A repercussão da fala do chanceler alemão continua crescendo dentro e fora da COP30
A fala do chanceler alemão Friedrich Merz, que relatou que todos ficaram satisfeitos em deixar a capital paraense, repercutiu de forma negativa entre participantes da COP30.
O chanceler mencionou que perguntou aos jornalistas que o acompanhava quem gostaria de permanecer na cidade: "Ninguém levantou a mão. E todos ficamos contentes em voltar para a Alemanha", afirmou.
As declarações foram classificadas como preconceituosas e desrespeitosas por representantes de organizações brasileiras ouvidos por Jorge Bianchi.
Lucas Paixão, representante da Associação Nacional de Pós-Graduandos, afirmou que a fala ignora o acolhimento que os belenenses têm oferecido às delegações estrangeiras.

“Eu avalio que foi muito infeliz. Depois de todo o esforço e carinho que os brasileiros tiveram para receber todos os países, é muito triste escutar algo assim”, afirmou.
Lucas destacou o cuidado da população local.
“Nós que vivemos aqui nos preparamos para receber calorosamente todos os convidados desse encontro tão importante. Aqui no Brasil tem amor, afeto, carinho e uma recepção calorosa. Se ele só tem isso a oferecer, fico triste por eles.”
Lucas também defende que Friedrich se desculpe.
“Com certeza ele deveria se retratar. Foi uma fala preconceituosa que ofendeu a nossa nação. O Brasil fez um esforço enorme para realizar essa COP, que é a COP da floresta.”
Wanderson Souza Costa, da Associação Engajamundo, também classificou a declaração como preconceituosa.

“O comentário foi muito infeliz porque reflete uma lógica de poder do Norte Global”, afirmou.
Ele lembrou que a COP na Amazônia representa uma quebra de narrativa internacional.
“Ter a COP em Belém significa dar voz aos povos que mais sofrem com a crise climática. Quando o chanceler faz essa fala, ele desconsidera isso e reforça uma visão distorcida do que é esse território.”
Para Wanderson, o desconforto de delegações europeias com a COP na Amazônia ficou evidente.
“Eles foram tirados do lugar de conforto e quando enfrentaram o contraponto, reagiram da pior forma.”
Nathália Vasques, que atua como voluntária no evento, também demonstrou tristeza com o comentário.

“É muito triste porque nós, como voluntários, nos preparamos muito, tanto na capacitação quanto no acolhimento. Temos recebido muitos elogios sobre a receptividade de Belém”, disse.
Ela acredita que o chanceler foi influenciado por preconceitos já existentes contra a região Norte.
“Alguns países ainda acham que são melhores que o Brasil e Belém não costuma estar no radar nacional, sempre favorecem Sul e Sudeste. Esse preconceito contra Belém talvez tenha motivado essa fala.”
*Com informações de Jorge Biancchi, direto da COP 30 em Belém