A operação resultou no bloqueio judicial de R$ 6,5 bilhões
A Polícia Civil da Bahia revelou novos detalhes sobre a Operação Primus, que desarticulou um braço de uma facção responsável por um vasto esquema de adulteração e comercialização irregular de combustíveis, além de lavagem de dinheiro e evasão fiscal no estado.
Segundo o diretor do Departamento de Repressão e Combate ao Crime Organizado (Draco), delegado Fábio Lordello, o grupo operava por meio de uma rede com mais de 200 postos de combustíveis espalhados pelo estado, além de empresas de fachada que serviam para movimentar recursos ilícitos. O delegado explicou que o esquema envolvia a compra e manipulação de nafta, substância usada para adulterar combustíveis, e que o material era armazenado em galpões localizados em Feira de Santana, Alagoinhas, Conceição do Jacuípe e outras cidades da região.
“A organização possuía muito capital e precisava distribuí-lo. Na Bahia, encontrou essa rede de postos que possibilitou o fluxo financeiro e a adulteração de combustíveis, multiplicando os ganhos ilícitos”, afirmou.
A operação resultou no bloqueio judicial de R$ 6,5 bilhões, valor que, de acordo com o delegado, demonstra a magnitude e o impacto econômico do esquema.
“Uma organização desse porte afeta toda a sociedade — do consumidor que abastece com combustível adulterado à violência gerada pelo financiamento de armas e drogas. O foco do Draco é descapitalizar e atingir o topo dessas estruturas criminosas”, completou.
A delegada Haline Peixinho, diretora do Draco, informou que a investigação teve origem na descoberta de batedeiras clandestinas de nafta em Conceição do Jacuípe. O local funcionava como depósito para o composto químico utilizado na adulteração de combustíveis.
A delegada destacou ainda que os criminosos utilizavam ‘laranjas’ e contadores para ocultar a real propriedade das empresas e movimentar grandes valores sem levantar suspeitas. “A análise das alterações contratuais e o rastreamento das notas fiscais vinculadas à Copape foram fundamentais para identificar a rede de vínculos entre Bahia e São Paulo”, acrescentou.
Haline Peixinho também confirmou que os postos envolvidos não possuíam uma bandeira específica.
“Atualmente, não há mais direcionamento para uma bandeira. São diversas redes e tipos de postos operando sob o mesmo esquema de adulteração e lavagem”, explicou. Ela informou que uma nova frente de apuração fiscal será aberta para calcular o prejuízo à arrecadação estadual, já que o valor exato da evasão de impostos ainda está sendo apurado.
O secretário de Segurança Pública da Bahia, Marcelo Werner, reforçou que a Operação Primus representa uma ação direta contra a estrutura financeira do PCC no estado.
“Ao que tudo indica, a operação atingiu a liderança financeira da facção. Ela começou a partir de denúncias de adulteração de combustível e avançou para uma rede de ocultação e lavagem de dinheiro, com ligações diretas aos principais operadores da facção em São Paulo”, afirmou Werner.
Segundo o secretário, a investigação confirma o vínculo direto entre os operadores de lavagem de dinheiro da facção paulista e os responsáveis pela rede baiana, o que levou à investigação de cerca de 200 postos de combustíveis.
“O bloqueio de R$ 6,5 bilhões mostra a grandiosidade desse esquema e o impacto da ação da Polícia Civil contra o crime organizado”, concluiu.
Com as prisões dos principais alvos na Bahia e a continuidade das diligências, o Draco pretende identificar e desmantelar toda a estrutura da facção, desde o topo até as bases operacionais. “A sociedade pode ter certeza de que todos os envolvidos sofrerão a ação repressiva da Polícia Civil”, finalizou o delegado Fábio Lordello.
*Com informações Bahia Notícias