Patrícia Laís deixou a carreira de repórter após dez anos no jornalismo e passou a comandar franquias da Flora Pura em Feira de Santana e Itabuna
Uma mudança profissional motivada por desafios pessoais se transformou em uma nova oportunidade de vida. A jornalista Patrícia Laís, que atuou durante dez anos como repórter em emissoras afiliadas da Rede Bahia, decidiu deixar o jornalismo e investir no empreendedorismo. Hoje, ela é proprietária das franquias da Flora Pura em Feira de Santana e Itabuna.
Patrícia conta que a transição aconteceu depois de perceber que seu ciclo no jornalismo havia chegado ao fim. Segundo ela, a sobrecarga de trabalho e problemas pessoais contribuíram para a decisão de buscar um novo caminho profissional.
“Eu passei por um momento de adoecimento, que é algo muito comum hoje, uma sobrecarga de trabalho muito grande. Percebi que aquilo não fazia mais sentido para mim, embora fosse algo que eu amava muito”, relatou.
A jornalista começou a trajetória profissional no interior da Bahia, passando por Juazeiro e Itabuna, até chegar a Feira de Santana, onde encerrou sua atuação na televisão. Paralelamente à carreira na comunicação, ela já revendia produtos da Flora Pura e decidiu transformar a atividade em um negócio.
“Eu precisava começar alguma coisa do zero e foi assim que eu escolhi empreender. Uma dor acabou virando um propósito na minha vida”, afirmou.
A mudança, no entanto, trouxe novos desafios. Acostumada à rotina da comunicação, Patrícia precisou aprender praticamente do zero como administrar uma empresa.
“Estar à frente de um negócio é muito diferente. Eu não sabia de praticamente nada. Precisei aprender na marra mesmo”, contou.
Entre as principais dificuldades, ela cita burocracia, logística, relacionamento com clientes e fornecedores, operações bancárias e questões tributárias.
Patrícia deixou a televisão em fevereiro de 2024 e, pouco tempo depois, já estava à frente de um empreendimento. Para ela, o processo exigiu coragem para abandonar uma área na qual já tinha experiência e começar novamente.
“É um ato de coragem você reconhecer que aquilo ali não dá mais para você. Eu precisei ter essa coragem de reconhecer que não dava mais, que o ciclo tinha se fechado”, destacou.
A história de Patrícia com a marca começou quando ela ainda morava em Itabuna e trabalhava como repórter. Na época, conheceu a loja e passou a consumir os produtos. Depois de se mudar para Feira de Santana, continuou utilizando os cosméticos e decidiu se tornar revendedora.
A atividade começou como uma forma de gerar renda extra, mas acabou despertando o interesse pelo empreendedorismo.
“Quando eu chegava na redação, todo mundo perguntava qual perfume eu estava usando. Então eu falei: ‘vou vender, vou fazer dinheiro’”, lembrou.
A relação com a marca cresceu até que Patrícia decidiu abrir a primeira loja em Itabuna. Posteriormente, expandiu os negócios para Feira de Santana.
A Flora Pura é uma marca cearense, fundada em 1949, na cidade de Cariús. De acordo com Patrícia, o portfólio reúne produtos de perfumaria, cuidados pessoais, itens para cabelo e ambiente, além de alimentos e suplementos.
Entre os produtos comercializados estão perfumes, cosméticos, creatina, ômega 3, vitaminas e pré-treinos.
Em Feira de Santana, as lojas estão localizadas na Avenida Getúlio Vargas, na Galeria Avenida Center, e na Avenida Fraga Maia, no Shopping Millennium. A empresária também mantém a unidade pioneira em Itabuna.
A comunicação, área na qual Patrícia construiu a carreira, continua presente na rotina empresarial. Atualmente, ela utiliza a experiência como jornalista para produzir conteúdo e se aproximar dos consumidores nas redes sociais.
“Hoje eu sou a cara do meu negócio. Sou eu que pego o meu celular para dar bom dia para as pessoas todos os dias, explicar para que aquele produto serve e mostrar um lançamento”, explicou.
Para Patrícia, a relação entre empresa e consumidor mudou com o crescimento das redes sociais. Segundo ela, mais do que uma carteira de clientes, os empreendedores precisam construir uma comunidade em torno da marca.
“Hoje você não tem uma carteira de clientes. Você precisa ter uma comunidade que esteja conectada com você, com a sua imagem, com a sua essência, com quem você é e com o propósito da sua marca”, afirmou.
Para quem pensa em mudar de carreira, mas tem receio de recomeçar, Patrícia reconhece que o medo faz parte do processo. Ela afirma que também continua enfrentando inseguranças, mesmo depois de consolidar o negócio.
“Todas as vezes que precisei inaugurar e colocar um empreendimento para funcionar, fui com muito medo. Até hoje eu tenho medo. Hoje eu acordei com medo”, revelou.
A empresária aconselha quem está insatisfeito profissionalmente a avaliar os próprios objetivos e buscar uma atividade que tenha significado.
“Sejam gentis com vocês mesmos, tenham paciência, porque realmente é algo que assusta, é algo que dá medo. Mas pega o medo, vai com medo mesmo”, aconselhou.