Ginecologista Dra. Márcia Suely e o educador físico Júpiter da Rocha explicam como exercícios abdominais e respiratórios podem ajudar na postura, incontinência urinária, saúde emocional e até na libido feminina
A relação entre a musculatura abdominal e a saúde íntima feminina foi o centro do debate no quadro Mulheres em Pauta. Com o tema “O centro da mulher: como o abdômen influencia sua saúde íntima”, a ginecologista Dra. Márcia Suely e o bacharel em Educação Física Professor Júpiter da Rocha explicaram como o fortalecimento do abdômen vai muito além da estética e pode impactar diretamente a qualidade de vida da mulher.
Dra. Márcia destacou que o cuidado com a região abdominal interfere não apenas na saúde íntima, mas no organismo como um todo.
“Não só a saúde íntima, mas a saúde da mulher como um todo. Vocês não imaginam a importância desse exercício na vida da mulher e é sobre isso que a gente vai falar hoje”, afirmou a ginecologista.
A médica apresentou o professor Júpiter como especialista em treinamento abdominal para grupos específicos, ressaltando sua atuação com exercícios respiratórios voltados à saúde física e emocional.
Segundo Júpiter da Rocha, ainda existe um pensamento equivocado de que exercícios abdominais servem apenas para fins estéticos, como conquistar uma “barriga chapada”. Ele alertou que o fortalecimento da musculatura central do corpo é essencial para a funcionalidade e autonomia ao longo da vida.
“O treinamento abdominal vai muito além da estética. É uma questão estrutural, de saúde. A estética vem como bônus, mas o mais importante é nossa funcionalidade e envelhecer com qualidade e autonomia”, explicou.
Ele destacou que o abdômen funciona como o centro de gravidade do corpo, conectando membros superiores e inferiores. Quando essa musculatura não está fortalecida, problemas de postura e dores podem surgir.
“Se a gente não tem ele forte, a parte superior vai sofrer e a inferior vai sofrer ainda mais. É isso que chamamos de core, um conjunto de músculos que fortalece o centro de gravidade”, detalhou.
Um dos principais pontos abordados foi o impacto dos exercícios respiratórios hipopressivos na saúde feminina, especialmente em casos de dores na coluna e incontinência urinária.
A própria Dra. Márcia compartilhou uma experiência pessoal ao relatar que sofria com dores na coluna e escapes urinários antes de iniciar práticas orientadas.
“Eu tinha dores na coluna, incontinência urinária e escapes de xixi. Quando comecei os exercícios respiratórios específicos, tudo isso passou e melhorou”, contou.
Júpiter explicou que os exercícios hipopressivos fortalecem a musculatura profunda do abdômen e o assoalho pélvico, reduzindo a pressão interna do corpo.
“Os exercícios respiratórios são os mais eficientes para fortalecer a estrutura abdominal interna. Eles ajudam a melhorar postura, sustentar os órgãos e tratar a incontinência urinária”, afirmou.
Segundo ele, a prática correta pode prevenir problemas comuns, sobretudo após a gestação, período em que a musculatura abdominal sofre maior distensão.
O especialista também fez um alerta para os riscos da prática inadequada dos exercícios abdominais, especialmente quando há foco apenas na estética e excesso de carga.
“Se você treina errado, aumenta a pressão interna do corpo. Isso pode refletir na coluna lombar, gerar dores, comprimir nervos e aumentar a incontinência urinária nas mulheres”, explicou.
Para ele, é fundamental buscar orientação profissional e respeitar a evolução gradual dos exercícios.
“Se fizer de qualquer jeito, em vez de melhorar, você pode aumentar os seus problemas”, advertiu.
Outro destaque da entrevista foi a relação entre respiração, exercícios abdominais e equilíbrio emocional. De acordo com Júpiter, técnicas respiratórias ajudam a controlar o sistema nervoso, reduzindo estresse e ansiedade.
“Quando a gente foca na respiração lenta e controlada, conseguimos desativar o sistema de luta ou fuga e ativar o sistema da calma, da tranquilidade e da criatividade”, explicou.
Ele acrescentou que esse controle respiratório auxilia na regulação emocional e no bem-estar psicológico, especialmente em períodos como menopausa e momentos de maior tensão.
A entrevista também abordou um tema pouco discutido: a influência dos exercícios no prazer sexual feminino.
Segundo o professor, o fortalecimento do assoalho pélvico e o aumento da circulação sanguínea na região íntima podem melhorar a sensibilidade e a lubrificação.
“A ciência mostra que melhora o prazer sexual porque aumenta a irrigação sanguínea, a sensibilidade, a lubrificação e a contração muscular da região íntima”, afirmou.
Júpiter reforçou a importância da atividade física preventiva e orientada.
“Não espere o problema acontecer para começar a se cuidar. Procure atividade física pensando primeiro em saúde, funcionalidade e autonomia”, aconselhou.