto do açúcar no organismo”, orientou.
Dra. Aline também fez um alerta para pessoas que têm dificuldade em controlar o consumo de doces.
“Se você percebe que não consegue parar em um pequeno pedaço e quer sempre mais, isso é um sinal de alerta. Talvez seja necessário evitar o alimento ou procurar orientação de um médico ou nutricionista”, destacou.
Ao comentar sobre as diferenças entre chocolates com maior ou menor teor de cacau, a médica ressaltou que produtos com excesso de açúcar e gordura trans tendem a ser menos saudáveis.
“A gordura trans é algo que o corpo praticamente não reconhece. É uma gordura criada pela indústria, muitas vezes para baratear o produto. E quando você consome chocolates com pouco cacau, normalmente está ingerindo muito mais açúcar”, pontuou.
Apesar das exigências mais rígidas para rotulagem, a especialista acredita que a mudança pode ter efeito limitado nos hábitos de consumo da população, especialmente entre crianças e adolescentes.
“Infelizmente, eu acredito que isso não vai mudar muita coisa. As pessoas ainda comem muito pelo sabor e pelo marketing. A indústria investe pesado em embalagens chamativas e propagandas. A maioria busca o sabor adocicado, não necessariamente a qualidade do alimento”, avaliou.
A nova lei também determina que produtos que não atenderem aos critérios mínimos não poderão ser apresentados como “chocolate” tradicional e proíbe embalagens ou expressões que possam induzir o consumidor ao erro sobre a composição real do produto.
*Com informações do repórter JP Miranda