11/04/2026
...
De Olho na Cidade
InícioCOP 30
COP 304 min de leitura

Especialista destaca papel da Bahia e importância da coleta seletiva no combate às mudanças climáticas durante a COP30

Ele defendeu a ampliação da coleta seletiva e o incentivo à compostagem como formas eficazes de reduzir a emissão de gases de efeito estufa e promover a economia circular.

Por Rafa
quarta-feira, 12 de novembro de 2025

Durante a COP30, em Belém (PA), o coordenador do Instituto Pólis de São Paulo, Victor Argentino, chamou atenção para o papel central da gestão de resíduos sólidos na luta contra as mudanças climáticas. Ele defendeu a ampliação da coleta seletiva e o incentivo à compostagem como formas eficazes de reduzir a emissão de gases de efeito estufa e promover a economia circular.

“Temos discutido muito como é possível aumentar a reciclagem do lixo orgânico. Hoje, esse tipo de resíduo é o principal responsável pela emissão de metano, um dos gases de efeito estufa mais poluentes”, explicou.

Segundo o especialista, retirar os resíduos orgânicos dos aterros sanitários é essencial.

“A ideia é tirar o lixo orgânico dos aterros e transformá-lo em adubo para a agricultura familiar. A compostagem é a principal solução, porque transforma o que seria lixo em um produto útil e sustentável”, destacou.

O representante do Instituto Pólis lembrou que São Paulo gasta cerca de R$ 2 bilhões por ano com gestão de resíduos, e defendeu o redirecionamento desses recursos para fortalecer cooperativas de catadores e pequenos empreendimentos locais. Ele citou experiências bem-sucedidas na Bahia, como as cooperativas de Caetité, Jacobina e na Costa do Sauípe, que desenvolvem projetos de reciclagem e compostagem.

“Essas iniciativas mostram que é possível fazer diferente, mesmo com poucos recursos. O que precisamos é de mais financiamento e apoio técnico para que bons exemplos possam ser multiplicados em todo o Brasil”, disse.

Para o especialista, a coleta seletiva é o primeiro passo para transformar o sistema de resíduos. Ele defende que o Brasil precisa implementar a coleta em três frações: reciclável, orgânico e rejeito, conforme já previsto na Política Nacional de Resíduos Sólidos.

“Só conseguimos fazer compostagem de qualidade com coleta seletiva e isso não é só separar plástico e papel: é preciso separar também o lixo orgânico, que não pode ser misturado com resíduos de banheiro ou pia, porque aí o adubo perde a qualidade”, reforçou.

Victor apontou que o país ainda engatinha na área: apenas 8% dos municípios têm coleta seletiva e muitos ainda convivem com lixões a céu aberto. A saída, segundo ele, está em modelos descentralizados e de baixo custo, que podem ser aplicados em cidades pequenas.

“Um município com 10, 20 ou 30 mil habitantes pode ter um pátio de compostagem a poucos quilômetros da área urbana. Isso gera adubo, reduz o custo com transporte e ainda fortalece a agricultura familiar”, explicou.

O especialista lamentou, no entanto, que a falta de financiamento internacional ainda limite o avanço de políticas ambientais no Brasil.

“Infelizmente, a discussão sobre recursos está atrasada. Os países que mais poluíram historicamente, como os Estados Unidos e nações europeias, deveriam investir mais. Mas, apesar disso, estamos vendo boas propostas surgirem na COP30”, afirmou.

Victor destacou que o enfrentamento da crise climática depende de ações locais e da mobilização da sociedade.

“As decisões são globais, mas a ação é local. Se cada cidadão fizer a sua parte, se cada prefeito olhar para os resíduos da sua cidade com seriedade, vamos avançar muito. A transformação começa de baixo para cima”, concluiu.

*Com informações de Jorge Biancchi, direto da COP 30 em Belém

Compartilhar:

Nós utilizamos cookies para aprimorar e personalizar a sua experiência em nosso site. Ao continuar navegando, você concorda em contribuir para os dados estatísticos de melhoria. Conheça nossa Política de Privacidade e consulte nosso Termos de Uso.