Maria Allinny compartilhou experiências sobre gestão, conquista e fidelização de clientes e o uso das redes sociais para fortalecer a imagem profissional
O mercado de estética tem se expandido e, junto com as oportunidades, aumenta também a necessidade de organização e diferenciação por parte dos profissionais. No quadro Hora do Empreendedorismo, do Jornal do Meio Dia, a esteticista e empresária Maria Allinny falou sobre os desafios de transformar a estética em um negócio, a importância do planejamento financeiro e como a própria imagem pode se tornar uma ferramenta de divulgação.
A trajetória profissional de Maria começou de forma diferente. Ela chegou a cursar Direito, mas decidiu mudar de área antes de concluir a graduação. Após passar pelo quinto semestre, optou por seguir carreira na estética.
“Eu tomei a decisão de migrar pra essa área. O olhar que eu tive sobre o mundo, sobre cuidar das pessoas, fez com que eu migrasse pra essa área de estética”, explicou.
Segundo a empresária, a decisão surpreendeu a família, mas encontrou na estética uma profissão que permite não apenas cuidar da aparência, mas também trabalhar com autoestima e acolhimento.
“Todas as pessoas que eu atendo têm que sair da minha sala melhor do que quando elas entraram”, afirmou.
No início do empreendimento, Maria conta que uma das principais dificuldades foi administrar o dinheiro da empresa. Ela reconhece que misturava as finanças pessoais com o caixa do negócio, o que provocava desorganização.
“Eu misturava muito o dinheiro do caixa com o meu dinheiro. Aí já sabe: era uma desorganização total”, relatou.
Para superar essa fase, a empresária buscou capacitação, principalmente por meio dos cursos do Sebrae. Segundo ela, os conhecimentos adquiridos contribuíram para melhorar áreas como vendas, fluxo de caixa e administração.
A conquista dos primeiros clientes também envolveu planejamento. Maria realizou um mapeamento de mercado antes de escolher onde instalar o negócio e identificou uma região com menor concentração de clínicas de estética.
“Quando a gente faz o mapeamento, a gente estuda o melhor local pra que a gente possa abrir aquele negócio”, explicou.
Além da escolha estratégica do local, ela utilizou grupos de WhatsApp da região e investiu em tráfego pago para divulgar o trabalho.
Com o crescimento do negócio, a profissional passou a dividir o tempo entre os atendimentos e as tarefas administrativas. Para conseguir conciliar as atividades, ela mantém uma rotina de planejamento semanal.
“Se eu não tiver uma agenda com o meu planejamento semanal, eu não faço nada. Todo domingo eu faço o meu planejamento”, contou.
A organização inclui horários específicos para atendimento, administração, contabilidade e reuniões com o contador. A estratégia permite que ela concilie as funções de esteticista, empresária e a vida pessoal.
Outro ponto abordado na entrevista foi a utilização da própria imagem como estratégia de marketing. Maria percebeu que a forma como se apresenta e os cuidados que mantém consigo mesma despertavam a curiosidade dos clientes.
“Eu descobri que minha imagem é o meu maior merchan, a minha maior propaganda”, disse.
A partir dessa percepção, ela passou a utilizar também o Instagram pessoal como ferramenta profissional, mostrando parte da rotina, os cuidados pessoais e hábitos que considera importantes.
A profissional ressalta, no entanto, que procura manter limites entre a vida pessoal e profissional.
“Eu acho que a gente tem que ser coerente e passar para as pessoas o que a gente acredita e o que a gente faz”, destacou.
Para Maria, o grande número de profissionais atuando na área de estética em Feira de Santana não deve ser encarado necessariamente como uma ameaça. Pelo contrário: ela considera a concorrência positiva para o mercado.
“Eu amo a concorrência. Você tem que passar a abraçar a concorrência e ver a concorrência como colegas de trabalho”, afirmou.
Na avaliação da empresária, o profissional deve concentrar esforços no próprio negócio, em vez de gastar tempo acompanhando excessivamente o que os concorrentes estão fazendo.
Ela também defende que o diferencial não está apenas na técnica oferecida, mas principalmente na experiência proporcionada ao cliente.
“Você pode ter a técnica, mas se você não tiver o bom atendimento, você não vai pra lugar nenhum”, ressaltou.
Outro ponto considerado fundamental pela esteticista é a fidelização. Para ela, conquistar novos clientes é importante, mas manter quem já conhece o trabalho pode ser ainda mais estratégico.
“Não adianta você ficar só na busca de cliente, busca de cliente, e você não fidelizar os que você já tem. O pós é tão importante quanto o início do atendimento”, afirmou.
Maria também destacou a importância de manter um canal direto de comunicação com os pacientes. Ela disponibiliza o próprio WhatsApp para tirar dúvidas e acompanhar os clientes após os procedimentos.
Segundo a profissional, essa proximidade fortalece a relação de confiança e evita que dúvidas importantes fiquem sem resposta.
Além da questão empresarial, Maria considera o contato humano um dos principais motivos pelos quais gosta de trabalhar com estética. Para ela, muitos clientes procuram mais do que um procedimento: buscam atenção e acolhimento.
“Muita gente não vai só atrás de atendimento, vai atrás de um acolhimento. Então a gente ouve muitas histórias”, contou.
A empresária afirma que procura dividir seu tempo entre a gestão da clínica e o atendimento ao público, mantendo o contato direto com os clientes.
A profissional atua com procedimentos como limpeza de pele, microagulhamento, remoção de verrugas e sinais, drenagem, massagens, depilação feminina, ventosaterapia e tratamentos voltados para acne, estrias, celulite e flacidez, entre outros.
A Maria Clínica Estética funciona na Avenida Getúlio Vargas, número 71, na Galeria Avenida Center, em Feira de Santana. A clínica também mantém presença nas redes sociais para divulgação dos serviços e relacionamento com os clientes.
Para Maria Allinny, empreender na estética exige muito mais do que domínio técnico. Organização, planejamento, comunicação, atendimento humanizado e coerência na construção da imagem profissional são, segundo ela, elementos fundamentais para conquistar espaço e crescer no mercado.