Tecnologias avançadas e rotina de cuidados impulsionam tendência, mas especialistas reforçam importância de avaliação profissional e adequação à pele brasileira
A chamada “estética coreana” tem ganhado cada vez mais espaço no Brasil, impulsionada pelas redes sociais e pela busca por uma pele mais saudável e uniforme. Em entrevista ao programa Jornal do Meio Dia, a dermatologista Deborah Duarte explicou o que há de inovação real nesse movimento e o que pode ser apenas tendência de mercado.
Segundo a especialista, o sucesso da estética coreana está diretamente ligado ao investimento em tecnologia e à qualidade dos produtos.
“Eles investem muito em tecnologia, trouxeram ingredientes novos, com boa qualidade e fórmulas mais acessíveis. São produtos mais suaves, mas com bons resultados”, destacou.
Outro fator determinante é o conceito de “glass skin”, ou pele de vidro, caracterizado por uma aparência luminosa e uniforme.
“Eles ficaram muito famosos pela ideia da pele reluzente e também pelo skincare em várias etapas, que virou tendência no mundo inteiro”, explicou.
Entre os procedimentos mais buscados, os tratamentos a laser seguem como referência consolidada. Dra. Deborah destaca que alguns métodos possuem ampla comprovação científica.
“O laser de CO2, por exemplo, já é utilizado há décadas e conta com mais de 92 estudos científicos que comprovam seus benefícios, como renovação celular e estímulo de colágeno”, afirmou.
Apesar da eficácia, ela alerta para os riscos quando os procedimentos não são realizados corretamente.
“Existem riscos de queimaduras, manchas e cicatrizes. Isso depende muito da qualificação do profissional, da calibração do equipamento e do tipo de pele do paciente”, ressaltou.
A dermatologista também pontua que nem todos os resultados vistos na Coreia podem ser replicados no Brasil.
“Eles têm uma cultura de cuidado com a pele desde cedo, evitam o sol e têm uma alimentação diferente, rica em fermentados. Isso influencia muito no resultado final”, explicou.
Além disso, há diferenças nas características da pele.
“A pele coreana tende a ter poros mais fechados e ser menos oleosa. Já a brasileira tem mais tendência à oleosidade e acne, então nem tudo pode ser aplicado da mesma forma”, disse.
Para quem deseja aderir aos procedimentos, a recomendação principal é buscar profissionais qualificados.
“A primeira coisa é verificar se o profissional é dermatologista e se está registrado na Sociedade Brasileira de Dermatologia. Isso já reduz bastante os riscos”, orientou.
Ela também alerta para o cuidado com decisões baseadas apenas em redes sociais.
“O Instagram é uma vitrine, mas não deve ser o único critério. É importante pesquisar o profissional e o equipamento utilizado”, enfatizou.
A busca por tratamentos dermatológicos também tem crescido entre o público masculino, acompanhando mudanças de comportamento.
“Antes os homens procuravam mais por questões de doença ou cabelo. Hoje eles querem melhorar a pele, aparência e autoestima”, afirmou.
De acordo com a médica, fatores profissionais e sociais têm influenciado essa mudança.
“Muitos dizem que precisam se apresentar melhor no trabalho ou que querem acompanhar o cuidado das parceiras. Não é só estética, é autoestima e confiança”, completou.
Dra. Deborah avalia que a estética coreana trouxe avanços importantes para o mercado brasileiro, principalmente na valorização do cuidado contínuo com a pele.
“Hoje o paciente aceita melhor uma rotina mais completa de skincare. Além disso, houve uma evolução nas texturas dos produtos, como os séruns, que melhoraram muito a experiência de uso”, concluiu.
A tendência, segundo a especialista, é que o foco permaneça na busca por uma pele saudável, natural e bem cuidada, mais do que em padrões exagerados de beleza.