10/06/2026
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De Olho na Cidade
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5 min de leitura

Entre a maternidade, carreira e autocuidado: Os desafios da mulher contemporânea no Dia das Mães

Ginecologista, psicóloga e estrategista de imagem discutem os impactos emocionais, hormonais e profissionais da sobrecarga feminina e defendem o autocuidado como prioridade.

Victória SilvaRedação: Victória Silva
domingo, 10 de maio de 2026 às 07:47
Uma visão interna de um estúdio de rádio moderno com paredes azuis vibrantes. Quatro pessoas estão reunidas em torno de uma mesa branca em formato de "U" equipada com microfones profissionais, computadores e monitores. À esquerda, uma mulher veste um conjunto de blazer e calça rosa. No centro, um técnico opera a mesa de som. Na parede ao fundo, destaca-se o logotipo amarelo e rosa da Rádio Princesa.
Foto: De Olho na Cidade

No Dia das Mães, o quadro De Mulher pra Mulher, do programa Jornal do Meio Dia da Rádio Princesa FM, promoveu uma reflexão sobre os desafios da mulher contemporânea, especialmente daquelas que conciliam maternidade, carreira, família e vida pessoal. Participaram do debate a ginecologista Dra. Cláudia Souza, a psicóloga Alexandra Paixão e a estrategista de imagem Daniella Caribé, que destacaram a importância do equilíbrio emocional, hormonal e do autocuidado feminino.

Dra. Cláudia ressaltou que a maternidade e a afetividade feminina possuem uma forte relação com a biologia e os hormônios, explicando como substâncias produzidas pelo corpo influenciam diretamente nas conexões emocionais e no vínculo materno.

“A mulher não é sensível apenas porque é mulher. Ela foi preparada para isso do ponto de vista biológico. Existe uma estrutura psicológica, afetiva, que tem uma relação muito grande com a sua estrutura hormonal”, explicou.

Foto: De Olho na Cidade

A médica destacou o papel da ocitocina, conhecida como “hormônio do amor”, na construção dos vínculos afetivos, desde os relacionamentos amorosos até a maternidade.

“A ocitocina é o hormônio do vínculo, da afetividade. Ela está presente no relacionamento, no trabalho de parto, na lactação e no desenvolvimento da relação entre mãe e filho”, afirmou.

Mulheres multifacetadas e o risco do esquecimento de si

A discussão também abordou uma realidade cada vez mais comum: mulheres que priorizam estudos, carreira e estabilidade financeira e acabam adiando a maternidade para depois dos 35 ou 40 anos.

Segundo Dra. Cláudia, muitas enfrentam sintomas silenciosos ligados à queda hormonal, como irritabilidade, alterações no sono, fadiga e mudanças corporais.

“Essa mulher está empreendendo, trabalhando, cuidando de múltiplas tarefas e, muitas vezes, já apresenta sinais da diminuição da reserva ovariana antes mesmo dos 40 anos”, alertou.

A psicóloga Alexandra Paixão chamou atenção para o peso emocional acumulado pelas mulheres, que hoje ocupam múltiplos papéis e frequentemente acabam deixando a si mesmas em segundo plano.

“A mulher ocupou diversos papéis que antes nem eram dela e depois se viu com tantas responsabilidades que acaba se perdendo nesse mundo do ser mulher”, destacou.

Foto: De Olho na Cidade

Ela reforçou a necessidade do autocuidado e da auto prioridade.

“O meu convite é chamar as mulheres a olhar para si e se priorizar. Se colocar nessa lista de prioridade, no cuidado com o corpo, com as emoções e com os relacionamentos sociais”, afirmou.

A redescoberta da identidade feminina

A estrategista de imagem Daniella Caribé trouxe para o debate a importância do resgate da essência feminina, especialmente para mulheres que, após anos dedicadas à família, desejam investir em si mesmas e na carreira.

Segundo ela, muitas clientes chegam em busca de uma transição profissional ou reposicionamento no mercado após anos dedicadas exclusivamente à família.

Foto: De Olho na Cidade

“Muitas mulheres deram prioridade aos filhos, ao marido, à família, e depois dos 40 resolveram olhar para si e investir na própria carreira. Meu papel é cristalizar, através da imagem, todo o potencial que essa mulher tem”, explicou.

Daniella também destacou que o medo e a procrastinação frequentemente impedem mudanças importantes.

“São histórias que a gente conta para nós mesmas para justificar a procrastinação, para convencer a si própria de que não é capaz ou de que não tem tempo”, observou.

A síndrome da “Mulher Maravilha”

Outro ponto levantado no programa foi a sobrecarga feminina e o hábito de tentar resolver tudo sozinha. Para as especialistas, muitas mulheres acabam assumindo responsabilidades excessivas, negligenciando a própria saúde.

“Nós mulheres temos muito isso, a síndrome da Mulher Maravilha. A ideia de que conseguimos resolver tudo sozinhas”, comentou Daniella.

Alexandra complementou, explicando que esse comportamento pode estar ligado a ciclos repetitivos.

“A mulher se acostumou a resolver tudo para todos. E quando chega a própria demanda, ela pensa: ‘se resolvo para os outros, por que não consigo resolver para mim?’”, pontuou.

A psicóloga também destacou a importância do equilíbrio entre dar e receber nas relações.

“A mulher precisa aprender muitas vezes a receber, ao invés de só dar. Esse equilíbrio é essencial nos relacionamentos”, afirmou.

Foto: De Olho na Cidade

Os desafios da maternidade moderna

Ao abordar o peso da maternidade nos dias atuais, Alexandra observou que muitas mães enfrentam uma sobrecarga ainda maior, especialmente diante das demandas emocionais dos filhos.

“Existem momentos de prioridade. Quando meu filho nasceu, minha prioridade era ele, sabendo que seria por um tempo. A criança cresce, amadurece e ganha independência”, explicou.

Para a psicóloga, muitos jovens têm dificuldade de “voar” justamente pela ausência de tempo e prioridade familiar durante a infância.

“Muitos filhos estão sem conseguir voar justamente porque não tiveram esse lugar de prioridade na vida da mãe e do pai”, avaliou.

As participantes deixaram uma mensagem especial para o Dia das Mães, celebrando todas as formas de maternidade.

“Parabéns a todas as mães, de todas as formas e de todos os jeitos, às que maternam filhos biológicos ou do coração. Que experimentam a plenitude do amor genuíno”, concluiu Dra. Cláudia.

Foto: De Olho na Cidade

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