Tratamento tem ajudado pacientes a reduzir crises, controlar sintomas e recuperar qualidade de vida
A utilização da cannabis medicinal como alternativa terapêutica tem avançado no Brasil e já apresenta resultados positivos em diversas condições de saúde. O tema foi destaque em entrevista concedida pela médica Dra. Luisa Bomfim ao programa Cidade em Pauta, da rádio Nordeste FM.
A especialista explicou o conceito da cannabis medicinal e destacou seu uso histórico na medicina.
“A cannabis medicinal é uma planta utilizada milenarmente pela sociedade, que por muito tempo foi deixada de lado por conta do proibicionismo, mas hoje volta a ser estudada e apresenta benefícios em diversos casos”, afirmou.
Entre as principais indicações, a médica citou o tratamento de transtornos do espectro autista, dores crônicas, como fibromialgia, e outras condições que impactam diretamente a qualidade de vida dos pacientes.
Dra. Luisa fez questão de diferenciar o uso medicinal da cannabis do uso recreativo, ressaltando a importância do acompanhamento profissional.
“Existe um abismo entre a cannabis medicinal e a recreativa. O uso medicinal é controlado, com acompanhamento médico, o que minimiza os efeitos adversos”, explicou.
Segundo ela, quando utilizada de forma adequada, a substância pode trazer benefícios significativos, incluindo controle da ansiedade, alívio da dor e melhora no bem-estar geral.
“A gente consegue benefícios na ansiedade, um controle muito bom da dor. É um potente analgésico”, destacou.
Apesar dos avanços, a médica ressaltou que o preconceito ainda é um dos principais obstáculos para a popularização do tratamento.
“Um dos principais mitos é a questão do vício. Muita gente acha que a cannabis medicinal vicia, mas isso não é verdade quando há acompanhamento médico”, disse.
Outro ponto frequentemente levantado, segundo ela, é a ideia de que a substância causaria danos neurológicos.
“Existe esse mito de que destrói neurônios, mas, na verdade, a cannabis tem um efeito neuroprotetor importante”, pontuou.
A médica também explicou como os pacientes podem ter acesso ao tratamento no país. Atualmente, existem três principais caminhos:
“Hoje a gente já consegue ampliar o acesso, inclusive com opções mais acessíveis através das associações”, afirmou.
Entre as condições que apresentam melhores respostas ao tratamento com cannabis medicinal, Dra. Luisa destacou:
Os resultados, segundo ela, podem ser transformadores, principalmente em casos mais graves.
“Temos pacientes que tinham até 30 crises epilépticas por dia e conseguiram reduzir a zero com o uso da cannabis medicinal”, relatou.
A melhora não atinge apenas os pacientes, mas também suas famílias, especialmente no caso de crianças.
“Temos mães que relatam uma mudança completa na rotina. Crianças que antes eram muito agitadas passam a ter mais controle e conseguem realizar atividades do dia a dia”, destacou.
A especialista reforçou que o tratamento não é indicado para todos e deve sempre ser feito com orientação profissional.
“Cannabis medicinal não é para todo mundo. Não é um óleo milagroso. É fundamental avaliação e acompanhamento médico”, alertou.
Além disso, ela explicou que o tratamento não precisa ser permanente.
“Ela tem início, meio e fim. A gente regula substâncias do próprio organismo e, em muitos casos, pode fazer a retirada posteriormente”, explicou.
Sobre o custo, Dra. Luisa afirmou que o tratamento tem se tornado mais acessível com a ampliação do mercado e regulamentação.
“Hoje conseguimos encontrar opções mais acessíveis para diferentes realidades financeiras”, disse.
Já em relação à compra, ela fez um alerta importante:
“Não é seguro nem legal comprar produtos sem prescrição médica ou de terceiros. Cada paciente precisa de um tratamento específico”, reforçou.
A médica informou que realiza atendimentos em Feira de Santana no LabSantana, com acompanhamento especializado e multidisciplinar.
“É importante buscar um médico de confiança, que saiba prescrever corretamente e acompanhar todo o processo”, concluiu.