Investigação identificou 34 vítimas e aponta que suspeita desviava pagamentos de pacientes por meio de links falsos de PIX e cartão.
Após quase um ano de investigação, a Polícia Civil da Bahia concluiu o inquérito que apurou um esquema de estelionato contra clientes de uma clínica de estética de Feira de Santana. A principal suspeita é uma ex-funcionária de 39 anos, que foi indiciada pelo crime de estelionato em continuidade delitiva. O prejuízo estimado chega a cerca de R$ 400 mil.
A investigação foi conduzida pela Delegacia de Repressão a Furtos e Roubos (DRFR), que reuniu documentos, depoimentos de vítimas e testemunhas, além de análises financeiras e perícias realizadas ao longo de aproximadamente 11 meses.
Segundo o delegado José Marcos Rios, titular da especializada, as investigações começaram após a clínica denunciar irregularidades nos pagamentos realizados por pacientes.
"Essa investigação começou praticamente há um ano, quando chegou ao nosso conhecimento a notícia desses desvios que ocorriam na clínica. Foram cerca de onze meses de investigação, com muitas pessoas ouvidas, documentos recolhidos, cumprimento de mandado de busca e apreensão e análise de todo esse material", afirmou.
De acordo com a Polícia Civil, a investigada aproveitava a confiança conquistada junto aos pacientes para encaminhar links falsos de pagamento. Ela teria criado uma conta com nome semelhante ao da clínica para induzir os clientes ao erro.
"Ela criou uma conta fake com nome parecido com o da clínica e encaminhava o link aos pacientes para pagamento via PIX. Na verdade, o dinheiro caía na conta dela", explicou o delegado.
As investigações apontam ainda que a suspeita criou uma pessoa jurídica e cadastrou uma máquina de cartão vinculada a uma empresa denominada "Clínica Geral", utilizada exclusivamente para receber os valores desviados. Dessa forma, os pacientes acreditavam estar quitando os procedimentos diretamente com a clínica, quando os recursos eram transferidos para contas controladas pela investigada.
Até o momento, a Polícia Civil identificou 34 vítimas que realizaram pagamentos de procedimentos médicos e estéticos, com valores que variavam entre R$ 3 mil e R$ 20 mil.
"Nesse modus operandi identificamos pelo menos 34 pacientes que fizeram pagamentos de valores consideráveis, de três, cinco, oito, dez, doze, quinze e até vinte mil reais, todos direcionados para a conta da funcionária", destacou José Marcos Rios.
Embora o proprietário da clínica estime um prejuízo de aproximadamente R$ 400 mil, a investigação conseguiu comprovar, até agora, o desvio de cerca de R$ 300 mil.
"O prejuízo estimado pela clínica gira em torno de quatrocentos mil reais. Comprovadamente, conseguimos identificar algo em torno de trezentos mil. São valores consideráveis e uma quantidade muito grande de vítimas", ressaltou.
O delegado informou que, apesar da conclusão do inquérito e do indiciamento da suspeita, as investigações continuam para identificar possíveis novas vítimas e verificar se outras pessoas participaram do esquema.
"Essa é uma primeira etapa concluída. Vamos dar prosseguimento às investigações para identificar mais vítimas, verificar se houve participação de outras pessoas e aprofundar ainda mais o que foi construído ao longo desse um ano de investigação."
A Polícia Civil destacou ainda que todos os procedimentos médicos e estéticos contratados pelos pacientes foram efetivamente realizados. Segundo a investigação, o prejuízo financeiro foi suportado exclusivamente pela clínica, que honrou os atendimentos mesmo sem receber os pagamentos desviados.
O inquérito foi encaminhado ao Poder Judiciário para as providências legais.