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Doenças renais exigem prevenção e acompanhamento, alerta nefrologista

Diante dos riscos, o especialista reforça a principal mensagem: prevenção e acompanhamento regular são as melhores formas de proteger a saúde dos rins

Por Rafa
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026
Foto: JP Miranda
Foto: Foto: JP Miranda

A saúde dos rins ainda é negligenciada por grande parte da população, principalmente porque as doenças renais costumam evoluir de forma silenciosa. O alerta é do nefrologista Dr. Maurício Soledad, que reforça a importância do acompanhamento preventivo, especialmente para quem já convive com doenças crônicas.

“Sempre que a pessoa tiver alguma doença crônica e usar medicações diariamente, como hipertensão ou diabetes, ela deve procurar um nefrologista pelo menos uma vez na vida para fazer o rastreamento de doença renal”, orienta o médico.

Segundo ele, além da pressão alta e do diabetes, hábitos como tabagismo, consumo excessivo de álcool, obesidade e sedentarismo aumentam significativamente o risco de comprometimento dos rins.

Um dos maiores desafios das doenças renais é justamente a ausência de sintomas claros nas fases iniciais.

“A maioria das vezes o paciente não vai notar nada. As doenças renais não dão sinais muito específicos. A pessoa pode sentir mal-estar, fraqueza, inchaço ou ter pressão de difícil controle, mas nada muito evidente”, explica.

Foto: JP Miranda

O especialista destaca que muitos pacientes chegam ao consultório após passarem por vários médicos tentando controlar a pressão arterial sem sucesso.

“Esses são os pacientes que mais frequentemente acabam no ambulatório de nefrologia”, afirma.

De acordo com o médico, quando surgem sintomas mais perceptíveis, o quadro já pode estar avançado.

“O paciente só vai sentir alguma coisa quando já perdeu grande parte da função renal. Por isso, o acompanhamento precisa ser preventivo”, reforça.

Entre os principais cuidados com a saúde renal está a hidratação adequada. Embora ressalte que, em casos avançados de doença renal, o consumo de líquidos possa até ser restrito, o médico enfatiza que, na prevenção, a ingestão de água é fundamental.

“A hidratação é um dos pilares da prevenção da doença renal. O rim precisa de líquido para funcionar plenamente”, afirma.

Ele lembra que líquidos incluem não apenas água, mas também sucos e chás. No entanto, recomenda cautela com bebidas açucaradas e reforça a importância de reduzir o consumo de sal.

“Diminuindo o sal, você melhora a diurese, urina melhor e reduz o risco de hipertensão”, pontua.

A prática de atividade física regular também é essencial. “O ideal é realizar atividade física organizada, cinco a seis vezes por semana, por pelo menos 40 minutos, pois isso reduz o risco de desenvolver doenças renais”, orienta.

Apesar dos cuidados, ele ressalta que algumas doenças têm influência genética e hereditária.

Muitas pessoas associam dor nas costas a problemas nos rins, mas o especialista alerta que nem toda dor lombar é renal.

“A dor renal é muito específica. Normalmente é intensa, leva o paciente ao pronto-socorro e, muitas vezes, precisa de medicação na veia, porque há casos em que a pessoa chega a desmaiar de tanta dor”, explica.

Segundo ele, a dor costuma ser de curta duração, porém muito intensa, e frequentemente acompanha alterações urinárias.

“A urina pode ficar avermelhada, escura, como refrigerante tipo Coca-Cola, ou até esverdeada”, detalha.

No entanto, ele ressalta: “A dor não é o principal indicador de disfunção renal. Existem outros sinais que aparecem antes e que ajudam no diagnóstico”.

Sobre as infecções urinárias, o nefrologista diferencia os quadros leves dos mais graves. As chamadas infecções urinárias baixas — que atingem a bexiga e a uretra — são mais comuns e tratadas com antibióticos via oral.

“Elas são mais simples e o paciente geralmente trata em casa”, afirma.

Já as infecções urinárias altas, que acometem diretamente os rins, são mais graves.

“Normalmente exigem internação e, em alguns casos, até tratamento em UTI, com antibiótico venoso por período prolongado”, alerta.

Esses quadros podem provocar perda temporária da função renal e, em casos raros, danos permanentes.

*Com informações do repórter JP Miranda

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