10/06/2026
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3 min de leitura

Estresse, sono ruim e queda da imunidade: especialista alerta para impactos no organismo

Especialista em sono explica como o excesso de cortisol prejudica o descanso noturno, reduz a imunidade e pode aumentar riscos de doenças neurodegenerativas

Victória SilvaRedação: Victória Silva
quinta-feira, 14 de maio de 2026 às 07:47
retrata uma mulher sentada à mesa de trabalho, expressando exaustão ou sobrecarga mental. Ela está com as mãos cobrindo o rosto e segura seus óculos em uma das mãos, enquanto mantém a cabeça levemente inclinada para baixo
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O estresse crônico pode afetar diretamente a qualidade do sono e enfraquecer o sistema imunológico. O alerta é da otorrinolaringologista e especialista em sono, Dra. Carolina Grinfeld, que explica como alterações hormonais provocadas pela tensão constante interferem no funcionamento do corpo.

Segundo a médica, o aumento do estresse leva à elevação do cortisol, hormônio que deve seguir um ciclo natural ao longo do dia.

“O cortisol da gente tem que estar alto durante o dia e vai diminuindo para que ocorra a produção de melatonina, que é o hormônio da noite, que sinaliza que está na hora de dormir. Quando não ocorre essa redução no cortisol, não acontece a produção de melatonina”, explicou.

A especialista destaca que o desequilíbrio também compromete a imunidade.

“O cortisol faz com que o corpo não produza células de defesa como os linfócitos, que são responsáveis pela nossa imunidade. Então o paciente com estresse frequente tem um corpo que não descansa e, consequentemente, também não se defende”, afirmou.

Limpeza do cérebro durante o sono profundo

A médica também chamou atenção para o papel do sistema glinfático, responsável pela “limpeza” do cérebro durante o sono profundo.

“O sistema glinfático funciona como uma faxina noturna no nosso cérebro. Durante o sono, principalmente o sono N3, o mais profundo, acontece uma limpeza e toxinas que precisam ser eliminadas são eliminadas”, disse.

Ela alerta que a privação de sono profundo pode trazer consequências mais graves a longo prazo.

“O paciente que dorme mal, dorme pouco ou não atinge esse sono profundo contribui para que resíduos permaneçam no cérebro, com risco de doenças neurodegenerativas como demência e Alzheimer”, completou.

Sinais de alerta no dia a dia

Dra. Carolina também destacou sinais que indicam que o estresse e a má qualidade do sono já estão afetando a saúde.

“O normal é dormir o número de horas suficiente para o organismo e estar bem disposto no dia seguinte. Não pode precisar de cafeína para se manter acordado ou ficar cansado com frequência”, explicou.

A especialista reforça que o sono de qualidade é aquele em que a pessoa acorda revigorada.

“Se você tem dificuldade para iniciar o sono, acorda várias vezes à noite, ronca ou se sente cansado ao acordar, isso precisa ser investigado. O principal parâmetro é: você tem que se sentir bem no dia seguinte”, concluiu.

A médica alerta ainda que queixas de cansaço não devem ser normalizadas como apenas rotina intensa ou sedentarismo, e recomenda avaliação profissional para investigar possíveis distúrbios do sono.

*Com informações do repórter JP Miranda

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