O arcebispo criticou a desinformação que acompanha os conflitos e destacou que a guerra não atinge apenas uma região específica.
A nova escalada de violência no Oriente Médio frustrou, mais uma vez, o sonho de fiéis de Feira de Santana de peregrinar à Terra Santa. A viagem, marcada para o próximo dia 15 de março, foi adiada em razão do conflito envolvendo Israel, Irã e Estados Unidos.
Organizada pela agência Peregrinação Viagens e Turismo, sob coordenação de Jair Bezerra, a caravana seria liderada espiritualmente pelo arcebispo metropolitano de Feira de Santana, Dom Zanoni Demettino Castro, e reuniria um grupo de fiéis e autoridades da cidade e da região.
Entre os integrantes da comitiva estavam o prefeito de Feira de Santana, José Ronaldo de Carvalho, lideranças religiosas como Dom Paulo Romeu Dantas, da Diocese de Jequié, e Dom Estevam dos Santos Silva Filho, da Diocese de Ruy Barbosa, além de empresários e membros da comunidade local.
É a segunda vez que o grupo precisa adiar a peregrinação. A primeira ocorreu em 7 de outubro de 2023, quando a guerra eclodiu na região.
Em entrevista ao programa ornal do Meio Dia da rádio Princesa FM, Dom Zanoni lamentou o momento e refletiu sobre o cenário internacional.
“Fomos surpreendidos, mas não tão surpreendidos, porque já estávamos acompanhando essa guerra em pedaços, como falava o Papa Francisco. Agora vemos esse momento difícil e a primeira vítima da guerra é a verdade”, afirmou.
O arcebispo criticou a desinformação que acompanha os conflitos e destacou que a guerra não atinge apenas uma região específica.
“A guerra não faz bem pra ninguém. Não atinge somente o povo daquela região, mas atinge todos nós. Atinge crianças, mulheres, homens. É um escândalo.”
Segundo ele, a decisão de adiar novamente a peregrinação foi tomada com equilíbrio e responsabilidade.
“De maneira ponderada, queremos visitar a Terra Santa, queremos cantar ‘Que alegria quando me disseram: vamos à casa de Deus’. Mas que Jerusalém, cidade da paz, viva de fato essa paz.”
Dom Zanoni também fez um apelo espiritual, reforçando o caminho da reconciliação como alternativa ao ciclo de violência.
“O que se escuta é ‘olho por olho, dente por dente’. Mas o caminho é o da reconciliação. ‘Eu, porém, vos digo: amai os vossos inimigos’. Não há outra alternativa senão o caminho proposto por Jesus.”
Ele ainda alertou para os riscos da polarização e das informações distorcidas.
“Nós que acompanhamos sabemos da complexidade geopolítica, mas há canais que não têm interesse na verdade. Como Igreja, temos a missão de iluminar, de ser sal da terra e luz do mundo.”
A agência responsável pela organização da viagem já estuda uma nova data, condicionada à estabilização do cenário e à garantia de segurança para os peregrinos.