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Existe mounjaro em comprimido? Especialista esclarece polêmica

Especialista esclarece confusão nas redes sociais e explica diferenças entre medicamentos para emagrecimento

Victória SilvaRedação: Victória Silva
segunda-feira, 11 de maio de 2026 às 06:12
A imagem em close-foco mostra duas cartelas de comprimidos circulares em tons de rosa e bordô sobre uma superfície clara. As cartelas são de alumínio e plástico transparente, destacando o formato dos medicamentos. Ao fundo, de forma desfocada, é possível notar outras embalagens e o que parecem ser cédulas de dinheiro, sugerindo o contexto de custo ou compra de remédios.
Foto: Divulgação

Durante o quadro Saúde em Pauta, a médica nutróloga Aline Jardim esclareceu uma dúvida que tem circulado com força nas redes sociais: afinal, existe Mounjaro em comprimido? Segundo a especialista, a resposta é não, e o que tem gerado confusão envolve estratégia de marketing da indústria farmacêutica.

A médica explicou a origem da polêmica.

“As pessoas acabam hoje se baseando em informações, em títulos fantasiosos da internet. Muitos pacientes já estão me perguntando se o Mounjaro em comprimido chegou ao Brasil, como vai funcionar, e isso não é verdade”, afirmou.

De acordo com a nutróloga, uma nova medicação em comprimido foi lançada nos Estados Unidos pela mesma fabricante do Mounjaro, a Eli Lilly and Company. No entanto, trata-se de um produto diferente.

“Eles fizeram uma jogada de marketing, falando que seria o ‘Mounjaro em comprimido’, mas não é. Não tem nada a ver com o Mounjaro tradicional. Não é a mesma substância”, explicou.

A nova medicação, conhecida comercialmente como Foundayo (substância orforglipron), foi aprovada pela FDA, mas ainda não tem liberação da Anvisa no Brasil.

“Nós não temos esse medicamento no Brasil ainda, mas provavelmente ele deve chegar no próximo ano”, destacou.

A especialista detalhou que o novo comprimido atua de forma semelhante a medicamentos como o Ozempic e o Wegovy, sendo um análogo do hormônio GLP-1, diferente do Mounjaro, que combina duas ações.

“O Mounjaro é mais completo, ele atua em GLP-1 e GIP. Já esse novo comprimido atua apenas no GLP-1”, explicou.

Segundo a nutróloga, além de não serem a mesma substância, há diferenças importantes nos resultados.

“A perda de peso com o Mounjaro pode chegar a cerca de 21%, enquanto com o comprimido gira em torno de 12%”, comparou.

Por outro lado, a versão em comprimido surge como alternativa mais prática.

“O comprimido facilita a vida. Você pode carregar na bolsa, não precisa de refrigeração como as injeções. Essa é a grande aposta da indústria”, disse.

Apesar da popularização, a médica fez um alerta importante: esses medicamentos não são indicados para qualquer pessoa.

“Toda medicação tem contraindicação. Não pode ser usada sem orientação. Pacientes com câncer de tireoide ou pedra na vesícula, por exemplo, não devem usar”, alertou.

Ela reforçou que o uso exige prescrição médica e acompanhamento adequado.

“Não é uma medicação para ser usada por conta própria. Pode trazer prejuízos sérios à saúde”, destacou.

A nutróloga também chamou atenção para o impacto das redes sociais na disseminação de informações incompletas ou equivocadas.

“As pessoas querem facilidade. Quando surge um ‘comprimido’, parece mais simples, mas isso aumenta o risco do uso indiscriminado”, afirmou.

Além disso, ela lembrou que esses medicamentos não substituem hábitos saudáveis.

“Não é só tomar o remédio. É mudança de estilo de vida, alimentação e atividade física. Sem isso, o tratamento não funciona corretamente”, completou.

A especialista reforçou que medicamentos como esses são usados também no tratamento de diabetes e não devem ser vistos apenas como solução estética.

“O grande risco é tratar a obesidade como estética. Muitas vezes o paciente só busca ajuda quando já desenvolveu doenças, como diabetes”, concluiu.

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