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Dia do Leitor: educadora destaca leitura como ato de resistência em meio à era digital

Para a professora e coordenadora pedagógica Ana Claudia Bastos, formar leitores é essencial para o desenvolvimento do pensamento crítico, da boa escrita e da cidadania

Por Rafa
quarta-feira, 07 de janeiro de 2026
Foto: Arquivo Pessoal
Foto: Foto: Arquivo Pessoal

Nesta quarta-feira, 7 de janeiro, Dia do Leitor, a professora de português e redação, Ana Claudia Bastos, que também atua como coordenadora pedagógica e palestrante, reforçou a importância da leitura como base da formação humana, intelectual e social, especialmente em um cenário marcado pela velocidade das telas e pelo consumo rápido de informações.

Segundo a educadora, nunca foi tão necessário reafirmar o papel da leitura na sociedade.

“É extremamente importante falar sobre leitura. Nunca foi tão importante reafirmar a necessidade de uma formação leitora em nossa sociedade”, destacou.

Foto: Arquivo Pessoal

Ana Claudia avalia que incentivar o hábito da leitura desde a infância e adolescência se tornou um verdadeiro ato de resistência.

“Estimular o hábito da leitura hoje é um gesto quase de resistência, no melhor sentido da palavra. Em meio a essa velocidade das telas e ao consumo rápido de informações, a leitura ensina a parar, aprofundar e refletir”, afirmou.

Para a professora, a leitura vai muito além do ambiente escolar e contribui diretamente para o desenvolvimento de competências essenciais.

“A leitura desenvolve concentração, empatia, imaginação e a capacidade de análise, que são competências fundamentais não apenas para a sala de aula, mas para a vida”, explicou.

Ela também alertou para a incoerência entre o excesso de informação disponível e a falta de reflexão.

“A gente consome e produz tanta informação, mas ao mesmo tempo vive um déficit muito grande de reflexão, justamente pela falta de uma formação leitora sólida”, pontuou.

Apesar dos avanços tecnológicos, Ana Claudia defende que nenhuma inovação substitui a leitura.

“Toda tecnologia que a gente desfruta hoje veio de uma formação leitora. A tecnologia não vai substituir o poder da leitura, da reflexão e da criação”, ressaltou.

Ela destacou ainda que a inteligência artificial deve ser vista como uma ferramenta de apoio, e não como substituta do pensamento humano.

“A inteligência artificial jamais vai substituir o fazer humano. Para comandá-la, é preciso ser leitor, ter clareza, pensamento crítico e domínio da linguagem”, disse.

A educadora enfatizou que a formação do leitor é uma responsabilidade compartilhada entre escola e família.

“Formar leitor não é cobrar leitura, mas criar vínculos com os textos e esses textos não estão apenas na língua portuguesa, mas em todas as áreas do conhecimento”, afirmou.

Ela destacou a importância da mediação pedagógica, dos projetos de leitura e do protagonismo do professor.

“O chão da sala de aula é sagrado. É ali que a formação leitora acontece de forma completa, com diálogo, contextualização e troca de ideias”, completou.

Ana Claudia também relacionou a leitura ao desempenho em avaliações e à produção textual.

“Não existe escrita consistente sem leitura prévia. Quem lê com frequência amplia vocabulário, repertório, estrutura argumentativa e senso crítico”, explicou.

Segundo ela, o domínio da língua portuguesa, considerada por ela uma língua arbitrária, depende muito mais da leitura do que da simples memorização de regras.

“O que garante uma boa escrita não é decorar a gramática, mas uma leitura efetiva”, afirmou.

Ela ressaltou que estudantes leitores têm mais facilidade para organizar ideias, sustentar argumentos e diferenciar fatos de opiniões, habilidades fundamentais em provas como o ENEM e vestibulares.

Ana Claudia deixou um convite à reflexão e à ação. “A gente vive uma ilusão de que não precisamos mais ler, que um resumo ou um vídeo substitui o livro. Isso não é verdade. Os resumos não substituem o pensamento do autor”, alertou.

Para ela, a leitura está diretamente ligada à liberdade e à condição humana. “Ler é mergulhar, produzir, criar. É isso que nos move enquanto seres pensantes. Ler abre portas, tira a venda dos olhos e liberta”, concluiu.

*Com informações do repórter JP Miranda

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