02/07/2026
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"Eu assumi todo o prejuízo", diz médico após golpe aplicado por ex-funcionária em clínica de Feira de Santana

Cirurgião plástico Márcio Freitas relata como descobriu o esquema e afirma que nenhum paciente ficou sem atendimento

Victória SilvaRedação: Victória Silva
Robson NascimentoReportagem: Robson Nascimento
quarta-feira, 01 de julho de 2026 às 18:05
Imagem de "Eu assumi todo o prejuízo", diz médico após golpe aplicado por ex-funcionária em clínica de Feira de Santana

O médico cirurgião da face Dr. Márcio Freitas voltou a falar sobre o golpe aplicado por uma ex-funcionária de sua clínica, em Feira de Santana, após a Polícia Civil concluir o inquérito que investigou o caso. Segundo o médico, todos os pacientes lesados tiveram os procedimentos realizados normalmente e o prejuízo financeiro foi integralmente assumido pela empresa.

A investigação da Delegacia de Repressão a Furtos e Roubos (DRFR) apontou que a ex-funcionária, de 39 anos, foi indiciada por estelionato em continuidade delitiva. Conforme a Polícia Civil, ela enviava links falsos de pagamento e utilizava uma empresa criada em nome semelhante ao da clínica para desviar recursos de pacientes que contratavam procedimentos médicos e estéticos.

Em entrevista ao portal De Olho na Cidade, Dr. Márcio contou que a suspeita era responsável pelo setor comercial e financeiro da clínica, função que incluía a elaboração de orçamentos e o recebimento dos pagamentos.

"Ela fazia o trabalho comercial, passava os orçamentos e recebia os pagamentos dos pacientes. Como eu trabalho muito atendendo e operando, era uma pessoa de confiança. Naquele momento houve uma desorganização no financeiro e foi aí que tudo aconteceu."

Segundo o médico, o esquema veio à tona quando um paciente, amigo da família, percebeu que havia realizado um pagamento para uma conta diferente da utilizada pela clínica.

"O caso começou quando um paciente, amigo da família, procurou meu pai e disse que tinha feito um pagamento para uma conta que não era da empresa. Foi o caso zero. A partir daí começamos a investigar."

Após a denúncia inicial, a clínica iniciou uma auditoria interna, entrando em contato com outros pacientes. A apuração revelou que dezenas de pagamentos haviam sido desviados.

"Entramos em contato com os pacientes e descobrimos mais de 35 casos em que ela desviou o dinheiro."

Dr. Márcio afirmou que a funcionária foi demitida por justa causa assim que o esquema foi identificado. Em seguida, a clínica registrou ocorrência e orientou os pacientes prejudicados a formalizarem denúncias junto à Polícia Civil.

"As medidas que tomamos foram a demissão por justa causa, a abertura do processo criminal e pedimos que os pacientes colaborassem fazendo as queixas na delegacia. Todos foram parceiros."

O médico reconheceu que, no início, agiu movido pela emoção e acredita que poderia ter adotado outra estratégia para reunir ainda mais provas contra a investigada.

"Hoje reconheço que fui inexperiente. Eu poderia ter esperado para fazer um flagrante, mas preferi agir imediatamente, afastá-la da empresa e demiti-la."

Apesar dos desvios financeiros, Dr. Márcio afirma que nenhum paciente deixou de realizar cirurgias ou tratamentos contratados. Segundo ele, a clínica absorveu integralmente os prejuízos.

"Todo mundo foi operado, todo mundo foi atendido e tratado. Ninguém ficou no prejuízo. Quem ficou no prejuízo fui eu."

O médico explicou que, além dos valores desviados, também arcou com os custos da equipe médica, centro cirúrgico e demais despesas dos procedimentos realizados.

"Assumi todo o ônus. Trabalhei durante meses praticamente de graça para cumprir todos os compromissos. O paciente não tinha culpa do que aconteceu."

A Polícia Civil estima um prejuízo próximo de R$ 400 mil.

Dr. Márcio revelou que, quando confrontada, a ex-funcionária chegou a admitir os desvios e prometeu ressarcir os prejuízos.

"Ela confessou na minha frente e chegou a dizer que iria pagar tudo. Mas depois veio a demissão e o processo seguiu."

Com a conclusão do inquérito policial, o caso agora segue para análise do Ministério Público e do Poder Judiciário.

Ao comentar o desfecho da investigação, o cirurgião plástico disse esperar que o caso sirva de exemplo e incentivou outros empresários a denunciarem crimes semelhantes, mesmo diante do receio de exposição.

"Quero deixar um recado para os empresários. Eu não sou o primeiro a passar por isso. Muitos preferem colocar panos quentes por medo da repercussão. Eu não tive esse medo. Confiei na Justiça."

Segundo ele, combater esse tipo de prática é uma forma de evitar que novos crimes sejam cometidos.

"Gastei dinheiro com advogados e com todo o processo porque acredito que esse tipo de crime não pode ficar impune. Não podemos passar a mensagem de que o crime compensa. O crime não compensou e nem vai compensar."

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