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Depressão pode se manifestar na saúde capilar; especialista alerta para sinais silenciosos

Tricologista Luciana Lago explica como mudanças no comportamento com o cabelo podem indicar sofrimento emocional

Por Rafa
sábado, 14 de fevereiro de 2026

A relação entre saúde emocional e saúde capilar tem sido cada vez mais observada nos consultórios especializados. Em entrevista ao programa Jornal do Meio Dia da Rádio Princesa FM, a tricologista e terapeuta Luciana Lago destacou que a depressão pode se manifestar de forma silenciosa através de mudanças no comportamento com o próprio cabelo e muitas vezes os sinais são percebidos primeiro por familiares.

“Esses sintomas geralmente não são percebidos pela própria pessoa, geralmente sempre por um terceiro, um parente, alguém muito próximo”, afirmou Luciana. Segundo ela, o desleixo com a aparência pode ser um dos primeiros alertas. “Deixar de pentear o cabelo com a frequência que já tinha, deixar de lavar, estar sempre com o mesmo penteado, não fazer questão de ter uma boa aparência, é um desleixo totalmente perceptível.”

A profissional relatou casos marcantes no consultório, como o de uma adolescente de 14 anos que passou seis meses sem pentear o cabelo. “Criaram-se muitos nós e a mãe teve que trazê-la para cortar. Foi algo bem marcante”, contou.

De acordo com Luciana, o impacto emocional na saúde capilar pode começar cedo, ainda na infância.

“A gente já vê crianças de nove, dez anos apresentando sintomas. Muitas vezes vêm de lares com desequilíbrio familiar e elas reagem através do comportamento.”

Entre os sinais observados estão apatia, descuido com a aparência e até tipos específicos de queda de cabelo.

“Quando você perceber que a criança está indiferente à própria aparência, é bom ligar o alerta”, orientou.

Ela também chamou atenção para adolescentes que nunca estão satisfeitas com a própria imagem.

“O que está dentro acaba vindo pra fora. Às vezes há um reboliço muito grande interno e essa insatisfação é descontada no cabelo.” Segundo Luciana, isso ajuda a explicar o excesso de procedimentos estéticos em busca de uma mudança externa que, na verdade, reflete um conflito emocional.

A especialista alerta que a relação entre cabelo e depressão pode ocorrer em dois sentidos. “A depressão pode causar queda de cabelo, como a queda de cabelo também pode causar depressão.”

Luciana relatou casos de mulheres que passaram por procedimentos estéticos mal-sucedidos, como alisamentos ou mudanças de cor, que resultaram em rompimento dos fios — o chamado corte químico.

“Para muitas mulheres, o cabelo é o ponto da autoestima. Quando você mexe com o cabelo é como se estivesse mexendo com uma coroa.”

Ela explica que algumas reagem com mais tranquilidade, mas outras entram em sofrimento profundo.

“Elas choram, se culpam, não querem sair de casa, evitam ambientes. É preciso ter um olhar carinhoso para restaurar essa autoestima.”

Outro ponto destacado foi a influência hormonal e medicamentosa. “Praticamente todos os antidepressivos podem causar queda de cabelo pela inibição de alguns hormônios e produção excessiva de outros”, explicou.

Por isso, Luciana defende uma abordagem sistêmica. “A queda de cabelo nunca é um fato sozinho. Ela é sistêmica. Não é somente uma causa. Existem vários fatores determinantes.” Segundo ela, no atendimento é realizada uma avaliação integrada, considerando aspectos biológicos, emocionais e até espirituais.

“Não tratamos somente a consequência, mas buscamos entender a causa, o ponto de partida que provocou aquela queda”, ressaltou.

Durante a entrevista, Luciana também compartilhou uma experiência pessoal da infância, quando desenvolveu tricotilomania, um transtorno caracterizado pelo impulso de arrancar os próprios fios.

“Dos dez aos quatorze anos eu arrancava cabelo e minha mãe não percebeu. Ficaram três buracos na minha cabeça. Foi algo silencioso”, revelou.

Ela alerta que a automutilação nem sempre é evidente. “Tem gente que acha que mutilação é só se cortar, mas começa roendo unhas, arrancando cabelo, comendo demais. São comportamentos que mostram que o emocional já está sendo afetado.”

Luciana reforça que a depressão tem aumentado e que a falta de informação dificulta o diagnóstico precoce. “Só quem passa ou já passou sabe o quanto é difícil. Muitas situações são silenciosas.”

Para ela, é fundamental que famílias estejam atentas aos sinais comportamentais e busquem ajuda especializada.

“Tem coisas que são totalmente reversíveis. Quando o cabelo vira um embate, vamos buscar um especialista para encontrar essa solução o mais rápido possível.”

A tricologista também utiliza as redes sociais para orientar a população. “Estamos sempre trazendo conteúdos educativos. Informação é essencial para restabelecer saúde e, consequentemente, cabelo”, concluiu.

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