Advogado afirma que laudos psiquiátricos e cooperação do acusado devem ser considerados pelo Conselho de Sentença
Durante o julgamento do feminicídio que vitimou a estudante Sashira Camilly Cunha Silva, de 19 anos, realizado no Fórum Felinto Bastos, em Feira de Santana, a defesa do réu Rafael Souza afirmou que o Tribunal do Júri deve analisar o caso à luz da complexidade humana envolvida e dos transtornos mentais diagnosticados no acusado.
O advogado de defesa Hobert Limoeiro afirmou que a expectativa do júri é que seja consolidado aquilo que já consta nos autos do processo, que tramitaram por quase cinco anos.
“O Tribunal do Júri é o tribunal das tragédias humanas. Nesse caso específico, a tristeza é ainda maior por se tratar de pessoas jovens, tanto da vítima quanto do acusado, que hoje responde sozinho por esse fato”, afirmou.
Segundo o advogado, Rafael possui transtornos mentais diagnosticados, que teriam sido determinantes no desfecho do crime ocorrido em 15 de setembro de 2021.
“É uma situação peculiar por conta dos transtornos mentais que vêm sendo diagnosticados e tratados. Sem sombra de dúvidas, esses transtornos contribuíram para que esse desfecho terminasse nessa tragédia”, disse.
Hobert explicou que foi instaurado um incidente de insanidade mental, requerido tanto pela defesa quanto pelo Ministério Público, que resultou em laudos periciais.
“Foi diagnosticado o transtorno de personalidade borderline, entre outros transtornos dissociativos, dentro do contexto fático do que aconteceu. Isso não foi de um dia para o outro, mas uma série de fatores que infelizmente culminaram nesse dia fatídico.”
A defesa também enfatizou que Rafael confessou participação no crime desde o início e colaborou com as investigações de forma imediata.
“Desde o dia 15 de setembro de 2021, Rafael confessou a participação. Assim que os fatos ocorreram, a primeira providência que ele tomou foi ir à delegacia para relatar tudo, quando a vítima ainda nem havia sido dada como desaparecida.”
De acordo com o advogado, enquanto o acusado já prestava depoimento à polícia, a vítima ainda estava sob o domínio de outro envolvido no crime, que não está sendo julgado nesta sessão.
“Rafael trouxe todas as informações necessárias para que a polícia pudesse localizar Sashira. Infelizmente, ela só foi encontrada no dia seguinte e já sem vida.”
Hobert ressaltou ainda que a postura colaborativa do réu se manteve durante todo o processo.
“Desde o dia fatídico, Rafael corrobora com as investigações, tanto na fase policial quanto em juízo, fornecendo todas as informações possíveis para que os jurados possam hoje julgar conforme os fatos e a verdade daquele dia.”

Questionado sobre a possibilidade de absolvição, o advogado afirmou que ainda é cedo para prever o resultado, destacando o caráter subjetivo do Tribunal do Júri.
“O resultado do júri é um resultado de sentimentos. Hoje temos um Conselho de Sentença formado por sete pessoas que vão examinar a percepção do que aconteceu e o porquê aconteceu.”
Segundo ele, a defesa apresentará diferentes teses ao longo do julgamento.
“Nós vamos trabalhar com teses que podem levar à absolvição, mas também com aquelas que já vêm sendo expostas desde o início do processo e que levaram à pronúncia do réu.”
Hobert concluiu afirmando que a decisão final caberá aos jurados, a partir da análise completa dos fatos.
“Ao final, os jurados vão decidir aquilo que entendem como justo, como a resposta da sociedade para o caso concreto e para a situação de Rafael.”
O júri segue em andamento no Fórum Felinto Bastos.
*Com informações do repórter Robson Nascimento
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