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Draco identifica atuação de facção em rede bilionária de combustíveis na Bahia

A operação resultou no bloqueio judicial de R$ 6,5 bilhões

Por Rafa
sexta-feira, 17 de outubro de 2025
Imagem de Draco identifica atuação de facção em rede bilionária de combustíveis na Bahia

A Polícia Civil da Bahia revelou novos detalhes sobre a Operação Primus, que desarticulou um braço de uma facção responsável por um vasto esquema de adulteração e comercialização irregular de combustíveis, além de lavagem de dinheiro e evasão fiscal no estado.

Segundo o diretor do Departamento de Repressão e Combate ao Crime Organizado (Draco), delegado Fábio Lordello, o grupo operava por meio de uma rede com mais de 200 postos de combustíveis espalhados pelo estado, além de empresas de fachada que serviam para movimentar recursos ilícitos. O delegado explicou que o esquema envolvia a compra e manipulação de nafta, substância usada para adulterar combustíveis, e que o material era armazenado em galpões localizados em Feira de Santana, Alagoinhas, Conceição do Jacuípe e outras cidades da região.

“A organização possuía muito capital e precisava distribuí-lo. Na Bahia, encontrou essa rede de postos que possibilitou o fluxo financeiro e a adulteração de combustíveis, multiplicando os ganhos ilícitos”, afirmou.

A operação resultou no bloqueio judicial de R$ 6,5 bilhões, valor que, de acordo com o delegado, demonstra a magnitude e o impacto econômico do esquema.

“Uma organização desse porte afeta toda a sociedade — do consumidor que abastece com combustível adulterado à violência gerada pelo financiamento de armas e drogas. O foco do Draco é descapitalizar e atingir o topo dessas estruturas criminosas”, completou.

A delegada Haline Peixinho, diretora do Draco, informou que a investigação teve origem na descoberta de batedeiras clandestinas de nafta em Conceição do Jacuípe. O local funcionava como depósito para o composto químico utilizado na adulteração de combustíveis.

A delegada destacou ainda que os criminosos utilizavam ‘laranjas’ e contadores para ocultar a real propriedade das empresas e movimentar grandes valores sem levantar suspeitas. “A análise das alterações contratuais e o rastreamento das notas fiscais vinculadas à Copape foram fundamentais para identificar a rede de vínculos entre Bahia e São Paulo”, acrescentou.

Haline Peixinho também confirmou que os postos envolvidos não possuíam uma bandeira específica.

“Atualmente, não há mais direcionamento para uma bandeira. São diversas redes e tipos de postos operando sob o mesmo esquema de adulteração e lavagem”, explicou. Ela informou que uma nova frente de apuração fiscal será aberta para calcular o prejuízo à arrecadação estadual, já que o valor exato da evasão de impostos ainda está sendo apurado.

O secretário de Segurança Pública da Bahia, Marcelo Werner, reforçou que a Operação Primus representa uma ação direta contra a estrutura financeira do PCC no estado.

“Ao que tudo indica, a operação atingiu a liderança financeira da facção. Ela começou a partir de denúncias de adulteração de combustível e avançou para uma rede de ocultação e lavagem de dinheiro, com ligações diretas aos principais operadores da facção em São Paulo”, afirmou Werner.

Segundo o secretário, a investigação confirma o vínculo direto entre os operadores de lavagem de dinheiro da facção paulista e os responsáveis pela rede baiana, o que levou à investigação de cerca de 200 postos de combustíveis.

“O bloqueio de R$ 6,5 bilhões mostra a grandiosidade desse esquema e o impacto da ação da Polícia Civil contra o crime organizado”, concluiu.

Com as prisões dos principais alvos na Bahia e a continuidade das diligências, o Draco pretende identificar e desmantelar toda a estrutura da facção, desde o topo até as bases operacionais. “A sociedade pode ter certeza de que todos os envolvidos sofrerão a ação repressiva da Polícia Civil”, finalizou o delegado Fábio Lordello.

*Com informações Bahia Notícias

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