Familiares, amigos e colegas de farda prestam as últimas homenagens ao policial militar
Acontece nesta quarta-feira (18) o velório do policial militar Jovictor Oliveira Santos, no Centro de Velório da Pax Bahia, no bairro SIM, em Feira de Santana. Familiares, amigos e colegas de trabalho se reúnem para prestar as últimas homenagens ao jovem, que morreu aos 33 anos após um acidente de moto na BA-522, em Candeias.
O sepultamento está previsto para esta quinta-feira, às 9h. Entre os presentes, o empreendedor Hamilton Miranda, que conviveu de perto com Jovictor, descreveu a relação entre os dois como sendo de pai e filho.

“Uma relação de pai e filho. Ele me tinha como pai e eu tinha ele como filho. De um ano pra cá, ele foi morar lá em casa porque entrou na polícia e estava fazendo curso em uma cidade vizinha. Alugou a casa dele e ficou comigo nesses últimos dias de vida”, relatou.
Hamilton contou ainda que recebeu a notícia com abalo, especialmente por já ter enfrentado recentemente a perda de um filho.
“Pra mim foi um choque, porque eu perdi meu filho há três meses e meio. E como eu tinha o Jovictor como meu filho também, foi outra pancada. É uma perda muito grande, uma pessoa tão jovem, com tantos planos pela frente. Dia 29 ele completaria 34 anos”, lamentou.
Sobre a personalidade do policial, ele destacou a tranquilidade e a fé. “Era um menino super tranquilo, de pouca conversa, muito ligado à oração. Era evangélico, tinha poucos amigos, mas os amigos que tinha eram verdadeiros. Isso é uma qualidade muito grande. Sinto muito a perda dele.”

O empresário Manoel dos Reis também falou sobre a comoção e a surpresa diante da tragédia. “Foi uma grande perda, uma surpresa. Um rapaz jovem, ia fazer 34 anos, com todo um futuro pela frente. E acontece uma tragédia dessa.”
Já o publicitário e radialista Valdeir Uchôa ressaltou a convivência de mais de uma década com Jovictor e a confiança que depositava nele.
“Conviveu com a gente por mais de dez anos. Era uma das poucas pessoas em quem eu confiava pra pegar meus filhos e levar pra qualquer lugar. Tinha um coração enorme, um cara do bem demais”, afirmou.

Ele lembrou ainda que o policial havia acabado de realizar o sonho de ingressar na corporação. “Tinha acabado de realizar o sonho de virar policial. Aí vem uma tragédia dessa. Fica a gratidão e as boas lembranças das viagens, dos momentos vividos. Todo mundo gostava dele.”
Entre os presentes estão amigos que dividiram a rotina e até a mesma casa com Jovictor durante o período de formação e trabalho. O policial morava com os colegas Paulo Ricardo e Romeiro Franklin, com quem compartilhava o aluguel para evitar o deslocamento constante entre cidades.
Paulo Ricardo contou que a amizade começou ainda no período de formação.

“Eu conheci ele durante o curso e depois a gente começou a pegar amizade. Quando ele informou que ia ficar em Candeias, eu escolhi também. Depois decidimos dividir um aluguel para não precisar ficar no bate e volta. A gente, eu, Vitor e Romero, fomos dividir a casa”, relatou.
Sobre a convivência, ele destacou o jeito reservado do amigo. “Era uma pessoa maravilhosa, mais calado, mais na dele. A gente chamava para sair, mas ele sempre mais reservado. Fazia tudo correto, tudo certinho. Não tinha quem falasse mal. Só coisas boas mesmo.”
O último contato pessoal entre eles aconteceu na terça-feira, quando estavam saindo do serviço. Já por mensagem, conversaram na segunda-feira, em uma troca rápida sobre o aluguel. Paulo revelou que soube da morte nas primeiras horas da manhã, após uma ligação.
“Quando me ligaram dizendo que Vitor tinha sofrido um acidente e faleceu, eu pensei que fosse outro Vitor. Porque ele era super prudente na moto. Não gostava de andar à noite, tinha medo de buraco, de animal na pista. Justamente o que ele mais temia foi o que aconteceu”, lamentou.
Romeiro Franklin, que também dividia a residência com Jovictor, reforçou as qualidades do colega.

“Não tem palavra para definir um menino como ele. Uma pessoa muito gente boa, tranquila, prudente em tudo, focado na formação. Estava bem focado no curso. Infelizmente aconteceu essa tragédia e vai deixar só saudade.”
Segundo Romeiro, a ficha ainda não caiu. “Eu só vou me dar conta mesmo quando as aulas voltarem ao normal e eu não ver ele lá. A gente ia e voltava junto. A perda é imensa para todos nós. A ferida está aberta, com muita dor.”
*Com informações dos repórteres Rafael Marques e Ednalva Valença
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