A FUP tem intensificado as ações em defesa da reestatização da RLAM
O presidente da Federação Única dos Petroleiros (FUP) e membro do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social Sustentável, Deyvid Bacelar, voltou a criticar os impactos da privatização da Refinaria Landulpho Alves (RLAM), hoje denominada Refinaria de Mataripe, administrada pela Acelen. Ele afirmou que o Estado da Bahia tem perdido cerca de R$ 500 milhões por mês em arrecadação de ICMS desde a venda da unidade.
Segundo Bacelar, a perda de receita é consequência direta da redução da capacidade operacional da refinaria após a privatização.
“A Bahia perde por mês em torno de quinhentos milhões de reais na arrecadação de ICMS por conta da privatização da RLAM. Quando a refinaria era da Petrobras, ela representava cerca de 25% de todo o ICMS do estado, porque operava com 95% a 97% de sua capacidade. Hoje, sob a gestão privada, funciona em média com apenas 66%”, explicou.
O dirigente sindical destacou ainda o impacto da queda de produção sobre os municípios baianos, especialmente São Francisco do Conde, onde a refinaria está localizada.
“Só para se ter uma ideia, São Francisco do Conde teve uma queda de quase quarenta milhões de reais por mês em arrecadação. Isso representa menos investimentos em saúde, educação e infraestrutura”, lamentou.
Além das perdas fiscais, Bacelar criticou o modelo de precificação adotado pela Acelen, que utiliza o Preço de Paridade de Importação, vinculado ao dólar e ao mercado internacional do petróleo.
“Aqui na Bahia o preço dos combustíveis é muito mais alto que no resto do Brasil, porque a Acelen adota o preço de paridade de importação, diferente da Petrobras. Isso prejudica diretamente o consumidor baiano e a nossa indústria química e petroquímica, especialmente o polo de Camaçari, que está sofrendo muito com essa privatização”, afirmou.
No ano em que a refinaria completou 75 anos de funcionamento, a FUP retomou a campanha pela reestatização da unidade, defendendo que a Petrobras recompre o ativo, vendido ao fundo Mubadala Capital em 2021.
“A Refinaria Landulpho Alves é do povo baiano. O fundo quer vender, a Petrobras quer comprar. O que está faltando? Precisamos que o povo da Bahia esteja conosco nessa luta para que a refinaria volte às mãos do povo e os preços voltem a ser mais justos”, concluiu Deyvid Bacelar.
A FUP tem intensificado as ações em defesa da reestatização da RLAM, alegando que a privatização causou graves prejuízos econômicos e sociais ao estado e à população baiana.