Especialista em sono explica como o excesso de cortisol prejudica o descanso noturno, reduz a imunidade e pode aumentar riscos de doenças neurodegenerativas
O estresse crônico pode afetar diretamente a qualidade do sono e enfraquecer o sistema imunológico. O alerta é da otorrinolaringologista e especialista em sono, Dra. Carolina Grinfeld, que explica como alterações hormonais provocadas pela tensão constante interferem no funcionamento do corpo.
Segundo a médica, o aumento do estresse leva à elevação do cortisol, hormônio que deve seguir um ciclo natural ao longo do dia.
“O cortisol da gente tem que estar alto durante o dia e vai diminuindo para que ocorra a produção de melatonina, que é o hormônio da noite, que sinaliza que está na hora de dormir. Quando não ocorre essa redução no cortisol, não acontece a produção de melatonina”, explicou.
A especialista destaca que o desequilíbrio também compromete a imunidade.
“O cortisol faz com que o corpo não produza células de defesa como os linfócitos, que são responsáveis pela nossa imunidade. Então o paciente com estresse frequente tem um corpo que não descansa e, consequentemente, também não se defende”, afirmou.

A médica também chamou atenção para o papel do sistema glinfático, responsável pela “limpeza” do cérebro durante o sono profundo.
“O sistema glinfático funciona como uma faxina noturna no nosso cérebro. Durante o sono, principalmente o sono N3, o mais profundo, acontece uma limpeza e toxinas que precisam ser eliminadas são eliminadas”, disse.
Ela alerta que a privação de sono profundo pode trazer consequências mais graves a longo prazo.
“O paciente que dorme mal, dorme pouco ou não atinge esse sono profundo contribui para que resíduos permaneçam no cérebro, com risco de doenças neurodegenerativas como demência e Alzheimer”, completou.
Dra. Carolina também destacou sinais que indicam que o estresse e a má qualidade do sono já estão afetando a saúde.
“O normal é dormir o número de horas suficiente para o organismo e estar bem disposto no dia seguinte. Não pode precisar de cafeína para se manter acordado ou ficar cansado com frequência”, explicou.
A especialista reforça que o sono de qualidade é aquele em que a pessoa acorda revigorada.
“Se você tem dificuldade para iniciar o sono, acorda várias vezes à noite, ronca ou se sente cansado ao acordar, isso precisa ser investigado. O principal parâmetro é: você tem que se sentir bem no dia seguinte”, concluiu.
A médica alerta ainda que queixas de cansaço não devem ser normalizadas como apenas rotina intensa ou sedentarismo, e recomenda avaliação profissional para investigar possíveis distúrbios do sono.
*Com informações do repórter JP Miranda