Doença cardíaca pode ser reconhecida como incapacitante pelo INSS, garantindo direitos aos pacientes
Em entrevista ao programa De Olho na Cidade, na Rádio Sociedade, a advogada Paloma Barbosa, sócia do Parish & Zenandro Advogados, trouxe informações importantes sobre os direitos previdenciários de pessoas com problemas cardíacos. Com mais de uma década de atuação na área em Feira de Santana e região, o escritório é especializado em causas contra o INSS, incluindo aposentadorias, auxílios, pensões, e o Benefício de Prestação Continuada (BPC/LOAS).
“É uma pauta extremamente relevante, considerando o número crescente de indivíduos enfrentando esse tipo de enfermidade,” destacou a especialista.
Segundo Dra. Paloma, pessoas cardiopatas podem sim se aposentar, dependendo da gravidade da condição.
“Elas podem acessar a aposentadoria por incapacidade permanente, que é a antiga aposentadoria por invalidez, ou até mesmo o benefício de incapacidade temporária, o auxílio-doença. Tudo depende do nível de incapacidade que a cardiopatia causa na atividade laboral da pessoa,” explicou.
Ela destacou que mesmo quem nunca contribuiu para o INSS pode ter acesso ao BPC/LOAS, caso esteja em situação de vulnerabilidade social.
“Independente da idade, seja uma criança ou um adulto, é possível receber esse benefício, desde que o grupo familiar se encaixe nos critérios de vulnerabilidade,” acrescentou.
A advogada reforçou a importância de relatórios médicos detalhados para comprovar a incapacidade causada pela cardiopatia.
“Não basta apenas ter a doença, é necessário demonstrar que ela impede a pessoa de exercer qualquer tipo de atividade laboral. Laudos médicos, exames, receitas e outros documentos são fundamentais para embasar o pedido,” orientou.
Dra. Paloma explicou que aposentados por invalidez podem ter direito a um adicional de 25% no benefício, desde que comprovem a necessidade de assistência de terceiros.
“Esse auxílio pode ser prestado por um familiar, cuidador ou enfermeiro, mas é essencial um relatório médico que confirme a necessidade de ajuda nas atividades cotidianas, como alimentação, higiene e locomoção,” esclareceu.
A especialista listou as cardiopatias graves que podem ser reconhecidas pelo INSS, como insuficiência cardíaca grave, cardiopatia isquêmica, arritmias graves e malformações congênitas.
“Essas condições devem causar limitações significativas na capacidade de trabalho, e cada caso é analisado individualmente,” alertou.
Outra questão abordada foi a relação entre problemas cardíacos e atividades laborais.
“É possível que a doença seja decorrente do ambiente de trabalho, seja por estresse, esforço físico ou exposição a agentes nocivos. Quando isso é comprovado, o benefício pode ter caráter acidentário, o que impacta o cálculo do benefício,” explicou Dra. Paloma.
A advogada reforçou a importância de buscar orientação profissional especializada para conduzir os processos de maneira correta. “Cada caso é único e requer uma análise detalhada para garantir que o beneficiário receba o melhor suporte possível,” concluiu.