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Especialista destaca a importância da papiloscopia na elucidação de crimes

Esse profissional realiza atividades e perícias relacionadas à identificação humana, tanto na área cível quanto na criminal.

Por Rafa
sexta-feira, 07 de fevereiro de 2025
Foto: SEJUSP
Foto: Foto: SEJUSP

Você sabia que, para a resolução de uma cena de crime, seja furto, roubo, sequestro ou homicídio, o trabalho de um papiloscopista é essencial? Esse profissional realiza atividades e perícias relacionadas à identificação humana, tanto na área cível quanto na criminal.

Mateus Bereh, presidente do Sindicato dos Peritos em Papiloscopia da Bahia, destaca a importância desse trabalho. Segundo ele, o papel do papiloscopista na investigação criminal se baseia em três fatores principais.

"O primeiro é a identificação da vítima de morte violenta. Sem essa identificação, não há como iniciar a investigação. Cerca de 99% dos corpos provenientes de mortes violentas são identificados por meio da papiloscopia", explica.

O segundo fator essencial é a coleta de vestígios em locais de crime. "Os fragmentos de impressão digital são cruciais para definir quem esteve na cena do crime. Com a preservação adequada do local, conseguimos aferir fragmentos da vítima, dos potenciais suspeitos e de possíveis testemunhas, o que corrobora o inquérito policial", pontua Bereh.

A coleta e a análise das impressões digitais podem ser realizadas por diversas técnicas, como o uso de pós magnéticos e especiais, fotografia direta com luzes específicas ou até mesmo o tratamento laboratorial de objetos.

"Utilizamos substâncias especiais, energia estática, entre outros métodos, para garantir a extração eficiente das impressões", afirma o especialista.

Desafios enfrentados pelos papiloscopistas

Apesar da importância do trabalho, a atividade enfrenta desafios diários. Bereh explica que há obstáculos externos e internos.

"Os desafios exógenos envolvem a preservação do local do crime. Muitas vezes, a curiosidade popular leva pessoas a interferirem na cena, prejudicando a cadeia de custódia. Além disso, agentes da Polícia Militar, por quererem resolver rapidamente a situação, acabam mexendo nos locais sem luvas ou o devido tratamento adequado."

Já os desafios internos dizem respeito ao reconhecimento da profissão. "Ainda lutamos para que nossa atividade seja valorizada. A identificação de criminosos e a melhoria dos índices de resolução de crimes dependem do nosso trabalho. A confiabilidade das provas que coletamos é garantida pela fé pública dos peritos papiloscopistas, que são servidores públicos de carreira e nível superior", destaca Bereh.

Outro ponto crucial é a necessidade de atualização contínua. "Precisamos acompanhar a evolução da criminalidade. Sem estudo e aprimoramento dos nossos métodos e ferramentas, nosso trabalho fica comprometido", alerta.

A atuação da papiloscopia na Bahia

Na Bahia, a nomenclatura oficial ainda é "perito técnico", mas há uma luta pela mudança para "perito papiloscopista", como ocorre nas melhores polícias do Brasil, a exemplo da Polícia Federal e do Distrito Federal.

"Em Feira de Santana, há cerca de 10 especialistas em papiloscopia responsáveis pela identificação metropolitana dos corpos, pela identificação criminal e pela análise de vestígios em locais de crime", informa Bereh.

No entanto, a atividade ainda é incipiente em algumas regiões do estado. "Isso acontece por diversos fatores, como profissionais que não querem exercer plenamente suas funções e algumas coordenações que dificultam nosso trabalho. Mesmo assim, seguimos desempenhando nosso papel com compromisso e eficiência", conclui.

*Com informações da repórter Isabel Bomfim

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