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Especialista explica como inovação e tecnologia estão mudando o cuidado com feridas

Tratamento de feridas evolui com foco no conforto e na redução da dor física e emocional

Victória SilvaRedação: Victória Silva
sexta-feira, 29 de maio de 2026 às 11:10
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O tratamento de feridas vem passando por uma transformação significativa nos últimos anos, com foco cada vez maior na redução da dor e no conforto do paciente. O tema foi abordado pela especialista em feridas, Áquilla Chahinne, que destacou avanços técnicos e mudanças de protocolo que têm diminuído o sofrimento durante os procedimentos.

Segundo ela, o cuidado deixou de ser associado inevitavelmente à dor.

“Hoje a gente vai trazer o tema: o tratamento de feridas está cada vez menos doloroso. Vamos falar em alívio da dor”, afirmou.

Áquilla explica que a dor não é apenas física, mas também emocional, especialmente entre pacientes que já passaram por experiências traumáticas.

“Quando a gente fala no tratamento de feridas, as pessoas imaginam que todo tratamento vai ser doloroso, principalmente o momento do curativo”, disse. Ela lembra que muitos pacientes relatam o momento da retirada do curativo como o mais difícil.

Em um estudo citado pela especialista, realizado com mais de 3 mil pacientes com doença falciforme e úlceras ativas, a principal queixa era justamente a dor na troca de curativos.

“Na hora de retirar o curativo, esses pacientes diziam que existia ali uma dor insuportável”, relatou.

De acordo com Áquilla, novas técnicas e materiais têm mudado essa realidade. Um dos principais avanços são os curativos atraumáticos, que evitam a aderência ao tecido e reduzem a dor na remoção.

“Hoje a gente não usa nenhum produto que cause ardor no paciente. É um protocolo nosso não utilizar nada que gere queimação durante o tratamento”, explicou.

Ela também destacou o uso de anestesia local em procedimentos mais complexos, como o desbridamento.

“A gente utiliza anestésico local. Isso permite que o paciente fique tranquilo, às vezes até sorrindo, ouvindo música ou cochilando durante o procedimento.”

Outro ponto importante citado é que curativos traumáticos repetidos podem atrasar a cicatrização.

“Se dói todos os dias ao fazer o curativo, esse tratamento está atrasando o processo de cicatrização”, alertou.

O avanço tecnológico também foi destaque na entrevista. A especialista afirmou que a inteligência artificial já auxilia em avaliações e prontuários, mas novas soluções estão em desenvolvimento.

“Tem curativo promissor chegando por aí, como o chamado curativo do futuro, com microcâmera que fotografa a ferida e envia imagens para acompanhamento pelo celular”, explicou, citando também sistemas com eletroestimulação e liberação gradual de medicação.

Outro exemplo em estudo é uma placa de hidrogel que simula a pele humana.

“É como um substituto de pele. Ainda está em testes, mas pode ser muito promissor”, disse.

Apesar dos avanços, o medo da dor ainda faz muitos pacientes adiarem o início do tratamento.

“Tem paciente que fala: ‘não vim antes porque estava com medo da dor’”, relatou Áquilla. Ela destaca que experiências negativas anteriores também influenciam essa resistência.

Segundo ela, até procedimentos como laserterapia ainda são associados equivocadamente à dor.

“O nosso laser é de baixa intensidade. Ele não dói, pelo contrário, ajuda no alívio da dor.”

A especialista reforça que o objetivo do atendimento é justamente o oposto do medo inicial dos pacientes. “Nossa meta é aliviar a dor e não aumentar a dor.”

Entre as tecnologias já em uso, Áquilla destaca o colágeno bovino e curativos à base de óleos e aminoácidos.

“O colágeno bovino estimula muito o processo de epitelização. Ele é absorvido pela ferida e ajuda na formação de novo tecido”, explicou.

Ela também mencionou materiais usados em casos específicos, como queimaduras e radioterapia.

“São curativos inovadores, que já fazem diferença no tratamento hoje.”

Durante a entrevista, a paciente Núbia relatou sua experiência positiva com o tratamento.

“Estou gostando muito do tratamento, desde o dia que comecei aqui. Não sinto mais nada, só melhora a cada dia”, disse. Ela também afirmou que recomenda o serviço a outras pessoas com feridas de diferentes tipos.

Áquilla destacou que relatos como esse reforçam a importância do cuidado humanizado.

“O maior presente é ver o paciente cicatrizado e feliz.”

A especialista finalizou reforçando que a maioria dos casos tem solução quando tratados corretamente.

“É mais provável que o tratamento ainda não tenha sido o ideal do que não exista possibilidade de cicatrização.”

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