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Feira de Santana completa 6 anos do primeiro caso de covid-19

Ex-diretor do hospital de campanha do município, Dr. Francisco Mota recorda momentos críticos da crise sanitária e reforça importância da vacinação e da informação correta

Thaciane MendesRedação: Thaciane Mendes
sábado, 07 de março de 2026 às 12:00
Imagem de Feira de Santana completa 6 anos do primeiro caso de covid-19

Feira de Santana completou nesta sexta-feira (6), seis anos desde o registro do primeiro caso de Covid-19 no município, que também foi o primeiro caso diagnosticado no estado da Bahia. O caso inicial envolveu uma mulher de 34 anos, residente em Feira de Santana, que havia retornado da Itália em 25 de fevereiro daquele ano. Durante sua estadia na Europa, ela visitou as cidades de Milão e Roma, antes de apresentar os sintomas da doença.

O médico ginecologista e obstetra Dr. Francisco Mota, que atuou como diretor do hospital de campanha montado na cidade durante o período mais crítico da crise sanitária, relembra os desafios enfrentados e destaca o papel fundamental da ciência no controle da doença.

Segundo o médico, a rápida mobilização das autoridades municipais foi decisiva para preparar a cidade diante do avanço acelerado da doença. À época, o município foi o único do interior da Bahia a implantar um hospital municipal exclusivo para tratamento da Covid-19.

“Eram casos que cresciam numa velocidade realmente muito grande. O prefeito na época, doutor Colbert Martins, que é professor de epidemiologia, identificou rapidamente que seria um problema grande para a nossa cidade”, afirmou.

O hospital de campanha foi responsável por atender um grande volume de pacientes durante o período mais crítico da pandemia. De acordo com o médico, mais de mil internações foram registradas na unidade.

“Passamos por períodos difíceis. Me lembro da implantação do hospital, quando a mortalidade por Covid era muito grande. Nós médicos nos questionávamos se estávamos realmente fazendo a coisa certa, mas era uma doença nova e lidar com ela também era algo muito novo”, relembrou.

Após um período inicial de queda nos casos em 2020, os números voltaram a subir com força, especialmente no início de 2021. Durante os primeiros meses daquele ano, o hospital de campanha chegou a operar com ocupação máxima: “Principalmente entre janeiro, fevereiro e março de 2021, nós tivemos lotação o tempo inteiro no hospital de campanha”, disse.

A mudança no cenário começou a ocorrer com o avanço da vacinação. Para o médico, a imunização foi determinante para reduzir o número de casos graves e de mortes provocadas pela doença: “A ciência venceu. Foi quando começamos a ter vacina que os números diminuíram”, destacou.

Com a redução progressiva das internações, o hospital de campanha foi desativado em 30 de setembro de 2021.

Durante a pandemia, além da pressão sobre o sistema de saúde, outro desafio enfrentado foi a circulação de informações falsas sobre a doença e possíveis tratamentos. Segundo o médico, o combate à desinformação foi essencial para que a população seguisse as orientações sanitárias.

“Foram testados tratamentos experimentais, como a cloroquina, mas depois se viu que não tinham eficácia. O foco passou a ser evitar o contato com fluidos respiratórios e investir no desenvolvimento das vacinas”, afirmou.

Atualmente, a Covid-19 não apresenta mais os mesmos níveis de gravidade registrados nos primeiros anos da pandemia, mas o vírus ainda circula e pode provocar mortes, principalmente entre pessoas mais vulneráveis.

“A Covid-19 ainda mata, mas não tem a letalidade de 2020 e 2021. A vacinação diminuiu a gravidade dos casos. Hoje ela se comporta, na maioria das vezes, como uma síndrome gripal”, explicou.

Segundo o médico, idosos e crianças continuam entre os grupos que exigem maior atenção, assim como ocorre com outras doenças respiratórias, a exemplo da gripe causada pelo vírus influenza.

Ao relembrar o período mais crítico da pandemia, Dr. Francisco Mota também destacou o papel da imprensa no combate à desinformação e na divulgação de orientações à população.

“Tenho uma gratidão muito grande pelos profissionais da comunicação. A imprensa ajudou bastante na divulgação de orientações como ‘fique em casa’ e ‘evite contato’. Isso foi muito importante para diminuir a desinformação e combater a doença de forma mais efetiva”, concluiu.

*com informações do repórter Robson Nascimento

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