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Feira é o segundo município que mais recebe Bolsa Família; economista alerta para dependência e necessidade de ajustes

Em todo o estado, o programa atende 2,3 milhões de lares, com investimento federal de R$ 1,56 bilhão

Por Rafa
quarta-feira, 22 de outubro de 2025
Imagem de Feira é o segundo município que mais recebe Bolsa Família; economista alerta para dependência e necessidade de ajustes

Cerca de 230 mil moradores de Feira de Santana começaram a receber o benefício do Bolsa Família referente ao mês de outubro. O número coloca o município como o segundo da Bahia com maior quantidade de beneficiários com 73 mil famílias contempladas.

Em todo o estado, o programa atende 2,3 milhões de lares, com investimento federal de R$ 1,56 bilhão e benefício médio de R$ 671. Além disso, 608 mil famílias baianas também recebem o Auxílio Gás, no valor de R$ 108.

O economista Amarildo Gomes analisou o impacto do programa na economia local e os desafios da política de transferência de renda. Segundo ele, o grande número de famílias dependentes do Bolsa Família revela o tamanho da desigualdade na cidade.

“Mais de 30% da população de Feira recebe o Bolsa Família. Isso mostra o grau de pobreza e de dependência do Estado e o problema é que o Estado não produz riqueza, quem produz são os trabalhadores e as empresas”, afirmou o economista.

Para Amarildo, o modelo atual cria uma “cultura de dependência”, dificultando o desenvolvimento econômico e a formalização do trabalho.

“Quando a pessoa assina a carteira, perde o benefício. Então muita gente prefere continuar na informalidade. O Bolsa Família é importante, mas não pode ser um impedimento para o emprego formal. É preciso repensar a metodologia para que o trabalhador continue recebendo um complemento de renda, mesmo empregado”, defendeu.

O especialista também fez uma comparação com políticas adotadas em outros países:

“Nos Estados Unidos, por exemplo, quem ganha pouco recebe um complemento, mas continua trabalhando. Aqui, a política vai no sentido contrário: o cidadão tem medo de perder o benefício se trabalhar. Isso é ruim para o crescimento da sociedade”, pontuou.

Apesar das críticas, Amarildo reconhece a relevância social do programa, especialmente diante da baixa renda das famílias brasileiras.

“O governo precisa continuar ajudando, porque o salário mínimo ainda é muito baixo para sustentar uma família. Mas é necessário incentivar o trabalho e a contribuição para a Previdência. Só o Bolsa Família não garante desenvolvimento”, concluiu.

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