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Companhia, afeto e rotina: como os pets melhoram a vida dos idosos

Veterinário alerta para os benefícios emocionais dos animais de estimação na terceira idade, mas reforça a importância da escolha responsável do pet

Victória SilvaRedação: Victória Silva
quarta-feira, 27 de maio de 2026 às 10:38
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Foto: Freepik

A presença de animais de estimação tem se tornado cada vez mais importante na vida de pessoas idosas, ajudando a combater a solidão, estimular a rotina e proporcionar mais qualidade de vida. O médico veterinário Dr. Luciano Muritiba destacou os impactos positivos da convivência entre pets e idosos, mas também fez um alerta sobre a escolha adequada do animal e as responsabilidades envolvidas.

Segundo o veterinário, a relação entre pets e tutores idosos vem ganhando destaque há muitos anos, especialmente porque muitos animais acompanham seus donos durante décadas, criando uma conexão profunda ao longo do envelhecimento.

“São pets e tutores que envelheceram juntos. Aquele animal acompanhou não só a idade do cão aumentando, mas também a idade do tutor. Eles acabam chegando à terceira idade juntos”, explicou Luciano Muritiba.

O especialista também chamou atenção para um cenário cada vez mais comum: idosos que decidem adotar um animal após a saída dos filhos de casa. De acordo com ele, os pets acabam exercendo um papel fundamental de companhia e afeto.

“Muitas vezes, os filhos cresceram, casaram, formaram suas famílias e foram morar em outras cidades ou países. Aquela pessoa que viveu cercada pelos filhos e netos acaba se vendo sozinha, e os pets desempenham um papel importante nessa companhia”, afirmou.

Além dos cães, o veterinário destacou que gatos, aves, roedores e até animais exóticos têm sido cada vez mais presentes nos lares, ajudando idosos a manter uma rotina mais ativa e prazerosa.

“São animais que vivem ao lado, dormem ao lado, sofrem juntos e têm suma importância para envelhecer com prazer, com alegria e ao lado de um bom pet”, ressaltou.

Escolha do animal deve levar em conta a rotina e limitações do idoso

Apesar dos benefícios, Dr. Luciano reforçou que a decisão de ter um animal precisa ser feita com responsabilidade, considerando as limitações físicas e o estilo de vida do tutor.

Ele explica que nem todos os animais são adequados para todas as pessoas, principalmente quando há limitações de mobilidade ou condições de saúde.

“Não recomendaríamos determinados cães para uma pessoa idosa com limitações, como um cadeirante ou alguém com pouca mobilidade, porque alguns animais precisam de exercícios periódicos e passeios frequentes”, pontuou.

Nesse contexto, o veterinário destaca que os gatos podem ser uma alternativa mais prática para muitos idosos, justamente pela independência e menor necessidade de atividades externas.

“Já ouvi de tutor dizendo: ‘Doutor, eu criava cachorro e agora estou criando gato’. O gato não pede para passear, por isso muitas vezes acaba sendo mais adequado”, comentou.

Dr. Luciano também destacou que a própria medicina tem indicado o convívio com animais para pessoas com Alzheimer e outros tipos de disfunções cognitivas, inclusive em instituições de acolhimento.

“Hoje muitos pets são utilizados em abrigos de idosos. Eles ajudam no acompanhamento, aumentam o senso de responsabilidade e estimulam a rotina. A pessoa precisa se levantar, dar comida, passear e isso traz alegria e convivência”, destacou.

Adoção consciente evita abandono

O veterinário reforçou ainda que a adoção de um pet não deve acontecer por impulso ou modismo, já que o animal exige cuidados permanentes, gastos e dedicação.

“O pet não é brinquedo. Junto com a alegria vêm responsabilidades, custos, espaço adequado e cuidados. Antes de adquirir um animal, a pessoa precisa ter certeza de que realmente quer aquele pet”, alertou.

Ele ainda destacou que decisões precipitadas acabam contribuindo para um problema crescente nas cidades brasileiras: o abandono de animais.

“Muitas pessoas adquirem um pet por modismo e depois descobrem que ele dá despesa, trabalho, faz sujeira e acabam abandonando. Isso vira um problema de saúde pública, com animais errantes, sem vacinação”, disse.

Dr. Luciano recomendou que idosos e familiares procurem orientação profissional antes da adoção, para garantir uma convivência saudável e adequada.

“Antes de adquirir um pet, o ideal é procurar um profissional para avaliar se aquele animal se adapta à vida da pessoa e se a pessoa também se adapta ao pet”, concluiu.

*Com informações do repórter JP Miranda

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